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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Caixinha de música

Não guardo rancor.
É uma aptidão que nunca consegui adquirir.
Mas faço luto; por sinal, mais silencioso que o que eu sabia.
Em vez de rancor ou dor, eu tenho a especial estranheza de alimentar sonhos...
Sonhos que me mostram que se mostrará o que não seria esperado. Mas isso não é minha culpa. É culpa de quem joga os dados depois de dar o número como adquirido.
O que se perde, por isso, é invisível. Pois não é previsível.
O que se ganha em jogar com o que se tem, é sempre o mais plausível...
Ouvidos que não ouvem, coração que não sente... E perde-se algo sem se saber o que poderia ser ganho neste jogo de emoções e música...
A bailarina roda em torno do seu eixo na sua caixinha de música... Sabemos que ela nunca sairá de lá a bailar para fora do seu eixo...
Porque achamos que não é capaz... é feita de massa inanimada. Não é capaz.
Nós só aceitamos o que vemos e o que acreditamos ser possível.

O que não se vê também existe e é possível. Nem todos são capazes de fazer acontecer.
E o mais fácil é ficar com o razoável...  Que é agradável... Mas não é fascinante.  Isso, em vez da indefinida estranheza, mascarada de roupagem frágil e desgrenhada...

Estas histórias de caixinhas só me darão a motivação que estava em falta.
As coisas não podem continuar a ser definidas pela insegurança.

De qualquer forma... Embora me identifique com a música que ela toca... Eu não me identifico com a figura que baila nem com a caixa...

EU.


sábado, 24 de agosto de 2013

Nós.

Por milhões ou outra classe de unidade duplicadamente maior de galáxias... Obviamente não somos únicos. Ou melhor..., únicos seremos, sempre. Cada (grupo de) Ser vivo, uma individualidade. Mas não seremos os únicos a existir. Não seremos os únicos a achar-nos fantásticos e unicamente inteligentes...
 Também não nos poderemos esquecer que a vida começou numa bactéria e pessoalmente, não me acho superior, a não ser intelectualmente, às bactérias... Porque, tudo o que somos, já foram bactérias. A Terra já foi só bactérias e nós ansiamos saber se Marte já foi bactérias e se há bactérias num planeta "perto"... Porque bactérias é vida. Aquelas que nos enojam. São na verdade o começo.
 Obviamente não estamos sós... Se há galáxias semelhantes e iguais à nossa. Que têm Sol como nós. Um sistema. Mas estamos muito longe da próxima galáxia. Nós nunca nos tocaremos. Só sonharemos uns com os outros sem sabermos como somos... separados por quadrilhões anos luz (ou outro número igualmente assustador) porque eu não acredito que o Universo seja apenas os 78 bilhões de anos-luz que nós conseguimos desvendar... só porque nós só alcançamos isso na nossa "visão" do que é observável.
Isto a que chamámos Planeta, que damos por nome "Terra", esta massa nasce (como todas as outras massas orgânicas) com um prazo de validade. E esse prazo de validade não permitirá nunca que um Ser pensante (no nosso caso, nós Terráqueos) consiga desenvolver tecnologia para atravessar galáxias...
Podemos ainda em 3.013 andar já a passear pela nossa galáxia... (não toda!), e não achem isso menos entusiasmante...!, mas conhecer outra galáxia, nunca iremos ter tempo. A Terra não nos dará esse tempo. E dizem que sem Sol não há vida, e dizem que na nossa galáxia só nós temos o Sol "apontado" a nós... Dizem que os outros estão demasiado longe para conseguir a luz celestial do nosso Sol (dentro desta galáxia). Também dizem que sem água não há vida... e que nos outros planetas não há água... como tal, depreende-se que queiram dizer que não haja vida... (Todos os Seres necessitarão de água?)
Ou ela (Terra), ou nós ou todos juntos nos extinguiremos antes de criar tecnologia tal que nos transporte galáxia fora...
Nós fomos e somos bons a construir e evoluir. Mas a construção traz destruição. Que antítese...!
 Nós destruímos a nossa camada protectora para evoluir, destruímos árvores e oxigénio para construir, destruímos a terra para nos construirmos e evoluirmos... Será que não destruiremos primeiro a nossa casa antes de conseguirmos construir uma tecnologia de deslocação para achar outra casa? Claro que sim. Vamos todos morrer, sem tocar no nosso semelhante externo ao nosso sistema.
Não teremos tempo de construir a melhor máquina...

Não estamos sós.
Mas nunca nos tocaremos.
Nunca saberemos como eles são.
Acredito que pensemos uns nos outros sem sabermos com certeza que o fazemos.
No universo cheio de galáxias, há mais de nós e há mais vida que nós sem ser necessariamente igual a nós... Mas nunca ouviremos, tocaremos, veremos a sua massa orgânica.
Simplesmente, outros antes de nós já tentaram... ou acreditam que somos os primeiros?
 O Universo tem espaço e tempo para muitas histórias... Mas o Humano é uma raça gira..., que se acha pioneira! Somos tanto e tão pouco, como grãos de massa no Universo. Iguais aos planetas que sabemos existir.

Diana Marques Estêvão

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Tudo o que é sincero é legítimo.

Tudo o que é sincero é legítimo.
Tudo o que nasce do verdadeiro desejo de querer,
Não deve ser condenável,
Mas pode ser ignorado pelo autor.
Pode ser esquecido...
Deve ser olhado de fora, com racionalidade.


A tua expressão denota timidez
Que provém do teu coração
E não da tua personalidade.
E isso quer dizer algo...
Algo que os teus olhos não conseguem
(E Será que querem...?) Esconder.
Por detrás de quem és
E do que és para mim,
Revelas na tua expressão firme,
Uma brecha de mistério...
Que revela algo...
Algo mais que aquilo que desejas
Ser para mim.
É qualquer coisa que queres segurar,
Mas que a química não segura,
Porque o sentir não sabe mentir.
E quando a sós passas por mim,
Mais perto passas da ideia que negas para ti.

Mateus Marques

quarta-feira, 7 de agosto de 2013


Despertas o que de mais jovem há em mim.
Toda eu sou flores quando me falas
E receio de ser demasiado velha para ti.
(Eu perco todas as firmezas que me fazem a alma.
Quando te encontro... Sou feita de cetim.)
Enrosco-me em pensamentos de mãos dadas
E conversas que nunca existiram.
Pergunto-me o que me falta para eu conseguir ser
O ser que poderias amar...
Pergunto-me onde falhei. O que poderia ter feito
Ou deixado de fazer.
Pergunto-me onde errei.
Eu não queria errar...
Todos erramos, todos sonhamos.
Já todos falhámos.
E eu pergunto-me o que poderia ter feito
Para que me amasses.
O que teria conseguido se tivesse seduzido
A tua alma, isto se ao menos,
Eu tivesse alguma vez conseguido
Ser capaz de tentar.
Também me pergunto se serias capaz
De ser seduzido, se te seduzisse.
Se é de sedução que a tua emoção se faz.
Se é por uma mulher que o teu coração se desfaz...
Estas irritantes questões todas, na minha cabeça,
Desfazem o meu Ego e sofro em silêncio por algo
Que já deveria estar morto. Esquecido.
E não apenas adormecido.
À espera de um estímulo e estúpido sinal...
Neste nevoeiro de momentos vagos e intensos
Que são a vida.
Faço uma inspiração longa e uma expiração
Mais longa ainda.
Demoro a recompor-me.
Porque eu nunca aceitei...!
Eu nunca aceitei
O facto de existires
(desde que me apaixonei por ti)
Tão longe de mim...
Tão longe do que sinto,
Quando sinto que somos tão semelhantes,
E que poderíamos ser tanto!,
Quando eu sei
Que ainda te amo.

Ofélia Castro



Delete sem empenho nem mágoa ou desprezo

De ti já só tenho a tua sombra.
E foi assim só com isso que quis ficar,
Por mim, pode o Sol também levá-la,
Porque se algum dia te quiser procurar
Não te verei em parte alguma
Dos meus registos actuais.
A lembrança é coisa curta
E os teus traços, chegam-me
Distorcidos... irreais.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Paixão

Um poeta é um eterno apaixonado pelas extremas emoções.
Mesmo que não seja oportuno vivê-las num momento,
Escreve-as como se inventasse uma história com personagens que
Finge que inventa...
Mas são sempre, um pouco e um todo, dele mesmo.
Sonha acordado.
Sente.
Emociona-se.
Sente a necessidade de escrever.
Às vezes é mais forte que sentir vontade de comer.
São horas a escrever sem sentir sono, fome ou falta de qualquer outra coisa.
As palavras são-lhe uma injecção de heroína, adrenalina, paixão constante...
Às vezes semelhante à excitação sexual no seu ponto mais elevado de batimentos cardíacos...
Mas é mais que isso... é mais que carnal.
Ouve as frases que escreve e por vezes, a música é imaginada a acompanhar...
Para os poetas, escrever alimenta as horas de ausência de verdadeira aventura.
É como se o pensamento fosse a verdadeira vida e torna-se do tamanho do Universo...
E afinal a vida real já não vive mais naquele momento... a não ser para impulsionar o sangue
Nas veias que salientes enviam células vitais ao cérebro que está numa actividade "fervilhosa"!
Se pintassem o pensamento seria o melhor movimento artístico jamais visto...
Quando escrevemos, vemos coisas que os não poetas são serão nunca capaz de saber que existem.
Um poema nunca fará justiça ao que está dentro de uma mente.
Um livro nunca terá toda a intensidade que o escritor sentiu...
Um filme nunca será suficientemente figurativo do que verdadeiramente se vê naqueles minutos e horas e dias de exaustão de hormónio no teu corpo...
E se te interrompem este momento, há uma frustração tal, que então passa tudo a ser tão carnal...!
Como um orgasmo que estava a começar e pára subitamente.
A raiva não te deixa continuar... a quebra não te deixa de novo excitar...
É frustrante querer escrever e não acontecer. Não sai, não bruta, não escorre...
Sentes-te hemofílico e esvais-te em impotência de dom...
Ninguém saberá sinceramente do que falo, se não for poeta.

22.05.13
Diana

domingo, 10 de junho de 2012

Coração duplicado

Deslizei.
Quis morder sem comer.
Escorreguei.
Quis saborear sem apreciar.
Caí.
Quis querer sem ter.
Sofri.
Quis ter e não perder.
Enganei.
Quis manter sem afastar.
Errei.
Quis dois pássaros na mão,
Mas os dois que tive no coração,
Saíram a voar…!
Sem que eu lhes pudesse dizer
Que houve uma altura
Em que os dois consegui amar.

Ofélia Castro

Os velhos que teimam em passar


Vejo tudo, deste local onde me sento.
O gato que se lava, a chuva que tanto molha,
A pessoa que passa mais que duas vezes em frente à loja...
Vejo preocupações, observo tiques...
Ouço gritos, vejo raiva. Todos estes transeuntes...
Vejo-os de dentro para fora.

Nunca vi ninguém a observar-me
Tanto quanto observo a eles.
Aqui sou algo aconchegante,
Sou invisível.

Neste sitio onde me pouso,
está frio e brisa gelada.
O Inverno veio finalmente.
Em Portugal fez-se tardar.
O tempo já não é como era...

Vejo-os com casacos, chapéus de chuva,
Aflitos, rápidos, de olhos baixos.
A multidão que passa diante dos meus olhos
Está triste.
Será que os sonhos lhes morreram?
Ou já serão velhos demais para sonhar?
Os velhos de Benfica teimam em passar...

Passam com bengalas, andarilhos,
Chapéus efémeros, saias...
Faça chuva ou sol...
Eles passam...
Uma, duas e três vezes à minha frente.
Que farão para andarem tantas vezes por dia
Para a frente e para trás?

Questiono-me se assim serei
Quando não sair mais para trabalhar.
Inventarei eu compromissos?
Ansiedades para companhia?
O que serei quando o que quiser ser
Já tenha sido?

A vida esgueira-se entre os nossos dedos
Como se fosse água nas nossas mãos.
Ninguém gosta de envelhecer.
Digam o que disserem.
A vida é uma dádiva, um presente que
Não nos pertence nunca.
Ela ocupa-se de nós no momento em que
emergimos das águas...
E nós, ocupamo-nos de nós mesmos...

Sempre tive medo de crescer.
Em pequena cheguei a ter inclusive
Medo de envelhecer.
Nós não nos damos conta da semente frágil
Que somos na terra.

Lá de fora, afinal,
Alguém me olha.



2011
Diana Estêvão

Sentir

Senti-me em euforia,
Senti-me completa.
Perdida...
Senti-me repleta.
Sinto-me vazia...
Sinto-me desperta.
Sinto-me sem chão,
Sinto-me descoberta.
Sentir-me-ei dividida...
Morta,
Despida...
Desta veste que me conforta.

Ofélia Castro
2010

sábado, 19 de maio de 2012

Saber chorar

Saber chorar pode ser algo que se desaprende. Com a dor. A dor também nos seca.
Mais triste que não chorar, é querer e não poder verter aquilo que alivia o pesar.
E não basta recomendar beber muita água... porque o mal não está no que entra, mas no que não sai... Muito menos o mal está em algo tão material... como água... O mal de não chorar está em algo mais profundo. Libertar essa expressão liberta a tensão, talvez seja por isso que existe "chorar". Não sei... Mas...
Há pessoas que não sabem chorar. Nem por isso são más pessoas. Só são ainda mais tristes do que se chorassem.

Diana Estêvão

Traduz-me «saudade»


«Saudade»...,
Segundo a tua ausência,
Significa beber todos os dias
A dor de não te ver nem ouvir
Nem te ter, para me alimentar.
Significa,
Segundo o meu desejo de te possuir,
Enlouquecer todas as horas
Por não ter os teus lábios nos meus
Nem os meus olhos nos teus.

Diana Estêvão

«Saudade», a mais bela palavra Portuguesa

Traduz-me «saudade».

Eu poderia dizer I miss you, mas seria apenas sinto a tua falta... ou "te echo de menos"; "mi manchi", vermisse dich, tu me manques, あなたがいなくて寂しい (...) mas seriam expressões, com mais de uma palavra...!
Queremos uma só que tudo diga, uma palavra envolva esta imensidão de sentimento!



sexta-feira, 18 de maio de 2012

A balança

Se em ocasião te olho e te consigo ver,
Então reparo-te... como quem se delicia.
Estes suspiros são da tua autoria,
És o culpado dos meus sorrisos e desta alegria.
Tanto quanto és autor da ânsia e euforia...
E tanto quanto, infelizmente..., para mim,
És o tão capaz de me magoar,
Pelo que já experienciámos, sabemos que sim.
Porque eu deixei-me te amar.

A sós somos mais nós, sem ter que explicar.
Mas quando apareces assim...
Sem eu te poder pegar...
Desejo descer o pano com que faço
As nossas quatro paredes de amasso
E olhar-te nos olhos sem perguntar se posso,
Beijar-te meu amor... como no nosso regaço!

A sós és bem mais tu, mesmo que me digas que:
Não é bem assim...
Porque essa tua capa é demasiado crua...!,
Não me digas que é de mim!...,
Porque eu sou para ti mais nua do que
A tua verdade já alguma vez me foi...
Não me mintas... rapaz...
Porque me ensinaste mais que todos
Que amar com esta verdade...
Dá-nos a melhor felicidade e a mestra desgraça...
Mas..., desde que este tão doce alento
(Que me plantaste há muito tempo)
Seja mais abundante que estas lágrimas e noites
Que me tiras sem pedir permissão...
Então eu aceito continuar a amar-te.
Tudo porque eu te dei o meu chão.
Para não dizer o de sempre...
Porque esse que se diz que se dá...
Afinal fica sempre cá...

Ofélia Castro


Maio - 2012

terça-feira, 5 de julho de 2011

A silhueta



As silhueta acolhe-nos na sua sombra própria.
Normalmente tem uma beleza muito sua...
Não mostra cor ou padrão...
Não mostra sorriso ou perdão.
Só mostra os limites e
A linha que divide fundo e figura negra.

Consegue ser sensual e assustador.
Consegue seduzir sem mostrar o conteúdo,
Consegue ser bela sem mostrar o seu interior.

A silhueta tem como objectivo esconder-nos
Afirmando-nos.
Gosto de silhuetas, porque nos delineiam.
Desenham a forma do nosso corpo
E sublinha-nos a tangente com o fundo que nos tem.

Sinto-me bem silhueta porque mostro-me
sem me mostrar.
E ninguém vê o meu rosto, pele ou cor...
Ninguém me toma pela textura...

A mancha que passamos a ser
Uma vez silhuetas,
Dá-nos o poder de actuar sem expressão descoberta.
Somos alma em forma de forma
Que pode ser projectada como sombra
Ou usada como sombra própria...

A silhueta consegue esconder a lágrima,
Mas transborda expressão corporal.
Mancha a pele, mas afirma a volumetria...
Talvez nos exponha mais, afinal,
Que o nosso corpo em fotografia.

Diana Estêvão

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Tenro amar

Foste em tempos, tenros,
A alma mais absoluta
Que eu julgava existir para mim…

Eras, do nascer ao pôr do Sol,
O rosto que eu vivia,
No horizonte jovem dos meus olhos.

Não acreditaste na certeza que senti
Quando senti o que senti
Ao sentir-te no meu olhar…
Ao tocar-te pura, trémula e original.

Escrevi-te como se fosses
O último homem na terra…
E como se eu, fosse a única poeta
Que melhor declamava o meu amar…
Mas tu!..., eras na altura,
De facto, o único rapaz
Daquele meu terreno lunar…
E fizeste-me sentir a melhor e única
Poeta… daquele terreno à beira-mar…

Todas as horas foram lutas,
Travadas para te conquistar.
À espera que existisse um fim,
Um final feliz, em que,
Por destreza minha te fizesse,
Finalmente!,… Amar-me.

Várias flores nasceram aos meus pés…
Belas e apaixonadas, sem eu as plantar…
Seguiram-me num desenho fiel…
Mas que nunca me conseguiu apaixonar…
Porque a flor que sempre tentei cultivar,
Nunca a consegui ver nascer nem desabrochar.
Por isso nunca me fez feliz um jardim repleto,
Se a única flor que plantei não nasceu…
Deixando o meu jardim incompleto…
E incompleto o desejo de amar…



Insisti em nós, incansavelmente,
Acreditando que poderias vir
A sentir-me como te sentia a ti.

Perdi a noção das cartas e palavras…
Perdi o meu tempo em troca de
Não correspondência.
Chagas no peito, horas amargas…

Quando desisti de te conquistar…
Não te ganhei nenhum sentimento mau,
Perdoei-te por não ser correspondida…
Ficou só o meu desgosto por ti, rapaz…

Nunca tive coragem para jogar contigo...
Nunca consegui usar os meus trunfos
De mulher jovem…
Pequei por não ter sido mais habilidosa…
Mas sou mais envergonhada do que me julgaste.
Mais tímida que…
A desavergonhada que em mim desenhaste…
Se fosse hoje, talvez mais que na altura,
Eu mais hoje tentasse…

Mas não deveremos falar assim do passado…
Só sabe quem já sentiu…
O que é amar e não ser correspondido…
Amar-te e querer-te…
E tu de coração já preenchido…

Acho que nunca mais nos iremos cruzar…
Não daquela forma.
Mas por mais que eu te tenha esquecido…
Ao passar por ti e na tua presença…
Ainda tremo…
O teu rosto ainda me toca com o olhar…
A tua presença ainda me preenche…
A tua existência junto de mim
Ainda me faz suspirar…
Ainda despertas a minha adrenalina…
Eu gostava de ter-te num momento a sós…
Porque hoje somos homem e mulher…
Já não somos menino e menina.

Gostava de conversar…
Olhar…, rir…, observar… sorrir…
Tocar-te na mão, com delicadeza…
Fazer-te um carinho no rosto,
Com leveza… Tudo muito calmo…
Porque parece que ao imaginar…
Volto a ser a mesma menina.
E o medo apodera-se…
Parece que volto a ter a mesma
Ingenuidade genuína…

Vou esperar por esse momento…
Espero não ter medo.
O meu pecado é ter medo.
O medo não deixa o Ser-humano viver…
Não o deixa sentir…
Leva-me a sentir.
Leva-me a querer.

Ofélia Castro

quinta-feira, 26 de maio de 2011

1000

1000 visualizações da página.

E viram algo que vos levasse a reparar?
Reparam em algo que vos fizesse voltar?
Voltaram a ler algo que quisessem seguir?
Seguiram algo que desejaram continuar a acompanhar?

Obrigado por lerem a minha página.
Vou esforçar-me para dar mais de mim.

"Se podes olha, vê. Se podes ver, repara." J. Saramago

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tal como no Stop motion


O Stop motion é como a vida... E ainda mais como os momentos que temos nela. Juntam-se fotos após fotos, frames sucessivos de sentimentos e matéria que, ao fim de uns milhões de imagens nos permitem ver um filme fluído. E assimilamos muito melhor as coisas que aconteceram quando fazemos o stop motion desses momentos ou mesmo o stop motion da "nossa" vida. Porque na verdade, cada foto, individualmente - por vezes - não nos diz nada. Porque numa foto não vemos a anterior nem a seguinte só vemos aquela. E aquela poderá não dizer tudo.
Engraçado como o stop motion pode ser como os momentos da nossa vida... Que só os interpretamos melhor/bem quando os vemos em sucessão... Aí percebemos muita coisa que não havíamos entendido ou não quisemos dar atenção quando era só uma vez, quando era só um momento... um frame.
A quantidade faz a ideia, a quantidade faz o sentido... e a sucessão faz o raciocínio correcto.
Mas há também a manipulação do real - que é interessante como também se adequa à nossa forma de vida. Neste vídeo tal como na nossa vida, há manipulação de imagens reais, de momentos... E nós manipulamos o real, para que nos pareça à medida das nossas expectativas.
Porque o stop motion não bastou para compreender e agradar, quiseram manipular o existente, adequando às expectativas, desejos e objectivos... e metas. O stop motion faz-nos compreender se não estivermos satisfeitos com o que compreendemos e depreendemos..., faremos então uma manipulação do que temos... para por vezes, nem convivermos com o real que descobrimos...
É assim na nossa vida. Tal como no stop motion.
Criamos histórias.

Diana E. _21 Fev. 2011

Música: Laura Jansen - Single Girls

sábado, 12 de fevereiro de 2011

«Não te negues»

O Sol nascia
E os raios da lembrança
Iluminavam aquele sentimento...
Via-te no horizonte que os meus olhos criavam.
Lembrei a tua presença daquela manhã fazia d'outrora...
Lembrei a nossa dor.
A minha, de gostar de ti...
A tua, de não sentires nada por mim.

Passados anos dessa breve adolescência
Lembro com carinho e nostalgia a minha luta
Pela tua conquista.
A vida não me quis oferecer sequer a tua paixão.
Segui, mas ainda penso muito em ti.
(Não da mesma forma.)
Lembro-me sempre da teoria de alguém
Que um dia disse
Que "A esperança é a ultima a morrer"
E da minha que diz que:
Ela só morre com quem amamos.
E por isso às vezes ainda penso que...
«Bem... Ainda cá estamos...!»

Não sei que me fizeste..., que
Quando te vejo ainda acelero o coração.
Devo sentir vergonha?

Vejo cada vez mais longe qualquer
Possibilidade tosca de alguma vez,
Sequer,
Provar os teus lábios.
Sinto que já não sinto por ti;
Mas sinto que ainda me minto,
Se disser que nada me dizes.

Naquela muralha de pedra clara
Lembro-me de observar-te a voar de bicicleta
Depois da tua doce sinceridade
De me negares... Quando,
Curiosamente,
Todos me queriam
E eu escolhia-te exactamente a ti que nem um desejo sentias...

O sol pôs-se... Viste?
Deliramos. Afinal, não somos assim tão diferentes.
Nem eu tenho tantos defeitos como em tempos desenhaste.
E não pretendo jamais que
Tenhas pena de mim.
No entanto também não te admito
Dúvidas sobre a seriedade do que senti.
Especulações sobre um possível amor de verão
Que esses, como citaste
"(...)Enterram-se na areia da praia"
Nem tão pouco suporto um afastamento
Por desconfiança de nova fraqueza minha.

Algures li que "não se ama o mesmo homem duas vezes".
Por isso só há duas hipóteses...
Ou nunca cheguei a amar-te,
Porque nunca me deste o prazer de o chegar a sentir...
Ou nunca deixei de te amar
O que na verdade me parece improvável.
(Digamos que algo em ti mexe comigo.)
Ou então esta teoria é mentira
E podemos amar quantas vezes quisermos a mesma pessoa.
Ou então "o amor tem razões que a própria razão desconhece".

Ofélia Castro





http://www.youtube.com/watch?v=rBzcOUOY5YY

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Todos os dias me engano...

Saí do trabalho. É noite.

Olhei em frente. Para um lado. Para o outro...
Saí da entrada daquele prédio, belo...
Daquele sítio alto... que outrora, de perto, já viu o mar.
E sem rumo, mas com vontade...
Andei pelas ruas do Rossio...

Todos os dias me engano, todos os dias me traio
Por não usar o que me deram e que nem todos têm,
Por não me deixar apaixonar pelo que amo em segredo
E que sei que todos querem.
E assim, vivo cada dia... Enganada.

Enquanto desço a rua
Começo a cantar, porque o que amamos
Não podemos negar.
As pessoas fintam-se, olham-se...
Re-olham-se, tresolham-se...
E voltam a olhar.
Eu olho... sinto,
Deixo-me apaixonar...
Porque se posso olhar, vejo.
E se posso ver, reparo.
Como me ensinaram num livro.

Caminho; pé na diagonal do outro...
Postura firme, costas direitas...
Penso na próxima rua... E sinto receio.
Abrando. Acobardo, como sempre.

Ouço as vozes trocadas e musicas da rua...
Fecho os olhos.
Continuo de olhos fechados a caminhar...
E descendo a Garrett, recomeço a cantar.

A calçada é inconstante e torna a minha voz
Não tão boa, mas eu canto... para mim.
A vontade cresce e o peito do lado esquerdo
Sente um quente...
E num salto, começo a correr!
Corro pela Do Carmo abaixo...!
Já lá não está o carro verde que de dia nos dá fado.
Enquanto corro, penso de novo no que quero...
E tenho medo de fazê-lo...
Chego ao grande largo...
Atravesso-o num passo apressado...!
Quase que choro de emoção, pela musica que tenho no coração.
E que todos os dias sinto que traio por não a sentir...
Mas hoje vou senti-la e abraça-la..., aquela que amordaço
Entre as cordas vocais.

Corro!
Chego à De S. José...
E lá está ele.
Canta com vontade, não se trai. Abraça a sua paixão.
Todas as noite canta, acompanhado pela sua guitarra.
Deixei-o terminar.
Dirigi-me a ele... com medo.
Frente a frente, disse boa noite.
Perguntei se aceitava que cantasse com ele.
Fez-se rogado...
Disse-lhe que nada pretendia em troca a não ser o seu sim.
E que se ele recebesse dinheiro enquanto eu ali estivesse,
Ficaria contente por ajudá-lo assim...
Aproximei a minha voz do seu ouvido e cantei.
Para que visse que era capaz.
Perguntei-lhe se me deixava cantar Amália...
Ele escutou...
E os meus olhos devem ter feito algo, que ele viu, mas que eu não vi...
Porque ele disse que sim e deixou-me agarrar no seu microfone.
Falei-lhe de uma música que falava de Lisboa...
E começou a tocar na sua companheira...
(...)
Era tarde para amordaçar de novo a voz.
A cobardia lutava com a vontade.
E trémulas as minhas mãos, não pequenas, seguraram firmemente no que
projectaria a minha voz por aquela rua longa...
E cantei...

«Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.»

E nesta primeira estrofe,
As gentes de cá e de lá,
Ouviram o que o meu coração tinha a dizer
E que a minha razão quis esconder...

«Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.»

Emocionada sorrio a cantar
Com esta música tão triste.
Porque o fado tem um encanto
Que os que o amam sentem...
E uma felicidade que é escondida
Na sua tristeza tão bela.

A emoção da sua tristeza,
Transbordou pelos meus olhos
E os meus olhos fechados brilharam.

«Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.»

As gentes de cá e de lá
Reuniram-se à nossa volta
E as minhas cordas vocais vibraram,
A minha voz voou pela calçada portuguesa,
Como uma ave selvagem que é solta da gaiola.
As pessoas escutaram,
cantaram... Sentiram.
E a rua tornou-se pequena e quente.
E terminamos assim:

«Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.»

E calei a voz.
A guitarra continuou...
O meu coração, sem espaço para bater,
ouviu as palmas... E sem esconder,
Sorri com lágrimas.
Batemos palmas...
As mãos suadas e frias
Devolveram o microfone do Senhor.
Beijei o artista.
Agradeci.
Segui calada,
Com a minha voz de novo cerrada.


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Coração de corda

Ontem deixaste a tua marca nos meus lençóis,
E a tua presença ainda actua
Se eu fechar os olhos...
O teu cheiro é a marca que não quero perder,
A imagem gravada do teu olhar
Vai ser a chave que me vai prender.

Às vezes a lágrima sai...
Por ser eu tão feliz às escondidas.
Às vezes a verdade vai...
Por escondermos as nossas vidas...
Às vezes o pano cai.
A nossa mentira
É feita de palavras sentidas.

Se a nossa forma séria de sentir
Faz de mim uma mulher mais mentirosa,
De que vale adorar-te e oprimir?
Se és só sonho cor-de-rosa,
De que me vale amar-te se lhe vou mentir?

Quero fazer-te feliz e sentir que me sorris...
Não quero que te escondas
Cada vez que me sentires...
Não quero que sofras
Cada vez que te pedir para fingires!
Não quero perder-te,
Se um dia fugires.

Gostava de tornar-te realidade
No meu mundo verdadeiro
Gostava de sonhar-te acordada
Sem segredo nem medo...
Amar-te e ser amada.
Sem nenhum ou qualquer receio.
Dar-te a mão sem vergonha.
Abraçar-te e ser abraçada...
Sem ter de procurar um meio;
Deixar transparecer o meu desejo
E não amarrá-lo, como se fosse feio.

Gostava que o meu coração
Batesse por ti a toda a hora
E não apenas quando lhe dou ordem...
Meu coração de corda.



Ofélia Castro

2010

Lágrima

Ela é salgada,
Já não lhe sabia o sabor...
Não por não as verter...
Mas por nenhuma roçar a minha boca.
É um sabor único,
Naquela temperatura tão própria.
É morna e salgada
Quando se entorna.
Cuidadosamente temperada,
A lágrima contém nela
Uma rica mistura de sentires...
Ela cai quando nos rimos,
Quando sentimos tristeza,
Angústia, revolta, raiva...
Quando sentimos emoção,
Comoção...
Ela cai e rola...
Deixando um pouco de si
Por onde passa...
Deixa de existir quando
Já deu tudo o que tinha
Da sua matéria, quando
Seca, por onde se espalha.
É tão rica em sentimentos que
Deixa alguns pelo caminho ao
Largar os olhos molhados e carregados.
E é dos fenómenos mais lindos e
Com finalidade desconhecida;
Ninguém consegue explicar
Porque é necessário na nossa vida...
Mas ocorre em todos os seres humanos...
A lágrima, é portadora de vida.

Diana Marques Estêvão
2010

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Descobrir como é existir, sem existires

Não eras pessoa nem racionalidade
Foste mais que isso, foste sentir!
Foste quem me acompanhou sempre
Desde a minha tenra idade.
E basta-me que tenhas sido
O meu mais fiel amigo
Para que te faça de fiel companheiro,
Meu familiar.
O teu cheiro ainda está na minha memória
Não fosse o olfacto
O responsável pela mais forte das recordações
No humano
E o mais forte sentido em ti,
Pois sabias sempre, e sempre foi até ao fim,
Quando eu entrava em casa
E sem me veres, seguias-me por aí...
Até que o teu nariz se encostasse ao meu corpo.

Sem medo de censuras,
Afirmo sem vergonhas,
Que foste quem mais feliz me fez nesta vida,
Vida minha que ainda é pouca.
Nunca me deste uma desilusão,
Nunca me abandonaste por nenhuma razão
E quando me tinhas, era eu a tua mãe
Porque a família, é quem cuida e dá a mão.

Foi engraçado perceber como és semelhante
A mim, que não sou como tu.
Foi emocionante acompanhar-te nesta viagem
Tão longa para ti e tão curta para mim.
Para mim foste bebé a tua vida toda
Apesar da declarada velhice que tinhas
A partir dos 12 anos.
Para uns foste meu irmão,
Para mim foste, o que mais próximo tive
De filho que nunca dei à luz,
Porque nunca tive filhos
E o instinto já está presente.
Curioso como nos teus últimos anos
Foste tão parecido com o que eras
Quando eras bebé. Afinal tu és,
Tal como nós.

Ver-te sofrer não fazia parte
Dos meus planos, quando toda a vida
Nunca houve sofrimento em ti e,
Como tal, não iria ser no teu fim.

Falo de ti sem lágrimas,
Mas a sós comigo, penso em ti
Com os olhos inchados de verter.
Quando tenho tempo para mim,
Choro tudo aquilo que ainda não chorei
Tudo o que não tive tempo de chorar
Nem quis chorar acompanhada.

Volto, sem vergonha e sem medo, a escrever
Que até hoje não chorei pela perda de ninguém
O que chorei pela tua perda,
Que no senso comum, não és "alguém".

Por te ter, aprendi a saber quem era,
Antes dos 5 anos não me lembro da mim,
Foi como se me tivesses acordado
Da infância em que vivia adormecida.
Por isso, só me lembro de mim, contigo e,
Talvez por isso, me seja tão difícil
Descobrir o que é a minha vida, sem ti.

Nem todos os seres humanos compreendem
O amor que conseguimos ter, a um ser como tu.
Nem todos tiveram a felicidade que tive,
Porque nem todos são dotados das capacidades
Que permitem ao humano, amar todos os seres.
Por isso, nem todos sofrem com estas perdas,
Como eu sofro com a tua.

Para mim és mais que uma memória,
Foste mais que um cão,
És mais que companheiro,
Foste-me mais que fiel,
Foste um ser, mais humano para mim
Que alguns dos meus humanos.



Diana Marques Estêvão

1 de Julho de 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Noite & Dia

A noite é testemunha silenciosa
Dos nossos corpos ligados pela alma.
As ondas que nos vêm,
Sabem que brincamos na praia..
Sabem que corremos, gritamos, gememos
E trememos de receio que elas contem a alguém
Que nos apaixonamos à Lua cheia,
Que nos vê aos abraços cheios e nos dá a luz
Que nos deixa ver os corpos nus na escuridão
Que procuramos..., na nossa noite de paixão.
Na noite que nos escuta,
Não há lugar para farsas...
Podemos falar com gestos...
E os olhares são acompanhados
De amassos generosos.
Quando passo por ti, de dia, sou ar
Que te dá vida.
Sou pássaro que paira no teu coração,
Sou o alimento da tua visão,
Que acalma a tua vontade de me ter, ali...
Somos a farsa mais bela
Que a mentira pode conhecer!
Somos a verdade mais certa
Que o destino poderá vir a traçar.
Somos a mentira mais cega
Que a todos basta, mas que
Ninguém ousa contestar.
Se um dia formos a verdade mais clara
Que o mundo já viu e
Que a ninguém jamais enganara...
Será que a noite quererá continuar
A ser nossa testemunha?
E as ondas? Voltarão a olhar-nos?
A lua cheia, continuará a iluminar-nos?
Nós? Continuaremos a amar-nos?

Ofélia Castro
Junho, 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Estranha forma de amar

Gostei de ti sem querer.
Apaixonei-me sem me ver.
Desejei-te sem te ter.
Surpreendi-me por te merecer...

Aprendi a gostar
Ainda mais de ti.
Aprendi que não se nega
O que se sente.
A verdade escondida
Temo-la nas nossas mãos
Tremulas, pelo receio de
Virmos a ser descobertos.

Aprendi a não ter quando quero,
Aprendi a esconder o que adoro.
A não ter o que supero...
E não possuir o que conquisto.
A não amar o todo...
Do pouco que já adoro.

Sou um delírio no amor,
Um sopro de emoção.
Uma pincelada de calor...
No frio das pessoas
Por quem passo e que sentem frio.
Tu tinhas frio.
Tinhas fome de amor
E uma brisa de emoção.
Sendo tu tão único, tão bom...
Serei eu capaz de te dar o meu coração?

Aprendi que não devo cobiçar
O que não quero amar...
Mas, e... Se eu amar devagarinho...
À minha maneira de gostar?
E tentar não me aproximar?
Aceitas esta forma de conquistar?
Perdoas-me esta minha
Estranha forma de amar?

Ofélia Castro
2010

domingo, 9 de maio de 2010

Sublime amar

A saudade cegava-me todos o dias.

Desde que partiste que
Não consegui pensar mais.
Por sentir demais,
Por chorar demais.
Por a tua ausência
Se afirmar presente demais.

Chegaste naquele dia,
Por trás de mim,
Tapaste-me os olhos
Com as tuas mãos que
Sei definir sem as ter.
Toquei-lhes sem as ver
E percebi que eras tu
Quem estava atrás de mim!
Virei-me num repente
Que te lançou os meus cabelos
No rosto, aquele que olhei
Com a surpresa de quem
Te ama em segredo e
Não pode dizê-lo a ninguém.
Com os olhos bem abertos
e bastante húmidos, o meu coração
Pulava, quis sair do peito!
Abracei-te, quis lá eu saber
Do que podiam pensar...!
Só quis abraçar-te,
Sentir-te, só te queria amar.
O teu peito faz-me tanta falta,
É nele que me enroscava
Era ele que beijava quando
A nossa paixão nos suava...

O abraço durou...
Mas acordei.
Tive que largar-te.
Não podia ser vista tão emocionada.
Não podia ser sentida tão amada.
Larguei-te a custo e
Disse coisas que não condiziam
Com a nossa avançada intimidade...
Mas eram as palavras que podia dizer
Naquele momento...
Dado que o contexto nos olhava.

Era bom poder beijar-te
Naquele instante de felicidade...
Mas não o podia fazer...
Não devia.
Eu sabia.
Mas a necessidade de te ter
Era demasiado forte
Para eu poder perceber que
Um beijo nosso
Era a nossa morte.

Numa vontade que me matava
Quebrei o nosso zelo!
Tomei-te em desespero.
E retribuíste-me com medo...
Mas logo me afastaste,
Logo me fugiste,
Enquanto não era tarde nem cedo.
Vi-te fechar os olhos...
Tremendo.
Senti o que sentiste
Porque é meu também o teu segredo.



Ofélia Castro
Maio, 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Amar o passado

Queres que eu te sinta
Por inteiro,
Queres que eu te tenha
Como se eu fosse o teu primeiro...
Mas nunca tive ninguém
Que me quisesse assim e que
Na relação tivesse um terceiro.

Negas esse amor não celado...
E mentes-me com uma lágrima escondida...
Um sorriso à mostra de um lado
E uma mentira que me enlaça de todo
Nesta felicidade entristecida.

Não deixaste de pensá-lo
Nem queres em ti provocá-lo
Por gostares de o gostar...
E sem me quereres deixar,
Vais-te enganando nesta nossa
Relação de tentar...

Estou cansado...
Não te posso mais esperar.
Decide quem queres amar.
Decide quem queres sonhar...!
Se ele não é passado...
Eu não quero ser o mal amado
E estou cansado de me magoar.

Não te vou puxar mais...
Queres cair no teu passado..., vai.
Mas se vais, constrói bem esse estrado,
É nele que terás o caminho traçado...
E o Futuro jamais foi passado.

Entretida com a soma
Esqueces a subtracção que me fazes
E divides-te numa toma...
Em que apenas mal me trazes
Por essa multiplicação de fases...


Mateus Marques, Abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

O teu olhar

Olhaste-me com essa força…
Toda essa tua segurança no teu olhar
E não fui capaz de continuar a respirar,
Parei de dançar, parei de pensar…
E ainda mais segura de ti,
Ao me veres parar,
Reforçaste o teu penetrar.

Inspirei dupla e repentinamente… e expirei…,
Num suspiro que se viu…
Matou-me por inteiro aquele teu olhar.
Continuaste a balançar…
Continuaste a dançar
E eu não pude deixar de observar…
E reparar… a tua sensualidade
Enche o meu apreciar.

Guardei a timidez cá no fundo
E deixei-te aproximar…
Pensei em tocar-te, sem te desrespeitar…
Já tão próxima de mim… senti o teu aroma…
E fechando os olhos... imaginei-te na minha boca.
Tocaste-me no ombro, toque leve esse,
Que intenso me tocou profundamente.

Senti a tua respiração…
No canto do meu lábio,
Senti aquele toque tão subtil,
Que perguntei se seria o teu cabelo…
Deixei-te conduzir-me
Naquela dança tão quente…


Com a tua mão nas minhas costas
Arrepiaste-me e…
A outra mão tocou-me nos lábios e
Preparou-os para o beijo desejado.
Encostaste o teu lábio inferior ao meu
Lábio inferior… e mordeste-me…
Cuidadosamente…, carinhosamente…!

Pegaste-me na mão e puxaste-me.
Quiseste privar-nos…
Eu encostei-te a uma parede e, excitada,
Beijei-te o peito… e tu,
Desejada, deste um suspiro de
Mulher amada e agarrámo-nos,
Aceleradas e suadas…

Puxei-te e corremos para a areia.
Olhamo-nos. Desta vez com
A mesma igualdade de segurança.
Beijamo-nos. Desta vez deitadas.
Molhadas… com o sal do mar…
Banhadas pela areia que se agarra
À pele sedenta de paixão…

Consumimo-nos e
Os gemidos não nos deixam
Ouvir a música que toca.
A areia húmida, sinto-a seca
De te sentir assim tão…
Rebolamos na praia escura…
E invertemos colocações...
Sobes para cima de mim...
E dizes-me ao ouvido:
Sentes-me?


Amélia Rosa, 2010

terça-feira, 30 de março de 2010

Ser

Algumas vezes queremos não ir em frente,
Mas o sentimento é tão fluente…
Que desejamos nunca vir a amar…
Mas não se enganem seres de carne fraca!
Somos todos sangue quente,
Somos todos sentidos e respirar,
Somos mais que o que se sente…
Somos forças da natureza que alguém ousou criar.

Somos belos no nosso interior.
Mas estamos constantemente a afirmar o exterior.
Constantemente queremos desajustar o que algo superior
Desenhou ao pormenor com mestria e rigor.

Ansiamos e tornamos utópica a perfeição…
Ridículos seres somos…
Que não compreendemos toda a nossa perfeita perfeição.
Heróis carnífices fomos…
Que não só nos descobrimos,
Como destruímos o que não foi nossa criação.

Mesmo assim…, somos tão fantásticos
Na nossa perfeição tão única…
Este sangue que não nos deixa ser apáticos,
Esta pele! Tecido que envergamos como túnica.
O meu sentimento por nós é de amor/ódio…
Porque: como é que algo tão belo se afirma
Igualmente, tão cruel e, verte sódio...
Em forma de lágrima?


Diana Estêvão, Março 2010

domingo, 21 de março de 2010

Estranha forma de vida

Letra: Amália Rodrigues
Música: Alfredo Marceneiro

Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vives de vida perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vives perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais

Se não sabes onde vais:
para, deixa de bater,
eu não te acompanho mais.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Hoje seria o teu dia.

Abri o armário. Tirei três pratos. Quis pôr a mesa para jantarmos... mas esqueci-me que a mesa ficou maior... Maior com a tua ausência. E mesmo com a permanente dor da tua falta, a inconsciência do teu não estar predominou naquele momento, por eu não me ter habituado ainda ao teu não ser.
Já com os três tabuleiros na mesa, coloquei três pratos, mais os três copos e ainda mais os três guardanapos... e não me lembrei sequer à quarta vez que não te irias sentar ali e comer connosco! A cada uma das terceiras vezes que coloquei as tuas peças, eu não me lembrei que já não és, já não estás! Como não me lembrei?!...
À quinta peça - os talheres - lembrei-me que, por vezes, costumavas colocá-los ao contrário... sabe-se-lá porquê... e com esse pormenor muito teu, lembrei-me que TU já não és um de nós... Aquela primeira, segunda ou terceira pessoa que se senta à mesa connosco. Já cá não estás... E sem saber o que fazer, levei as mãos ao rosto... num acto irreflectido e sentido...
Peguei nos talhares já postos... e no prato e... abri o armário. Pus o prato, abri a gaveta e coloquei os talheres... Tirei-te o guardanapo e não soube onde o por... agarrei no copo e arrumei-o novamente... E sentei-me numa das três cadeiras... Apática. Doeu-me ter que te retirar o lugar. O lugar que já não é teu, mas que fica tão vazio sem ti... eu ainda te sinto aqui... Sinto-te! Tão presente..., tão evidente... Sinto-te meu querido...!
(lágrimas)

Chegaste e sentaste-te, mãe. Não disseste nada. Eu nada te disse. Beijei-te a testa e sentei-me na terceira cadeira, vazia. Deixei a outra do meio ali, na mesma...
Comemos... sem fome. Só com saudade. Faltaste tu, meu querido... Faltaste tu... Desculpa-me... Desculpa-me!... Perdoa-me não ter posto prato para ti..., nem copo... nem talher..., nem guardanapo...
Desculpa não ter posto mesa para ti, meu pai...


Ofélia Castro
19 de Março de 2010

Palavras

Contaste-me palavras prometidas.
Não me as disseste.
Deixaste a imagem no ar.
O ar que inundamos
Com os nossos odores.
Deixaste-me a pensar...
E enquanto nos afundamos
Nos nossos amores,
Disseste-me palavras sentidas.
Palavras que não me as prometeste.
Tentei senti-las...
Mas nunca me as ofereceste.
Tentei ouvi-las...
Mas não as repetiste.
Tentei reproduzi-las...
Mas não as pediste.
Quis traí-las...
E tu sentiste-te.
Quis trazê-las.
E tu vieste comigo.

Ofélia Castro

Partiste?

O barco vai partir
E eu não sei se quero ir...
Contigo.
O mar é rude e longo...
E apesar da sua imensa beleza...
Eu tenho medo.

O barco vai partir...
E eu não sei que fazer...
Perco-o?
Vou?
Espero?
Se espero ele parte.

E tu?
Esperas por mim?
Partes?
Ficas?
Arrependes-te?

O barco vai...
O barco foi...
E tu foste...
Não te censuro.
Era egoísta pedir-te
Para ficares...
Perdi o barco.
O nosso barco.
E a ti?
Perdi-te?
Voltas um dia?

Espero pelo nosso próximo barco?

Não se perde o mesmo barco duas vezes.
Tal como não se ama o mesmo homem duas vezes.

Ofélia Castro, Março 2010

InCertezas

Eu digo que tenho tudo controlado,
Mas eu sou demasiado sentimental.
Este meu lado esquerdo...
Já foi várias vezes machucado.
Várias vezes isto de brincar me correu mal...


Eu digo que cá me arranjo...
Mas só vejo forma de me arranjar um amor...
Quero sair, mas fui eu quem quis entrar...
Fui eu quem deixou isto voar...
Fui eu! Quem quis provar este sabor!
A culpa não foi do cupido mascarado de anjo...


O lado esquerdo chora...
E parece que gosto de viver como poeta...
Que vive a vida na amargura da hora...
Que troca esta acidez tão secreta
Por um poema que fugazmente devora!
É uma dor que demora...
E o meu lado esquerdo chora...


Não sei se te quero,
Ó tu! Que me consomes os pensamentos...
Nem sei se te não quero...
Que isto é um rebanho de sentimentos!
Quanto mais penso mais me perco...!
Neste mar de desejos ardentes...


As incertezas conferem ansiedade à vida.
A ansiedade é filha da adrenalina...
A adrenalina é culpada pela súbita subida
De coragem e desinibição num ser...
Posto isto: que era da vida sem incertezas?
As certezas exterminam um possÍvel acontecer.
A certezas só servem para nos deixar morrer.

Amélia Rosa, Março 2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Andar sobre uma linha de papel

Descobrir cada pedaço de ti,
Apaixona-me cada vez mais;
Não é apaixonar-me por ti,
É querer-te em dias banais...
(Será?)
É sentir-te mais que os demais,
É pensar-te mais que outros que tais...
É, apesar de tudo, sentir que
Sobretudo, se eu não sair daqui
Tu também não sais...
Só sei apenas que me perco em ti, demais...
E que me encontro de novo quando voltas e já não vais...

Eu já não sei se te desejo ou quero...
Não percebo se não me esforço ou esmero
Por te encantar, mais do que te encantas,
Se é do teu olhar ou das conversas com que me cantas...
Será que me apaixonei de novo como em outras tantas...?

Ter-te só para mim no nosso momento é tão bom...
Pensar se tens além de mim alguém com quem...
Dá-me que pensar, mas desligo e ligo um som...!
Não quero saber disso, não me sabe bem o tom...

Pensamentos íntimos sem compromisso
Com a realidade, por serem apenas isso...
Sonhos, saudade, vontade, esquisso...
Não tos conto, por serem só meus...
E será mesmo? Ou serão também teus?

Desmanchas-te com uma possibilidade
Que me confunde e enfraquece
E deixas-me sem reacção,
Sem palavras nem capacidade... esquece...
Não brinques com a minha sanidade... isso enfurece.
Não se escreve o que não se promete.

Ofélia Castro, 2010

Lis linda!

Lisboa, que sou tua,
Desde que em ti nasci
E tu, que és minha
Desde que te conheci...
Lisboa! Tão boa
Que nos levas até a ti,
Tu que tens vida própria
E não somente
A nossa vida por si!
Oh Lisboa vida!
Dás-nos a vida
Que tens aí?
Essa luz que tens
Noite e dia?
Essa harmonia que vem
Até aqui?
E dás-me essa voz...?
Essa que trazes a mim?
Lisboa, que és tão grande,
Que ninguém sabe
Onde fica o teu fim.
Leva-me pelas tuas belas
Ruas e becos...
Veste-me com essa paleta,
Conta-me todos os teus segredos...

Diana Estêvão, 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Desejo . . .

Para começar... gosto de saborear...
Como que uma introdução...
Preparar um desenvolvimento...
Sem pensar muito na conclusão
...
Deixar-me no teu pensamento
Sem ocupar espaço no coração.


Então olho-te... e o teu olhar não me mente.
Queres aquilo que eu quero
E o que quero é tão somente:
Seguir pelo teu corpo,
Como se fosses mar...
Devorar as tuas ondas, fazer-te suar...
Comer-te vigorosamente e
Saborear o teu sal...

Quero passar as minhas mãos frias
Pelo teu pescoço e costas quentes.
As minhas mãos vazias,
Desejo enchê-las com o teu corpo... Sentes?...

Quero arrepiar-te essa pele suave
E fazer-te excitar...
Beijtar-te todo num momento
E num instante deixar-te a desejar...

Agora que já provei esses lábios,
Agora que já conheço o vosso sabor,
Quero descobrir melhor a tua pele -
Que não conheço o cheiro nem cor...
Deslizando os meus lábios por ti,
Num misto de intensidade e calor.
...

Desejo lamber-te, arrepiado de prazer
...

E ouvir-te respirar - arfando - cheio de querer...
Sentindo o que sinto, numa vontade imensa
De te comer.

2010

Envolvência

O nosso tempo acabou por hoje
Mas os nossos desejos continuarão,
A acção termina agora, vais pra longe,
Leva o teu coração...
Continua, não olhes para trás,
Sintas o que sentires, vai,
Está na hora de partires...

Deixo-te sem vontade de te largar,
Mas tenho que ser assim, frio,
Para não te convencer a ficar...
Tenho que ser um pouco distante
Para não te conquistar o vazio...

O nosso pecado secreto é maravilhoso
É subtil e desejoso... Dá-me mais de ti...
Dá-me o que queres dar,
Não te prives de ter o que em ti é querer...
Dá-me ar, dá-me ar!
Dá-me mais deste pecado que me mata de prazer...
Faz-me arfar... de tanto te amar...

Sua em cima de mim, geme por mim,
E faz-me este homem completo que vez aqui...
Continua assim... aqui, por mim, por ti...
Conta-me como te sentes, eu gosto de ouvir-te,
Toca-me e envolve-me, eu gosto de sentir-te...
Fala-me de ti, dos teus receios,
Dos teus sonhos, quero saber definir-te...

Mas não me ames com a mente,
Ama-me com o corpo e emoção;
Quem mais se nega mais mente,
E eu não te quero a amar-me com o coração...
Mas posso ser a tua maior paixão...
E deixemos o amor para outra dimensão...
Devora-me com paixão..., só com paixão.


Mateus Marques, 2010

Tentação . . .

Tu. Sim, tu.
Tentação que me tentas
E tentas consumir-me...
Consomes-me nos pensamentos
Nos sonhos, nos movimentos,
Nos segredos meus, teus...
Em todos os momentos
Consomes-me a alma e o corpo
Comes-me a pele, ossos,
Os olhos, o cabelo
A minha imagem de
Alto a baixo
Parando no meio e reinventando
Pelo meu corpo abaixo soando, tu tentação,
Paixão que comes e não entornas,
Tu, que somes e somas
Mais desejos e fomes...
E consomes-me com a tua ausência,
Tendência para a cobiça,
Egoísmo de não querer partilhar
Nem querer deixar.
Partes-me em mil bocados e
Provas, comes, deixas sobras, para ti
Quando voltares.
Deixa-me tentação mas nunca me deixes...
Quero-te mas odeio-te
Deixo-te mas tenho-te.
Desejo-te mas repeli-te...
Tenho-te mas fujo-te...
Volto e como-te tentação,
E deixo-te devorares-me com paixão,
Como um osso se deixar devorar por um cão.
Vai, mas volta,
Vai-te, mas vem-te,
Sai, mas entra-me.

Amélia Rosa, 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Hoje mais do que nunca

Hoje quis-te;
Desejei-te.
E mais uma vez fiquei-me,
Retive-me,
Contive-me,
Olhei-te.
Não te beijei
Nos sítios que quero;
Não te abracei
Da forma que me deu vontade...
Não te tive, mas quis-te...
E hoje...,
Hoje quis-te muito.

OFÉLIA CASTRO, 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A junção perfeita

Desculpem-me aqueles que não o sentem, mas eu fico louca quando ouço uma boa junção de rock/metal com rap, porque eu gosto mesmo muito de metal e rap... Há quem diga que são opostos, até podem ser, mas eu vejo semelhanças, vejo a mesma revolta em algumas letras- Eu amo os dois estilos.
Esta junção deste artista - BOSS AC - está fabulosa, ainda para mais porque em algumas partes da música (incluindo o início), de fundo, ouvimos um instrumento lindo a soar.
Está uma batida comum, básica, mas simples e a meu ver, boa.
Apreciem os que apreciarem:





Farto De...
Boss AC

Farto de ser artista, fodasse
Farto destas merdas
Farto deles todos
Farto destes cabrões
Farto do Bush
Farto de guerra
Cambada de filhos da puta

Farto de ser culpado sem ter culpa de nada
Ser rejeitado, farto de conversa fiada
Farto deste sistema de merda que nos engole
Farto destes políticos a coçar colhões ao sol
Farto de promessas da treta
Sobem ao poder metem as promessas na gaveta
Farto de ver o país parado como uma lesma
Ver as moscas mudarem e a merda ser a mesma
Farto de os ver saltar quando os barcos naufragam
Quanto mais tiverem melhor, menos impostos pagam
Farto de rir quando me apetece chorar
Farto de comer calado e calado ficar
Farto das notícias na televisão
Farto de guerras, conflitos, fome e destruição
Farto de injustiças, tanta desigualdade
Cegos são os que fingem que não vêem a verdade
E eu tou farto caralho

Injustiça, Guerra, Racismo, Fome, Desemprego, Pobreza
E eu tou farto
Mentiras, Traição, Inveja, Cinismo, Maldade, Tristeza
E eu tou farto
Injustiça, Guerra, Racismo, Fome, Desemprego, Pobreza
E eu tou farto
Mentiras, Traição, Inveja, Cinismo, Maldade, Tristeza
Já chega.

Farto de miséria, o povo na pobreza
Uns deitam a comida fora, outros não a tem á mesa
Farto de rótulos, estigmas e preconceitos
Abrir os olhos e ver não temos os mesmos direitos
Farto de mentiras, farto de tentar acreditar
Farto de esperar sem ver nada a melhorar
Farto de ser a carta fora do baralho
Farto destes cabrões neste sistema do caralho

(Refrão)

Ver roubar o que é nosso, impávido e sereno
Ser acusado de coisas que eu próprio condeno
Farto de ser político quando só quero ser MC
Não te iludas ninguém quer saber de ti
Todos falam da crise mas nem todos a sentem
Muitos com razão, mas muitos deles apenas mentem
Crimes camuflados durante anos a fio
'Tavam lá todos eles mas ninguém viu
Não foi ninguém, ninguém fez nada,
E se por acaso perguntarem ninguém diz nada
Farto de ver intocáveis saírem impunes
Dizem que a justiça é para todos mas muitos são imunes
Dois pesos, duas medidas
Fazem o que fazem, seguem com as suas vidas
Para o povo não há facilidades
E os verdadeiros criminosos do lado errado das grades

(Refrão)

Farto destes filhos da puta,
Farto de cínicos
Farto de guerra
Governos de merda.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ir.

Leva-me.
Trespassa-me.
Toma-me.
Faz-me acreditar...
Convence-me de que estou viva...
Para eu parar de acordar...
Dá-me a vitalidade da transcendência,
A aventura da tua vivência...
Toca-me.
Embebeda-me de prazer.
Traz-me essa magia,
Esse teu preencher...
A tua euforia,
O teu eterno Ser...
Que eu quero ser.
A normalidade que já não me enche
É a que eu já não quero ter.
Vem buscar-me.
Apanhar-me.
Ir contigo não é morrer.

Ofélia Castro

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os textos...

Não preciso somente nem demais das minhas experiências para escrever. Quase que só é necessário a minha imaginação... Não fosse ela produto também do que vivo e vejo...!
Não temos que escrever necessariamente o que nos acontece, nem quero isso. Eu escrevo o que me escreve a mente, repleta de surrealidades que umas vezes traduzo, outras nem as filtro, vão assim para o papel, numa sopa de letras lindíssima, a meu gosto - claro.
Quem escreve não tem que justificar-se do que quer que seja... mas eu até gosto, em algumas vezes. Eu gosto do leitor das minhas palavras... Eu amo o leitor. É o que dá vida às minhas palavras. São vós. Vós que lêem isto, sim. Não eu, que só escrevo... eu, por mim só não crio nada... São vocês que avivam as histórias, textos, frases..., vocês, gente que sente as palavras aqui plantadas, com amor.
É também pelo possível leitor que escrevo e não apenas por amar escrever. Que já é muito, sim.
O leitor pode ser 1 ou 300. Nada muda. Se um lê, um sentiu. E um sentimento não é menos que 1.000, só é 1 de 1.000.

Senti necessidade de criar uns pseudónimos... Parecem-me pseudónimos... espero não estar em erro. De qualquer maneira, espero que sejam do agrado daqueles que me dão vida às palavras plantadas.

Acho que não tenho muito mais a dizer... a não ser que o que escrevo, não tem que ser aquilo que vivo... como por exemplo eventuais textos que falem em possíveis traições. São o produto artístico que é belo por ser imaginado, independentemente de ter sido ou não vivido. São palavras criadas por sentimentos sentidos de verdade, mas em possíveis fingidas histórias. Compreendem...? A irrealidade - por vezes - é mais saborosa que a própria realidade.

Um abraço, Diana E.

Amêndoa Amarga

Cansei-me de esperar por ti.
Bebi, bebi, bebi...
E não chegaste.
Deixaste que aparecesse
A desilusão e embriaguez,
Em vez de ti...
Mais uma vez.

Não me tragas mais desculpas.
Não...! Não venhas.
Cansei-me de desesperar.
Vai à merda que te quis
E que quiseste
Em vez de mim!
Que mal te fiz?
Como ficaste assim?!

Pouso o último copo,
Vazio,
E cago para ti...
Se ao menos trouxesses
De novo
O velho que houve em ti!
Levanto-me da cadeira,
Porra...
O corpo pesa-me...
Não tanto como tu
Me pesas no peito.
Merda...
Merda!
Sai daqui, sai de mim!
Deixa-me!...
Vai-te...
Vai-te!

Amélia Rosa (2008/09)

Compatibilidade de sentir

Tens perguntado por mim,
A ti,
Como eu o faço a mim,
Por ti?
Tens pensado em mim,
Tão inapropriadamente
Como eu tenho feito
Sobre ti?
Que faço aqui,
Neste jogo de imaginação?...
Não deveria estar neste lugar!...
Aqui é um local proibido
Este lugar onde te penso...
Ainda bem que não se lêem pensamentos.
Ainda bem que ninguém sabe
Os meus sentimentos...
Ainda bem que ninguém sonha
Que eu sonho contigo,
Ainda bem que ninguém sabe
Que eu te procuro
No silêncio que a noite me traz;
Este delicioso escuro
Que te traz a mim,
A tua presença imaginária,
Na minha vontade primária e
Ordinária
De um ser como eu... digamos...
De Consciência íntima imparável...
De vulnerabilidade emocional elevada...
De sensibilidade sensitiva apurada...
Mas...
De que me vale procurar-te?!, se
Ao acaso de te encontrar
E tu me fitares,
Não poderia eu tocar-te...?
Mesmo que seja mutua a vontade...
A velha culpa abate-me e eu
Prefiro prevenir que não me perdoar.
Mas... Já agora, TU...
Tens pensado em mim?!...
Também me ouves no teu silêncio?
Como eu te ouço... no meu?...
Também me queres?
Diz-me!
Também me sentes...?
Também me sonhas?...
Sonhas-me, mesmo eu
Não te podendo tocar?
Porque não posso.
Não devo...

Ofélia Castro

domingo, 27 de dezembro de 2009

«Tens escrito?»

«Tens escrito?»
Perguntam-me.
E aproveito esta deixa
Para mais um poema...
«Quando o tempo me permite.»
Quando ele me deixa,
eu escrevo.
E quando não deixa?
Eu forço.
Forças a escrita?
Não.
Forço o tempo.
A escrita é sempre
Fluída...
Nada espessa...
Nada forçada...
Nada, nada..., flutua.
Tomara eu ter o tempo
Amplo e fluído
Como a minha escrita,
Que tem mais quantidade
Que o meu tempo.

Ambígua esta última frase, hein?
Ás vezes a ausência do tempo
Dá-me tanta raiva que
Lhe desobedeço e estico-o
À minha maneira.
As palavras não se esticam...
Não se engordam.
Não se forçam.
É feio.
Alimentam-se, sim.
Crescem.
Voam.
Escrevem-se.

Diana Estêvão



Caros leitores: vou fazer uma coisa inédita, que aos olhos de muitos, será uma traição ao meu poema... Como sei que há gente que não grama muito poemas... vou transcrever o meu poema para texto, com leve alteração de pontuação, se necessário...
Aqui vai!

«Tens escrito?» - Perguntam-me. E aproveito esta deixa para mais um poema...
«Quando o tempo me permite.»; Quando ele me deixa, eu escrevo.
E quando não deixa?
Eu forço.
Forças a escrita?
Não. Forço o tempo. A escrita é sempre fluída... Nada espessa..., nada forçada... Nada, nada..., flutua.
Tomara eu ter o tempo amplo e fluído como a minha escrita, que tem mais quantidade que o meu tempo.
Ambígua esta última frase, hein?
Ás vezes a ausência do tempo dá-me tanta raiva que lhe desobedeço e estico-o à minha maneira.
As palavras não se esticam... Não se engordam. Não se forçam. É feio.
Alimentam-se, sim. Crescem. Voam. Escrevem-se.

Diana E.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entrega à destruição; desistir

Afundo-me na banheira.

A pele descoberta denota as suas rugas.
Esta pele enrugada
Pela vontade de me afundar.
Permanentemente.

Pela minha cara
Escorrem verticalmente
Duas águas distintas.
A da banheira
E a da minha entranha.

Permaneço-me na cova branca
Embebida em líquido transparente.
E julgo-me a entrar
Na caixa de madeira
Que a terra engole lentamente.

Comer já não me alimenta.
Vou degustando palavras,
As minhas. Essas que são
Minhas filhas.

Afundo-me na banheira.

Converso versos e frases
Comigo, que já não me gosto.
Afundo-me na banheira.

Alimentar-me de palavras
Não me permite continuar...
Sinto-me afundar.
Será que quero continuar?

O líquido cobre a face
Por completo
E não me deixa respirar.
Ou sou eu que não quero voltar?

Deixo-me afundar.

As palavras, leva-mas a água.
O vento, já não me leva nada
Nem me trás o que quer que seja.
Deixo-me acobardar.

Corajosamente
Aguento a dor e insisto em ficar.
Adormeço.
Neste sono tão característico.
Deixei de sentir qualquer dor...

Não me voltem a acordar.


Ofélia Castro, Nov. 2009

Repulsar o Desejo

Desenlaças-me a vontade protegida;
A que não demonstrei,
A que guardei
Cuidadosamente escondida.

Ao olhar-te, os teus olhos
Devoram o meu corpo vestido,
Despem-me a alma toda
E descobrem-me o segredo apetecido.

Escondi-me de ti
E o meu corpo não te viu.
Fugi do que senti
Mas o que senti
Dificilmente se encobriu…

As tuas mãos que não me tocam,
Sinto-as a devagar…?
Não são as tuas? São as minhas…
A imaginação insiste em enganar…!

De novo frente ao teu cheiro
Lanço-me e provo-te o sabor,
Trinco-te a alma cheia
E devoro em ti qualquer dor!

Não adianta fugir para o certo
Se o errado não existe.
O desejo ao estar perto
Embebeda o corpo que resiste.

Ofélia Castro

sábado, 24 de outubro de 2009

Compromisso com a fidelidade

Há frases que não podem ser ditas
Nem mesmo quando a noite tudo esconde e
O nosso olhar é nu e o nosso coração quer
E o nosso corpo se calhar já pensou.
Há sentimentos que queremos ignorar
Por nos comprometerem com a traição
Ou por nos darem uma falta de ar
Que nos faz arfar de desejo...
Não poderemos no entanto
Jamais negar, que o pensamento
Aos poucos se desmancha em palavras
E que o que um dia foram olhares,
Amanhã serão as nossas mãos deles escravas.

Ofélia Castro

Adiamento Crónico

Fica para outra altura.
Dizemos com um ar despreocupado...
Fica para outra altura,
Para quando a vontade não tiver lugar ocupado.
Fica para outra altura,
O que há a fazer sempre dura.
Dura?
Dura…
Por isso fica para outra altura.

O tempo cooooooooooooorrrrrrrrrreeeee...
E corre tão rápido, que
Chega a altura
E não houve tempo
Para que na dada altura
Já haja tempo de tratar da
Dura tarefa que dura e dura…
Mas que só dura e é dura
Porque se adia continuamente a altura...

Perdura…
O quê?
A brandura.
Porque a tarefa faz a altura
E não o inverso.
Quando já houver vontade
De fazer o que ainda dura,
O que perdurou, afinal
Já não dura!
Ai que maçadura…!
Agora passou a altura!
Passou?
Não…
Só não quis ser dura,
E dizer-te que sozinho,
O tempo, apenas, não cura…

Diana Estêvão 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vou contar-te uma História Abstracta

Francamente,
É certo ter calma e
Aprender a esperar
Pela razão polida
Pela experiência de amar.

Certamente,
É franca a forma como te sinto,
E “perdidamente”,
É palavra que utilizo
E com que não te minto
Quando exclamo que te amo,
Neste meu labirinto.

Completamente
Ciente da realidade envolvente,
Sigo cada vez menos preocupada
Com a história que vem à nossa frente.
É simples e agradável apenas pensar,
No barco que agora navega
Neste alto mar.
E não no porto desconhecido
Nem na chegada futura do barco perdido,
Navegado
Sem sentido
E ultrapassado…
Pelo ansioso passado…
Que não leva senão
À ausência de significado…

À que aniquilar pensamentos que roubam
Probabilidades de acontecer
O nunca esperado viver.

À que matar o ladrão de expectativas,
À que deixar de alimentar
As ideias imperativas,
Movidas pelo ciúme que corrói
A alma, o espírito, o ser,
Este nosso bem maior,
Que às vezes dói
E nunca deveria doer…
Porque não mata, mas mói
Às vezes até apodrecer…

Suspiro, respiro,
fundo, bem profundo…
Até acalmar a revolta
Deste meu mundo.
E disfarçar a cicatriz
Que ficou na minha escolta,
Provoca pela Mágoa Imperatriz
Que tocou no meu íntimo e
Mexeu os sentimentos à minha volta…

Não te troco por estas lembranças,
Sim, quero tê-las em conta,
Mas longe das nossas esperanças.

Tudo perde o sentido se não há confiança
Apesar de por vezes não ser isso
E tudo estar escondido atrás da insegurança,
E se tratar apenas
De relembrar o amargo,
De ter medo de voltar
A trincar o mau bocado…

Desculpa se alguma vez
Fui inconveniente,
Desculpa se desconfiei de ti
E de algo tão evidente
Como o teu sentimento
Sincero pela minha pessoa,
Se te fiz ficar triste
Com algo que até te doa…
…Pensar que eu pensei
Assim à toa…

Moscatel,
Stress,
Solúvel,
Carpex,
Literatura de cordel,
Tudo na sopa de mel
Dos nossos momentos,
Tudo junto na prova
Que prova os nossos sentimentos,
Nesta trova sem pele,
Nua de ressentimentos,
Apenas vestida de um sentimento:
Eu por ti,
Tu por mim, um pelo outro,
E percebo por fim,
A força deste sopro
Que te sai nos actos
E não na voz…!
É incrível,
Mas é o som do que sentes
Reflectido apenas a sós.

Já te disse como estou feliz?
Sim, foi forte, inesperado,
Como um triz.
Como o sonho iludido
Que nunca foi alcançado.
Estou feliz, sim,
Desta forma tão estranha a mim.
Mas nada foi desajustado,
Aconteceu… assim…
Que mesmo assim, há muito era esperado.

Diana Estêvão 17 de Setembro de 2007

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mente, mais que o corpo...

Para quem partilha comigo esta desmultiplicação,
Desabafo-vos em segredo, num segredo partilhado
Que a vontade de criar me morde, me fere
Por tanto querer e tão pouco conseguir acabar...

O tempo não é o que somos
E o que somos jamais teremos tempo de mostrar;
A minha criação interior não pára!
E eu digo-me para parar
Porque eu não tenho tempo de nos mostrar...

Mata-me o sonho de sonhar!
Dói-me a vontade de querer e não poder!
Trespassam-me ideias que não agarro
Pelo tempo que não me resta para as aplicar
E elas passam e deixam ferida em vez de ficar!

Dêem-me tempo! Dêem-me vida! Dêem-me amor!
Que continuarei a criar.
O meu Ser é mais do que a minha carne
E acabo por não me suportar!
Acabo-me em ranço, porque pequei por perdurar!...

Olho para o Sol com os olhos atrás das pálpebras,
A pele sente-se a aquecer,
O vento engana-a e fico ali para o ver boiar no mar,
É aí que arranjo mais saúde mental para mais ideias
E é nos comboios, nas músicas, nos autocarros que projecto
O que a minha mente sã me dá!
Mas...
Para quê?
Não consigo criar... só faço imaginar.
Levarei para o meu caixão as minhas obras
Conceptuais imaginárias...
E apodrecerão com as minhas entranhas.
Venham buscar-mas...! As ideias, claro!
Para definir-me, eu, de uma vez e não levar os meus comigo...
E achar-me no meio da perda.
Depois partirei em paz,
Porque sozinha não serei capaz.

Eu

A minha foto
Planeta Terra, Portugal
Desfrutem-se...

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