Foste em tempos, tenros,
A alma mais absoluta
Que eu julgava existir para mim…
Eras, do nascer ao pôr do Sol,
O rosto que eu vivia,
No horizonte jovem dos meus olhos.
Não acreditaste na certeza que senti
Quando senti o que senti
Ao sentir-te no meu olhar…
Ao tocar-te pura, trémula e original.
Escrevi-te como se fosses
O último homem na terra…
E como se eu, fosse a única poeta
Que melhor declamava o meu amar…
Mas tu!..., eras na altura,
De facto, o único rapaz
Daquele meu terreno lunar…
E fizeste-me sentir a melhor e única
Poeta… daquele terreno à beira-mar…
Todas as horas foram lutas,
Travadas para te conquistar.
À espera que existisse um fim,
Um final feliz, em que,
Por destreza minha te fizesse,
Finalmente!,… Amar-me.
Várias flores nasceram aos meus pés…
Belas e apaixonadas, sem eu as plantar…
Seguiram-me num desenho fiel…
Mas que nunca me conseguiu apaixonar…
Porque a flor que sempre tentei cultivar,
Nunca a consegui ver nascer nem desabrochar.
Por isso nunca me fez feliz um jardim repleto,
Se a única flor que plantei não nasceu…
Deixando o meu jardim incompleto…
E incompleto o desejo de amar…
…
Insisti em nós, incansavelmente,
Acreditando que poderias vir
A sentir-me como te sentia a ti.
Perdi a noção das cartas e palavras…
Perdi o meu tempo em troca de
Não correspondência.
Chagas no peito, horas amargas…
Quando desisti de te conquistar…
Não te ganhei nenhum sentimento mau,
Perdoei-te por não ser correspondida…
Ficou só o meu desgosto por ti, rapaz…
Nunca tive coragem para jogar contigo...
Nunca consegui usar os meus trunfos
De mulher jovem…
Pequei por não ter sido mais habilidosa…
Mas sou mais envergonhada do que me julgaste.
Mais tímida que…
A desavergonhada que em mim desenhaste…
Se fosse hoje, talvez mais que na altura,
Eu mais hoje tentasse…
Mas não deveremos falar assim do passado…
Só sabe quem já sentiu…
O que é amar e não ser correspondido…
Amar-te e querer-te…
E tu de coração já preenchido…
Acho que nunca mais nos iremos cruzar…
Não daquela forma.
Mas por mais que eu te tenha esquecido…
Ao passar por ti e na tua presença…
Ainda tremo…
O teu rosto ainda me toca com o olhar…
A tua presença ainda me preenche…
A tua existência junto de mim
Ainda me faz suspirar…
Ainda despertas a minha adrenalina…
Eu gostava de ter-te num momento a sós…
Porque hoje somos homem e mulher…
Já não somos menino e menina.
Gostava de conversar…
Olhar…, rir…, observar… sorrir…
Tocar-te na mão, com delicadeza…
Fazer-te um carinho no rosto,
Com leveza… Tudo muito calmo…
Porque parece que ao imaginar…
Volto a ser a mesma menina.
E o medo apodera-se…
Parece que volto a ter a mesma
Ingenuidade genuína…
Vou esperar por esse momento…
Espero não ter medo.
O meu pecado é ter medo.
O medo não deixa o Ser-humano viver…
Não o deixa sentir…
Leva-me a sentir.
Leva-me a querer.
Ofélia Castro
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
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