Num movimento horizontal e plano...
Avassaladoramente.
A sala fica escura e amplo o silêncio...
Não se ouve aplausos.
Não há murmúrios.
Não há sorrisos.
Nem o silêncio se escuta.
. . .
A sala é toda presenças ausentes,
De seres não seres.
Os cadeirões vermelho sangue
esperam o calor humano que só o sangue permite.
Mas não há vida naquela sala...
O pano está fechado e não há palavras.
. . .
Na ausência de matéria
Escuta-se uma voz profunda que canta...,
Como se outra peça maior continuasse
Enquanto esta se acaba.
Outra voz se ouve... Indignada!
Enfurecida!
Esta última,
Inaudível para nós...
QUEM FECHOU O PANO?
Quem mandou fechar o pano?!
EU NÃO QUERO VER O PANO!
Quero continuar a ver esta peça!...
Por favor..., deixem-me ver o palco,
Abram as cortinas, TODAS!
Eu quero continuar neste salão!...
Eu quero...!
Que me fechou as cortinas...?
Diante do meu olhar atento!... Quem...?
Quem mandou tapar o que eu estava a gostar de ver...
Quem me manda embora, agora...?
É cedo, quero continuar aqui.
Quero ver a peça até ao fim!
A peça não pode acabar tão cedo!
Não pode acabar assim!
Alguém me ouve? ABRAM A CORTINA!
EU ESTOU AQUI!
AQUI!
. . .
Mas ele não sabe que
Para ele é o fim.
Como se explica que é o fim,
A quem não quer o fim?
Tudo tem um fim,
Todos temos um fim.
Diana Estêvão (2008)
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Se desejar, leia o poema com este som, até terminar a leitura:
http://www.youtube.com/watch?v=egweJhjt2So&feature=related
(O poema poderá ser adaptado para teatro, num monólogo ou com um actor activo e outro actor narrativo, com acompanhamento de música de fundo que se impõem, conforme o drama da personagem)
Poesia abstracta de uma mente perturbadamente saudável
