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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013


Foi difícil fechar a página do ecrã.

A inspiração surgiu enquanto falávamos.


O passado deixa marcas e as marcas trazem sensações.


Quis fechar a porta para falar mais à vontade.
Levantei-me e percebi que a porta já estava fechada.
Percebi que me apanhei a sentir essa necessidade...
Nada tinha a esconder no que escrevi.
Só no que pensei.
Mas o que pensei já se encontra num local à porta fechada.

Lembrei-me da nossa convivencia.
Assolaram-me visoes passadas...
...as tuas cartas, as nossas mensagens,
O sótão da nossa colega,
A nossa inocência,
A relação que nunca tivemos.
Talvez por vergonha minha.


Volto a olhar para a porta,
Como se alguém pudesse através dela
Ver-me contar esta história perdida no tempo...
E imaginar mais, do que aquilo que eu estou a sentir.

Escrevo porque gosto de sonhar acordada.
Porque sou a eterna apaixonada pelo sentir.
Escrevo porque não gosto de perder a oportunidade
De brotar palavras inusitadas - minhas.
Porque preciso viver aqui dentro
Na minha imaginação...
É como se uma falta de ar me sufocasse.
Quando não respiro deste ar.


Sofia Abreu

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Caixinha de música

Não guardo rancor.
É uma aptidão que nunca consegui adquirir.
Mas faço luto; por sinal, mais silencioso que o que eu sabia.
Em vez de rancor ou dor, eu tenho a especial estranheza de alimentar sonhos...
Sonhos que me mostram que se mostrará o que não seria esperado. Mas isso não é minha culpa. É culpa de quem joga os dados depois de dar o número como adquirido.
O que se perde, por isso, é invisível. Pois não é previsível.
O que se ganha em jogar com o que se tem, é sempre o mais plausível...
Ouvidos que não ouvem, coração que não sente... E perde-se algo sem se saber o que poderia ser ganho neste jogo de emoções e música...
A bailarina roda em torno do seu eixo na sua caixinha de música... Sabemos que ela nunca sairá de lá a bailar para fora do seu eixo...
Porque achamos que não é capaz... é feita de massa inanimada. Não é capaz.
Nós só aceitamos o que vemos e o que acreditamos ser possível.

O que não se vê também existe e é possível. Nem todos são capazes de fazer acontecer.
E o mais fácil é ficar com o razoável...  Que é agradável... Mas não é fascinante.  Isso, em vez da indefinida estranheza, mascarada de roupagem frágil e desgrenhada...

Estas histórias de caixinhas só me darão a motivação que estava em falta.
As coisas não podem continuar a ser definidas pela insegurança.

De qualquer forma... Embora me identifique com a música que ela toca... Eu não me identifico com a figura que baila nem com a caixa...

EU.


sábado, 24 de agosto de 2013

Nós.

Por milhões ou outra classe de unidade duplicadamente maior de galáxias... Obviamente não somos únicos. Ou melhor..., únicos seremos, sempre. Cada (grupo de) Ser vivo, uma individualidade. Mas não seremos os únicos a existir. Não seremos os únicos a achar-nos fantásticos e unicamente inteligentes...
 Também não nos poderemos esquecer que a vida começou numa bactéria e pessoalmente, não me acho superior, a não ser intelectualmente, às bactérias... Porque, tudo o que somos, já foram bactérias. A Terra já foi só bactérias e nós ansiamos saber se Marte já foi bactérias e se há bactérias num planeta "perto"... Porque bactérias é vida. Aquelas que nos enojam. São na verdade o começo.
 Obviamente não estamos sós... Se há galáxias semelhantes e iguais à nossa. Que têm Sol como nós. Um sistema. Mas estamos muito longe da próxima galáxia. Nós nunca nos tocaremos. Só sonharemos uns com os outros sem sabermos como somos... separados por quadrilhões anos luz (ou outro número igualmente assustador) porque eu não acredito que o Universo seja apenas os 78 bilhões de anos-luz que nós conseguimos desvendar... só porque nós só alcançamos isso na nossa "visão" do que é observável.
Isto a que chamámos Planeta, que damos por nome "Terra", esta massa nasce (como todas as outras massas orgânicas) com um prazo de validade. E esse prazo de validade não permitirá nunca que um Ser pensante (no nosso caso, nós Terráqueos) consiga desenvolver tecnologia para atravessar galáxias...
Podemos ainda em 3.013 andar já a passear pela nossa galáxia... (não toda!), e não achem isso menos entusiasmante...!, mas conhecer outra galáxia, nunca iremos ter tempo. A Terra não nos dará esse tempo. E dizem que sem Sol não há vida, e dizem que na nossa galáxia só nós temos o Sol "apontado" a nós... Dizem que os outros estão demasiado longe para conseguir a luz celestial do nosso Sol (dentro desta galáxia). Também dizem que sem água não há vida... e que nos outros planetas não há água... como tal, depreende-se que queiram dizer que não haja vida... (Todos os Seres necessitarão de água?)
Ou ela (Terra), ou nós ou todos juntos nos extinguiremos antes de criar tecnologia tal que nos transporte galáxia fora...
Nós fomos e somos bons a construir e evoluir. Mas a construção traz destruição. Que antítese...!
 Nós destruímos a nossa camada protectora para evoluir, destruímos árvores e oxigénio para construir, destruímos a terra para nos construirmos e evoluirmos... Será que não destruiremos primeiro a nossa casa antes de conseguirmos construir uma tecnologia de deslocação para achar outra casa? Claro que sim. Vamos todos morrer, sem tocar no nosso semelhante externo ao nosso sistema.
Não teremos tempo de construir a melhor máquina...

Não estamos sós.
Mas nunca nos tocaremos.
Nunca saberemos como eles são.
Acredito que pensemos uns nos outros sem sabermos com certeza que o fazemos.
No universo cheio de galáxias, há mais de nós e há mais vida que nós sem ser necessariamente igual a nós... Mas nunca ouviremos, tocaremos, veremos a sua massa orgânica.
Simplesmente, outros antes de nós já tentaram... ou acreditam que somos os primeiros?
 O Universo tem espaço e tempo para muitas histórias... Mas o Humano é uma raça gira..., que se acha pioneira! Somos tanto e tão pouco, como grãos de massa no Universo. Iguais aos planetas que sabemos existir.

Diana Marques Estêvão

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Tudo o que é sincero é legítimo.

Tudo o que é sincero é legítimo.
Tudo o que nasce do verdadeiro desejo de querer,
Não deve ser condenável,
Mas pode ser ignorado pelo autor.
Pode ser esquecido...
Deve ser olhado de fora, com racionalidade.


A tua expressão denota timidez
Que provém do teu coração
E não da tua personalidade.
E isso quer dizer algo...
Algo que os teus olhos não conseguem
(E Será que querem...?) Esconder.
Por detrás de quem és
E do que és para mim,
Revelas na tua expressão firme,
Uma brecha de mistério...
Que revela algo...
Algo mais que aquilo que desejas
Ser para mim.
É qualquer coisa que queres segurar,
Mas que a química não segura,
Porque o sentir não sabe mentir.
E quando a sós passas por mim,
Mais perto passas da ideia que negas para ti.

Mateus Marques

quarta-feira, 7 de agosto de 2013


Despertas o que de mais jovem há em mim.
Toda eu sou flores quando me falas
E receio de ser demasiado velha para ti.
(Eu perco todas as firmezas que me fazem a alma.
Quando te encontro... Sou feita de cetim.)
Enrosco-me em pensamentos de mãos dadas
E conversas que nunca existiram.
Pergunto-me o que me falta para eu conseguir ser
O ser que poderias amar...
Pergunto-me onde falhei. O que poderia ter feito
Ou deixado de fazer.
Pergunto-me onde errei.
Eu não queria errar...
Todos erramos, todos sonhamos.
Já todos falhámos.
E eu pergunto-me o que poderia ter feito
Para que me amasses.
O que teria conseguido se tivesse seduzido
A tua alma, isto se ao menos,
Eu tivesse alguma vez conseguido
Ser capaz de tentar.
Também me pergunto se serias capaz
De ser seduzido, se te seduzisse.
Se é de sedução que a tua emoção se faz.
Se é por uma mulher que o teu coração se desfaz...
Estas irritantes questões todas, na minha cabeça,
Desfazem o meu Ego e sofro em silêncio por algo
Que já deveria estar morto. Esquecido.
E não apenas adormecido.
À espera de um estímulo e estúpido sinal...
Neste nevoeiro de momentos vagos e intensos
Que são a vida.
Faço uma inspiração longa e uma expiração
Mais longa ainda.
Demoro a recompor-me.
Porque eu nunca aceitei...!
Eu nunca aceitei
O facto de existires
(desde que me apaixonei por ti)
Tão longe de mim...
Tão longe do que sinto,
Quando sinto que somos tão semelhantes,
E que poderíamos ser tanto!,
Quando eu sei
Que ainda te amo.

Ofélia Castro



Delete sem empenho nem mágoa ou desprezo

De ti já só tenho a tua sombra.
E foi assim só com isso que quis ficar,
Por mim, pode o Sol também levá-la,
Porque se algum dia te quiser procurar
Não te verei em parte alguma
Dos meus registos actuais.
A lembrança é coisa curta
E os teus traços, chegam-me
Distorcidos... irreais.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Paixão

Um poeta é um eterno apaixonado pelas extremas emoções.
Mesmo que não seja oportuno vivê-las num momento,
Escreve-as como se inventasse uma história com personagens que
Finge que inventa...
Mas são sempre, um pouco e um todo, dele mesmo.
Sonha acordado.
Sente.
Emociona-se.
Sente a necessidade de escrever.
Às vezes é mais forte que sentir vontade de comer.
São horas a escrever sem sentir sono, fome ou falta de qualquer outra coisa.
As palavras são-lhe uma injecção de heroína, adrenalina, paixão constante...
Às vezes semelhante à excitação sexual no seu ponto mais elevado de batimentos cardíacos...
Mas é mais que isso... é mais que carnal.
Ouve as frases que escreve e por vezes, a música é imaginada a acompanhar...
Para os poetas, escrever alimenta as horas de ausência de verdadeira aventura.
É como se o pensamento fosse a verdadeira vida e torna-se do tamanho do Universo...
E afinal a vida real já não vive mais naquele momento... a não ser para impulsionar o sangue
Nas veias que salientes enviam células vitais ao cérebro que está numa actividade "fervilhosa"!
Se pintassem o pensamento seria o melhor movimento artístico jamais visto...
Quando escrevemos, vemos coisas que os não poetas são serão nunca capaz de saber que existem.
Um poema nunca fará justiça ao que está dentro de uma mente.
Um livro nunca terá toda a intensidade que o escritor sentiu...
Um filme nunca será suficientemente figurativo do que verdadeiramente se vê naqueles minutos e horas e dias de exaustão de hormónio no teu corpo...
E se te interrompem este momento, há uma frustração tal, que então passa tudo a ser tão carnal...!
Como um orgasmo que estava a começar e pára subitamente.
A raiva não te deixa continuar... a quebra não te deixa de novo excitar...
É frustrante querer escrever e não acontecer. Não sai, não bruta, não escorre...
Sentes-te hemofílico e esvais-te em impotência de dom...
Ninguém saberá sinceramente do que falo, se não for poeta.

22.05.13
Diana

Eu

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Planeta Terra, Portugal
Desfrutem-se...

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