Saí do trabalho. É noite.
Olhei em frente. Para um lado. Para o outro...
Saí da entrada daquele prédio, belo...
Daquele sítio alto... que outrora, de perto, já viu o mar.
E sem rumo, mas com vontade...
Andei pelas ruas do Rossio...
Todos os dias me engano, todos os dias me traio
Por não usar o que me deram e que nem todos têm,
Por não me deixar apaixonar pelo que amo em segredo
E que sei que todos querem.
E assim, vivo cada dia... Enganada.
Enquanto desço a rua
Começo a cantar, porque o que amamos
Não podemos negar.
As pessoas fintam-se, olham-se...
Re-olham-se, tresolham-se...
E voltam a olhar.
Eu olho... sinto,
Deixo-me apaixonar...
Porque se posso olhar, vejo.
E se posso ver, reparo.
Como me ensinaram num livro.
Caminho; pé na diagonal do outro...
Postura firme, costas direitas...
Penso na próxima rua... E sinto receio.
Abrando. Acobardo, como sempre.
Ouço as vozes trocadas e musicas da rua...
Fecho os olhos.
Continuo de olhos fechados a caminhar...
E descendo a Garrett, recomeço a cantar.
A calçada é inconstante e torna a minha voz
Não tão boa, mas eu canto... para mim.
A vontade cresce e o peito do lado esquerdo
Sente um quente...
E num salto, começo a correr!
Corro pela Do Carmo abaixo...!
Já lá não está o carro verde que de dia nos dá fado.
Enquanto corro, penso de novo no que quero...
E tenho medo de fazê-lo...
Chego ao grande largo...
Atravesso-o num passo apressado...!
Quase que choro de emoção, pela musica que tenho no coração.
E que todos os dias sinto que traio por não a sentir...
Mas hoje vou senti-la e abraça-la..., aquela que amordaço
Entre as cordas vocais.
Corro!
Chego à De S. José...
E lá está ele.
Canta com vontade, não se trai. Abraça a sua paixão.
Todas as noite canta, acompanhado pela sua guitarra.
Deixei-o terminar.
Dirigi-me a ele... com medo.
Frente a frente, disse boa noite.
Perguntei se aceitava que cantasse com ele.
Fez-se rogado...
Disse-lhe que nada pretendia em troca a não ser o seu sim.
E que se ele recebesse dinheiro enquanto eu ali estivesse,
Ficaria contente por ajudá-lo assim...
Aproximei a minha voz do seu ouvido e cantei.
Para que visse que era capaz.
Perguntei-lhe se me deixava cantar Amália...
Ele escutou...
E os meus olhos devem ter feito algo, que ele viu, mas que eu não vi...
Porque ele disse que sim e deixou-me agarrar no seu microfone.
Falei-lhe de uma música que falava de Lisboa...
E começou a tocar na sua companheira...
(...)
Era tarde para amordaçar de novo a voz.
A cobardia lutava com a vontade.
E trémulas as minhas mãos, não pequenas, seguraram firmemente no que
projectaria a minha voz por aquela rua longa...
E cantei...
«Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.»
E nesta primeira estrofe,
As gentes de cá e de lá,
Ouviram o que o meu coração tinha a dizer
E que a minha razão quis esconder...
«Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.»
Emocionada sorrio a cantar
Com esta música tão triste.
Porque o fado tem um encanto
Que os que o amam sentem...
E uma felicidade que é escondida
Na sua tristeza tão bela.
A emoção da sua tristeza,
Transbordou pelos meus olhos
E os meus olhos fechados brilharam.
«Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.»
As gentes de cá e de lá
Reuniram-se à nossa volta
E as minhas cordas vocais vibraram,
A minha voz voou pela calçada portuguesa,
Como uma ave selvagem que é solta da gaiola.
As pessoas escutaram,
cantaram... Sentiram.
E a rua tornou-se pequena e quente.
E terminamos assim:
«Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.»
E calei a voz.
A guitarra continuou...
O meu coração, sem espaço para bater,
ouviu as palmas... E sem esconder,
Sorri com lágrimas.
Batemos palmas...
As mãos suadas e frias
Devolveram o microfone do Senhor.
Beijei o artista.
Agradeci.
Segui calada,
Com a minha voz de novo cerrada.
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Coração de corda
Ontem deixaste a tua marca nos meus lençóis,
E a tua presença ainda actua
Se eu fechar os olhos...
O teu cheiro é a marca que não quero perder,
A imagem gravada do teu olhar
Vai ser a chave que me vai prender.
Às vezes a lágrima sai...
Por ser eu tão feliz às escondidas.
Às vezes a verdade vai...
Por escondermos as nossas vidas...
Às vezes o pano cai.
A nossa mentira
É feita de palavras sentidas.
Se a nossa forma séria de sentir
Faz de mim uma mulher mais mentirosa,
De que vale adorar-te e oprimir?
Se és só sonho cor-de-rosa,
De que me vale amar-te se lhe vou mentir?
Quero fazer-te feliz e sentir que me sorris...
Não quero que te escondas
Cada vez que me sentires...
Não quero que sofras
Cada vez que te pedir para fingires!
Não quero perder-te,
Se um dia fugires.
Gostava de tornar-te realidade
No meu mundo verdadeiro
Gostava de sonhar-te acordada
Sem segredo nem medo...
Amar-te e ser amada.
Sem nenhum ou qualquer receio.
Dar-te a mão sem vergonha.
Abraçar-te e ser abraçada...
Sem ter de procurar um meio;
Deixar transparecer o meu desejo
E não amarrá-lo, como se fosse feio.
Gostava que o meu coração
Batesse por ti a toda a hora
E não apenas quando lhe dou ordem...
Meu coração de corda.
Ofélia Castro
2010
E a tua presença ainda actua
Se eu fechar os olhos...
O teu cheiro é a marca que não quero perder,
A imagem gravada do teu olhar
Vai ser a chave que me vai prender.
Às vezes a lágrima sai...
Por ser eu tão feliz às escondidas.
Às vezes a verdade vai...
Por escondermos as nossas vidas...
Às vezes o pano cai.
A nossa mentira
É feita de palavras sentidas.
Se a nossa forma séria de sentir
Faz de mim uma mulher mais mentirosa,
De que vale adorar-te e oprimir?
Se és só sonho cor-de-rosa,
De que me vale amar-te se lhe vou mentir?
Quero fazer-te feliz e sentir que me sorris...
Não quero que te escondas
Cada vez que me sentires...
Não quero que sofras
Cada vez que te pedir para fingires!
Não quero perder-te,
Se um dia fugires.
Gostava de tornar-te realidade
No meu mundo verdadeiro
Gostava de sonhar-te acordada
Sem segredo nem medo...
Amar-te e ser amada.
Sem nenhum ou qualquer receio.
Dar-te a mão sem vergonha.
Abraçar-te e ser abraçada...
Sem ter de procurar um meio;
Deixar transparecer o meu desejo
E não amarrá-lo, como se fosse feio.
Gostava que o meu coração
Batesse por ti a toda a hora
E não apenas quando lhe dou ordem...
Meu coração de corda.
Ofélia Castro
2010
Lágrima
Ela é salgada,
Já não lhe sabia o sabor...
Não por não as verter...
Mas por nenhuma roçar a minha boca.
É um sabor único,
Naquela temperatura tão própria.
É morna e salgada
Quando se entorna.
Cuidadosamente temperada,
A lágrima contém nela
Uma rica mistura de sentires...
Ela cai quando nos rimos,
Quando sentimos tristeza,
Angústia, revolta, raiva...
Quando sentimos emoção,
Comoção...
Ela cai e rola...
Deixando um pouco de si
Por onde passa...
Deixa de existir quando
Já deu tudo o que tinha
Da sua matéria, quando
Seca, por onde se espalha.
É tão rica em sentimentos que
Deixa alguns pelo caminho ao
Largar os olhos molhados e carregados.
E é dos fenómenos mais lindos e
Com finalidade desconhecida;
Ninguém consegue explicar
Porque é necessário na nossa vida...
Mas ocorre em todos os seres humanos...
A lágrima, é portadora de vida.
Diana Marques Estêvão
2010
Já não lhe sabia o sabor...
Não por não as verter...
Mas por nenhuma roçar a minha boca.
É um sabor único,
Naquela temperatura tão própria.
É morna e salgada
Quando se entorna.
Cuidadosamente temperada,
A lágrima contém nela
Uma rica mistura de sentires...
Ela cai quando nos rimos,
Quando sentimos tristeza,
Angústia, revolta, raiva...
Quando sentimos emoção,
Comoção...
Ela cai e rola...
Deixando um pouco de si
Por onde passa...
Deixa de existir quando
Já deu tudo o que tinha
Da sua matéria, quando
Seca, por onde se espalha.
É tão rica em sentimentos que
Deixa alguns pelo caminho ao
Largar os olhos molhados e carregados.
E é dos fenómenos mais lindos e
Com finalidade desconhecida;
Ninguém consegue explicar
Porque é necessário na nossa vida...
Mas ocorre em todos os seres humanos...
A lágrima, é portadora de vida.
Diana Marques Estêvão
2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Descobrir como é existir, sem existires
Não eras pessoa nem racionalidade
Foste mais que isso, foste sentir!
Foste quem me acompanhou sempre
Desde a minha tenra idade.
E basta-me que tenhas sido
O meu mais fiel amigo
Para que te faça de fiel companheiro,
Meu familiar.
O teu cheiro ainda está na minha memória
Não fosse o olfacto
O responsável pela mais forte das recordações
No humano
E o mais forte sentido em ti,
Pois sabias sempre, e sempre foi até ao fim,
Quando eu entrava em casa
E sem me veres, seguias-me por aí...
Até que o teu nariz se encostasse ao meu corpo.
Sem medo de censuras,
Afirmo sem vergonhas,
Que foste quem mais feliz me fez nesta vida,
Vida minha que ainda é pouca.
Nunca me deste uma desilusão,
Nunca me abandonaste por nenhuma razão
E quando me tinhas, era eu a tua mãe
Porque a família, é quem cuida e dá a mão.
Foi engraçado perceber como és semelhante
A mim, que não sou como tu.
Foi emocionante acompanhar-te nesta viagem
Tão longa para ti e tão curta para mim.
Para mim foste bebé a tua vida toda
Apesar da declarada velhice que tinhas
A partir dos 12 anos.
Para uns foste meu irmão,
Para mim foste, o que mais próximo tive
De filho que nunca dei à luz,
Porque nunca tive filhos
E o instinto já está presente.
Curioso como nos teus últimos anos
Foste tão parecido com o que eras
Quando eras bebé. Afinal tu és,
Tal como nós.
Ver-te sofrer não fazia parte
Dos meus planos, quando toda a vida
Nunca houve sofrimento em ti e,
Como tal, não iria ser no teu fim.
Falo de ti sem lágrimas,
Mas a sós comigo, penso em ti
Com os olhos inchados de verter.
Quando tenho tempo para mim,
Choro tudo aquilo que ainda não chorei
Tudo o que não tive tempo de chorar
Nem quis chorar acompanhada.
Volto, sem vergonha e sem medo, a escrever
Que até hoje não chorei pela perda de ninguém
O que chorei pela tua perda,
Que no senso comum, não és "alguém".
Por te ter, aprendi a saber quem era,
Antes dos 5 anos não me lembro da mim,
Foi como se me tivesses acordado
Da infância em que vivia adormecida.
Por isso, só me lembro de mim, contigo e,
Talvez por isso, me seja tão difícil
Descobrir o que é a minha vida, sem ti.
Nem todos os seres humanos compreendem
O amor que conseguimos ter, a um ser como tu.
Nem todos tiveram a felicidade que tive,
Porque nem todos são dotados das capacidades
Que permitem ao humano, amar todos os seres.
Por isso, nem todos sofrem com estas perdas,
Como eu sofro com a tua.
Para mim és mais que uma memória,
Foste mais que um cão,
És mais que companheiro,
Foste-me mais que fiel,
Foste um ser, mais humano para mim
Que alguns dos meus humanos.
Diana Marques Estêvão
1 de Julho de 2010
Foste mais que isso, foste sentir!
Foste quem me acompanhou sempre
Desde a minha tenra idade.
E basta-me que tenhas sido
O meu mais fiel amigo
Para que te faça de fiel companheiro,
Meu familiar.
O teu cheiro ainda está na minha memória
Não fosse o olfacto
O responsável pela mais forte das recordações
No humano
E o mais forte sentido em ti,
Pois sabias sempre, e sempre foi até ao fim,
Quando eu entrava em casa
E sem me veres, seguias-me por aí...
Até que o teu nariz se encostasse ao meu corpo.
Sem medo de censuras,
Afirmo sem vergonhas,
Que foste quem mais feliz me fez nesta vida,
Vida minha que ainda é pouca.
Nunca me deste uma desilusão,
Nunca me abandonaste por nenhuma razão
E quando me tinhas, era eu a tua mãe
Porque a família, é quem cuida e dá a mão.
Foi engraçado perceber como és semelhante
A mim, que não sou como tu.
Foi emocionante acompanhar-te nesta viagem
Tão longa para ti e tão curta para mim.
Para mim foste bebé a tua vida toda
Apesar da declarada velhice que tinhas
A partir dos 12 anos.
Para uns foste meu irmão,
Para mim foste, o que mais próximo tive
De filho que nunca dei à luz,
Porque nunca tive filhos
E o instinto já está presente.
Curioso como nos teus últimos anos
Foste tão parecido com o que eras
Quando eras bebé. Afinal tu és,
Tal como nós.
Ver-te sofrer não fazia parte
Dos meus planos, quando toda a vida
Nunca houve sofrimento em ti e,
Como tal, não iria ser no teu fim.
Falo de ti sem lágrimas,
Mas a sós comigo, penso em ti
Com os olhos inchados de verter.
Quando tenho tempo para mim,
Choro tudo aquilo que ainda não chorei
Tudo o que não tive tempo de chorar
Nem quis chorar acompanhada.
Volto, sem vergonha e sem medo, a escrever
Que até hoje não chorei pela perda de ninguém
O que chorei pela tua perda,
Que no senso comum, não és "alguém".
Por te ter, aprendi a saber quem era,
Antes dos 5 anos não me lembro da mim,
Foi como se me tivesses acordado
Da infância em que vivia adormecida.
Por isso, só me lembro de mim, contigo e,
Talvez por isso, me seja tão difícil
Descobrir o que é a minha vida, sem ti.
Nem todos os seres humanos compreendem
O amor que conseguimos ter, a um ser como tu.
Nem todos tiveram a felicidade que tive,
Porque nem todos são dotados das capacidades
Que permitem ao humano, amar todos os seres.
Por isso, nem todos sofrem com estas perdas,
Como eu sofro com a tua.
Para mim és mais que uma memória,
Foste mais que um cão,
És mais que companheiro,
Foste-me mais que fiel,
Foste um ser, mais humano para mim
Que alguns dos meus humanos.
Diana Marques Estêvão
1 de Julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Noite & Dia
A noite é testemunha silenciosa
Dos nossos corpos ligados pela alma.
As ondas que nos vêm,
Sabem que brincamos na praia..
Sabem que corremos, gritamos, gememos
E trememos de receio que elas contem a alguém
Que nos apaixonamos à Lua cheia,
Que nos vê aos abraços cheios e nos dá a luz
Que nos deixa ver os corpos nus na escuridão
Que procuramos..., na nossa noite de paixão.
Na noite que nos escuta,
Não há lugar para farsas...
Podemos falar com gestos...
E os olhares são acompanhados
De amassos generosos.
Quando passo por ti, de dia, sou ar
Que te dá vida.
Sou pássaro que paira no teu coração,
Sou o alimento da tua visão,
Que acalma a tua vontade de me ter, ali...
Somos a farsa mais bela
Que a mentira pode conhecer!
Somos a verdade mais certa
Que o destino poderá vir a traçar.
Somos a mentira mais cega
Que a todos basta, mas que
Ninguém ousa contestar.
Se um dia formos a verdade mais clara
Que o mundo já viu e
Que a ninguém jamais enganara...
Será que a noite quererá continuar
A ser nossa testemunha?
E as ondas? Voltarão a olhar-nos?
A lua cheia, continuará a iluminar-nos?
Nós? Continuaremos a amar-nos?
Ofélia Castro
Junho, 2010
Dos nossos corpos ligados pela alma.
As ondas que nos vêm,
Sabem que brincamos na praia..
Sabem que corremos, gritamos, gememos
E trememos de receio que elas contem a alguém
Que nos apaixonamos à Lua cheia,
Que nos vê aos abraços cheios e nos dá a luz
Que nos deixa ver os corpos nus na escuridão
Que procuramos..., na nossa noite de paixão.
Na noite que nos escuta,
Não há lugar para farsas...
Podemos falar com gestos...
E os olhares são acompanhados
De amassos generosos.
Quando passo por ti, de dia, sou ar
Que te dá vida.
Sou pássaro que paira no teu coração,
Sou o alimento da tua visão,
Que acalma a tua vontade de me ter, ali...
Somos a farsa mais bela
Que a mentira pode conhecer!
Somos a verdade mais certa
Que o destino poderá vir a traçar.
Somos a mentira mais cega
Que a todos basta, mas que
Ninguém ousa contestar.
Se um dia formos a verdade mais clara
Que o mundo já viu e
Que a ninguém jamais enganara...
Será que a noite quererá continuar
A ser nossa testemunha?
E as ondas? Voltarão a olhar-nos?
A lua cheia, continuará a iluminar-nos?
Nós? Continuaremos a amar-nos?
Ofélia Castro
Junho, 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Estranha forma de amar
Gostei de ti sem querer.
Apaixonei-me sem me ver.
Desejei-te sem te ter.
Surpreendi-me por te merecer...
Aprendi a gostar
Ainda mais de ti.
Aprendi que não se nega
O que se sente.
A verdade escondida
Temo-la nas nossas mãos
Tremulas, pelo receio de
Virmos a ser descobertos.
Aprendi a não ter quando quero,
Aprendi a esconder o que adoro.
A não ter o que supero...
E não possuir o que conquisto.
A não amar o todo...
Do pouco que já adoro.
Sou um delírio no amor,
Um sopro de emoção.
Uma pincelada de calor...
No frio das pessoas
Por quem passo e que sentem frio.
Tu tinhas frio.
Tinhas fome de amor
E uma brisa de emoção.
Sendo tu tão único, tão bom...
Serei eu capaz de te dar o meu coração?
Aprendi que não devo cobiçar
O que não quero amar...
Mas, e... Se eu amar devagarinho...
À minha maneira de gostar?
E tentar não me aproximar?
Aceitas esta forma de conquistar?
Perdoas-me esta minha
Estranha forma de amar?
Ofélia Castro
2010
Apaixonei-me sem me ver.
Desejei-te sem te ter.
Surpreendi-me por te merecer...
Aprendi a gostar
Ainda mais de ti.
Aprendi que não se nega
O que se sente.
A verdade escondida
Temo-la nas nossas mãos
Tremulas, pelo receio de
Virmos a ser descobertos.
Aprendi a não ter quando quero,
Aprendi a esconder o que adoro.
A não ter o que supero...
E não possuir o que conquisto.
A não amar o todo...
Do pouco que já adoro.
Sou um delírio no amor,
Um sopro de emoção.
Uma pincelada de calor...
No frio das pessoas
Por quem passo e que sentem frio.
Tu tinhas frio.
Tinhas fome de amor
E uma brisa de emoção.
Sendo tu tão único, tão bom...
Serei eu capaz de te dar o meu coração?
Aprendi que não devo cobiçar
O que não quero amar...
Mas, e... Se eu amar devagarinho...
À minha maneira de gostar?
E tentar não me aproximar?
Aceitas esta forma de conquistar?
Perdoas-me esta minha
Estranha forma de amar?
Ofélia Castro
2010
domingo, 9 de maio de 2010
Sublime amar
A saudade cegava-me todos o dias.
Desde que partiste que
Não consegui pensar mais.
Por sentir demais,
Por chorar demais.
Por a tua ausência
Se afirmar presente demais.
Chegaste naquele dia,
Por trás de mim,
Tapaste-me os olhos
Com as tuas mãos que
Sei definir sem as ter.
Toquei-lhes sem as ver
E percebi que eras tu
Quem estava atrás de mim!
Virei-me num repente
Que te lançou os meus cabelos
No rosto, aquele que olhei
Com a surpresa de quem
Te ama em segredo e
Não pode dizê-lo a ninguém.
Com os olhos bem abertos
e bastante húmidos, o meu coração
Pulava, quis sair do peito!
Abracei-te, quis lá eu saber
Do que podiam pensar...!
Só quis abraçar-te,
Sentir-te, só te queria amar.
O teu peito faz-me tanta falta,
É nele que me enroscava
Era ele que beijava quando
A nossa paixão nos suava...
O abraço durou...
Mas acordei.
Tive que largar-te.
Não podia ser vista tão emocionada.
Não podia ser sentida tão amada.
Larguei-te a custo e
Disse coisas que não condiziam
Com a nossa avançada intimidade...
Mas eram as palavras que podia dizer
Naquele momento...
Dado que o contexto nos olhava.
Era bom poder beijar-te
Naquele instante de felicidade...
Mas não o podia fazer...
Não devia.
Eu sabia.
Mas a necessidade de te ter
Era demasiado forte
Para eu poder perceber que
Um beijo nosso
Era a nossa morte.
Numa vontade que me matava
Quebrei o nosso zelo!
Tomei-te em desespero.
E retribuíste-me com medo...
Mas logo me afastaste,
Logo me fugiste,
Enquanto não era tarde nem cedo.
Vi-te fechar os olhos...
Tremendo.
Senti o que sentiste
Porque é meu também o teu segredo.
Ofélia Castro
Maio, 2010
Desde que partiste que
Não consegui pensar mais.
Por sentir demais,
Por chorar demais.
Por a tua ausência
Se afirmar presente demais.
Chegaste naquele dia,
Por trás de mim,
Tapaste-me os olhos
Com as tuas mãos que
Sei definir sem as ter.
Toquei-lhes sem as ver
E percebi que eras tu
Quem estava atrás de mim!
Virei-me num repente
Que te lançou os meus cabelos
No rosto, aquele que olhei
Com a surpresa de quem
Te ama em segredo e
Não pode dizê-lo a ninguém.
Com os olhos bem abertos
e bastante húmidos, o meu coração
Pulava, quis sair do peito!
Abracei-te, quis lá eu saber
Do que podiam pensar...!
Só quis abraçar-te,
Sentir-te, só te queria amar.
O teu peito faz-me tanta falta,
É nele que me enroscava
Era ele que beijava quando
A nossa paixão nos suava...
O abraço durou...
Mas acordei.
Tive que largar-te.
Não podia ser vista tão emocionada.
Não podia ser sentida tão amada.
Larguei-te a custo e
Disse coisas que não condiziam
Com a nossa avançada intimidade...
Mas eram as palavras que podia dizer
Naquele momento...
Dado que o contexto nos olhava.
Era bom poder beijar-te
Naquele instante de felicidade...
Mas não o podia fazer...
Não devia.
Eu sabia.
Mas a necessidade de te ter
Era demasiado forte
Para eu poder perceber que
Um beijo nosso
Era a nossa morte.
Numa vontade que me matava
Quebrei o nosso zelo!
Tomei-te em desespero.
E retribuíste-me com medo...
Mas logo me afastaste,
Logo me fugiste,
Enquanto não era tarde nem cedo.
Vi-te fechar os olhos...
Tremendo.
Senti o que sentiste
Porque é meu também o teu segredo.
Ofélia Castro
Maio, 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Amar o passado
Queres que eu te sinta
Por inteiro,
Queres que eu te tenha
Como se eu fosse o teu primeiro...
Mas nunca tive ninguém
Que me quisesse assim e que
Na relação tivesse um terceiro.
Negas esse amor não celado...
E mentes-me com uma lágrima escondida...
Um sorriso à mostra de um lado
E uma mentira que me enlaça de todo
Nesta felicidade entristecida.
Não deixaste de pensá-lo
Nem queres em ti provocá-lo
Por gostares de o gostar...
E sem me quereres deixar,
Vais-te enganando nesta nossa
Relação de tentar...
Estou cansado...
Não te posso mais esperar.
Decide quem queres amar.
Decide quem queres sonhar...!
Se ele não é passado...
Eu não quero ser o mal amado
E estou cansado de me magoar.
Não te vou puxar mais...
Queres cair no teu passado..., vai.
Mas se vais, constrói bem esse estrado,
É nele que terás o caminho traçado...
E o Futuro jamais foi passado.
Entretida com a soma
Esqueces a subtracção que me fazes
E divides-te numa toma...
Em que apenas mal me trazes
Por essa multiplicação de fases...
Mateus Marques, Abril de 2010
Por inteiro,
Queres que eu te tenha
Como se eu fosse o teu primeiro...
Mas nunca tive ninguém
Que me quisesse assim e que
Na relação tivesse um terceiro.
Negas esse amor não celado...
E mentes-me com uma lágrima escondida...
Um sorriso à mostra de um lado
E uma mentira que me enlaça de todo
Nesta felicidade entristecida.
Não deixaste de pensá-lo
Nem queres em ti provocá-lo
Por gostares de o gostar...
E sem me quereres deixar,
Vais-te enganando nesta nossa
Relação de tentar...
Estou cansado...
Não te posso mais esperar.
Decide quem queres amar.
Decide quem queres sonhar...!
Se ele não é passado...
Eu não quero ser o mal amado
E estou cansado de me magoar.
Não te vou puxar mais...
Queres cair no teu passado..., vai.
Mas se vais, constrói bem esse estrado,
É nele que terás o caminho traçado...
E o Futuro jamais foi passado.
Entretida com a soma
Esqueces a subtracção que me fazes
E divides-te numa toma...
Em que apenas mal me trazes
Por essa multiplicação de fases...
Mateus Marques, Abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
O teu olhar
Olhaste-me com essa força…
Toda essa tua segurança no teu olhar
E não fui capaz de continuar a respirar,
Parei de dançar, parei de pensar…
E ainda mais segura de ti,
Ao me veres parar,
Reforçaste o teu penetrar.
Inspirei dupla e repentinamente… e expirei…,
Num suspiro que se viu…
Matou-me por inteiro aquele teu olhar.
Continuaste a balançar…
Continuaste a dançar
E eu não pude deixar de observar…
E reparar… a tua sensualidade
Enche o meu apreciar.
Guardei a timidez cá no fundo
E deixei-te aproximar…
Pensei em tocar-te, sem te desrespeitar…
Já tão próxima de mim… senti o teu aroma…
E fechando os olhos... imaginei-te na minha boca.
Tocaste-me no ombro, toque leve esse,
Que intenso me tocou profundamente.
Senti a tua respiração…
No canto do meu lábio,
Senti aquele toque tão subtil,
Que perguntei se seria o teu cabelo…
Deixei-te conduzir-me
Naquela dança tão quente…
Com a tua mão nas minhas costas
Arrepiaste-me e…
A outra mão tocou-me nos lábios e
Preparou-os para o beijo desejado.
Encostaste o teu lábio inferior ao meu
Lábio inferior… e mordeste-me…
Cuidadosamente…, carinhosamente…!
Pegaste-me na mão e puxaste-me.
Quiseste privar-nos…
Eu encostei-te a uma parede e, excitada,
Beijei-te o peito… e tu,
Desejada, deste um suspiro de
Mulher amada e agarrámo-nos,
Aceleradas e suadas…
Puxei-te e corremos para a areia.
Olhamo-nos. Desta vez com
A mesma igualdade de segurança.
Beijamo-nos. Desta vez deitadas.
Molhadas… com o sal do mar…
Banhadas pela areia que se agarra
À pele sedenta de paixão…
Consumimo-nos e
Os gemidos não nos deixam
Ouvir a música que toca.
A areia húmida, sinto-a seca
De te sentir assim tão…
Rebolamos na praia escura…
E invertemos colocações...
Sobes para cima de mim...
E dizes-me ao ouvido:
Sentes-me?
Amélia Rosa, 2010
Toda essa tua segurança no teu olhar
E não fui capaz de continuar a respirar,
Parei de dançar, parei de pensar…
E ainda mais segura de ti,
Ao me veres parar,
Reforçaste o teu penetrar.
Inspirei dupla e repentinamente… e expirei…,
Num suspiro que se viu…
Matou-me por inteiro aquele teu olhar.
Continuaste a balançar…
Continuaste a dançar
E eu não pude deixar de observar…
E reparar… a tua sensualidade
Enche o meu apreciar.
Guardei a timidez cá no fundo
E deixei-te aproximar…
Pensei em tocar-te, sem te desrespeitar…
Já tão próxima de mim… senti o teu aroma…
E fechando os olhos... imaginei-te na minha boca.
Tocaste-me no ombro, toque leve esse,
Que intenso me tocou profundamente.
Senti a tua respiração…
No canto do meu lábio,
Senti aquele toque tão subtil,
Que perguntei se seria o teu cabelo…
Deixei-te conduzir-me
Naquela dança tão quente…
Com a tua mão nas minhas costas
Arrepiaste-me e…
A outra mão tocou-me nos lábios e
Preparou-os para o beijo desejado.
Encostaste o teu lábio inferior ao meu
Lábio inferior… e mordeste-me…
Cuidadosamente…, carinhosamente…!
Pegaste-me na mão e puxaste-me.
Quiseste privar-nos…
Eu encostei-te a uma parede e, excitada,
Beijei-te o peito… e tu,
Desejada, deste um suspiro de
Mulher amada e agarrámo-nos,
Aceleradas e suadas…
Puxei-te e corremos para a areia.
Olhamo-nos. Desta vez com
A mesma igualdade de segurança.
Beijamo-nos. Desta vez deitadas.
Molhadas… com o sal do mar…
Banhadas pela areia que se agarra
À pele sedenta de paixão…
Consumimo-nos e
Os gemidos não nos deixam
Ouvir a música que toca.
A areia húmida, sinto-a seca
De te sentir assim tão…
Rebolamos na praia escura…
E invertemos colocações...
Sobes para cima de mim...
E dizes-me ao ouvido:
Sentes-me?
Amélia Rosa, 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
Ser
Algumas vezes queremos não ir em frente,
Mas o sentimento é tão fluente…
Que desejamos nunca vir a amar…
Mas não se enganem seres de carne fraca!
Somos todos sangue quente,
Somos todos sentidos e respirar,
Somos mais que o que se sente…
Somos forças da natureza que alguém ousou criar.
Somos belos no nosso interior.
Mas estamos constantemente a afirmar o exterior.
Constantemente queremos desajustar o que algo superior
Desenhou ao pormenor com mestria e rigor.
Ansiamos e tornamos utópica a perfeição…
Ridículos seres somos…
Que não compreendemos toda a nossa perfeita perfeição.
Heróis carnífices fomos…
Que não só nos descobrimos,
Como destruímos o que não foi nossa criação.
Mesmo assim…, somos tão fantásticos
Na nossa perfeição tão única…
Este sangue que não nos deixa ser apáticos,
Esta pele! Tecido que envergamos como túnica.
O meu sentimento por nós é de amor/ódio…
Porque: como é que algo tão belo se afirma
Igualmente, tão cruel e, verte sódio...
Em forma de lágrima?
Diana Estêvão, Março 2010
Mas o sentimento é tão fluente…
Que desejamos nunca vir a amar…
Mas não se enganem seres de carne fraca!
Somos todos sangue quente,
Somos todos sentidos e respirar,
Somos mais que o que se sente…
Somos forças da natureza que alguém ousou criar.
Somos belos no nosso interior.
Mas estamos constantemente a afirmar o exterior.
Constantemente queremos desajustar o que algo superior
Desenhou ao pormenor com mestria e rigor.
Ansiamos e tornamos utópica a perfeição…
Ridículos seres somos…
Que não compreendemos toda a nossa perfeita perfeição.
Heróis carnífices fomos…
Que não só nos descobrimos,
Como destruímos o que não foi nossa criação.
Mesmo assim…, somos tão fantásticos
Na nossa perfeição tão única…
Este sangue que não nos deixa ser apáticos,
Esta pele! Tecido que envergamos como túnica.
O meu sentimento por nós é de amor/ódio…
Porque: como é que algo tão belo se afirma
Igualmente, tão cruel e, verte sódio...
Em forma de lágrima?
Diana Estêvão, Março 2010
domingo, 21 de março de 2010
Estranha forma de vida
Letra: Amália Rodrigues
Música: Alfredo Marceneiro
Estranha forma de vida
Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vives de vida perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vives perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.
Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais
Se não sabes onde vais:
para, deixa de bater,
eu não te acompanho mais.
Música: Alfredo Marceneiro
Estranha forma de vida
Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vives de vida perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vives perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.
Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais
Se não sabes onde vais:
para, deixa de bater,
eu não te acompanho mais.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Hoje seria o teu dia.
Abri o armário. Tirei três pratos. Quis pôr a mesa para jantarmos... mas esqueci-me que a mesa ficou maior... Maior com a tua ausência. E mesmo com a permanente dor da tua falta, a inconsciência do teu não estar predominou naquele momento, por eu não me ter habituado ainda ao teu não ser.
Já com os três tabuleiros na mesa, coloquei três pratos, mais os três copos e ainda mais os três guardanapos... e não me lembrei sequer à quarta vez que não te irias sentar ali e comer connosco! A cada uma das terceiras vezes que coloquei as tuas peças, eu não me lembrei que já não és, já não estás! Como não me lembrei?!...
À quinta peça - os talheres - lembrei-me que, por vezes, costumavas colocá-los ao contrário... sabe-se-lá porquê... e com esse pormenor muito teu, lembrei-me que TU já não és um de nós... Aquela primeira, segunda ou terceira pessoa que se senta à mesa connosco. Já cá não estás... E sem saber o que fazer, levei as mãos ao rosto... num acto irreflectido e sentido...
Peguei nos talhares já postos... e no prato e... abri o armário. Pus o prato, abri a gaveta e coloquei os talheres... Tirei-te o guardanapo e não soube onde o por... agarrei no copo e arrumei-o novamente... E sentei-me numa das três cadeiras... Apática. Doeu-me ter que te retirar o lugar. O lugar que já não é teu, mas que fica tão vazio sem ti... eu ainda te sinto aqui... Sinto-te! Tão presente..., tão evidente... Sinto-te meu querido...!
(lágrimas)
Chegaste e sentaste-te, mãe. Não disseste nada. Eu nada te disse. Beijei-te a testa e sentei-me na terceira cadeira, vazia. Deixei a outra do meio ali, na mesma...
Comemos... sem fome. Só com saudade. Faltaste tu, meu querido... Faltaste tu... Desculpa-me... Desculpa-me!... Perdoa-me não ter posto prato para ti..., nem copo... nem talher..., nem guardanapo...
Desculpa não ter posto mesa para ti, meu pai...
Ofélia Castro
19 de Março de 2010
Já com os três tabuleiros na mesa, coloquei três pratos, mais os três copos e ainda mais os três guardanapos... e não me lembrei sequer à quarta vez que não te irias sentar ali e comer connosco! A cada uma das terceiras vezes que coloquei as tuas peças, eu não me lembrei que já não és, já não estás! Como não me lembrei?!...
À quinta peça - os talheres - lembrei-me que, por vezes, costumavas colocá-los ao contrário... sabe-se-lá porquê... e com esse pormenor muito teu, lembrei-me que TU já não és um de nós... Aquela primeira, segunda ou terceira pessoa que se senta à mesa connosco. Já cá não estás... E sem saber o que fazer, levei as mãos ao rosto... num acto irreflectido e sentido...
Peguei nos talhares já postos... e no prato e... abri o armário. Pus o prato, abri a gaveta e coloquei os talheres... Tirei-te o guardanapo e não soube onde o por... agarrei no copo e arrumei-o novamente... E sentei-me numa das três cadeiras... Apática. Doeu-me ter que te retirar o lugar. O lugar que já não é teu, mas que fica tão vazio sem ti... eu ainda te sinto aqui... Sinto-te! Tão presente..., tão evidente... Sinto-te meu querido...!
(lágrimas)
Chegaste e sentaste-te, mãe. Não disseste nada. Eu nada te disse. Beijei-te a testa e sentei-me na terceira cadeira, vazia. Deixei a outra do meio ali, na mesma...
Comemos... sem fome. Só com saudade. Faltaste tu, meu querido... Faltaste tu... Desculpa-me... Desculpa-me!... Perdoa-me não ter posto prato para ti..., nem copo... nem talher..., nem guardanapo...
Desculpa não ter posto mesa para ti, meu pai...
Ofélia Castro
19 de Março de 2010
Palavras
Contaste-me palavras prometidas.
Não me as disseste.
Deixaste a imagem no ar.
O ar que inundamos
Com os nossos odores.
Deixaste-me a pensar...
E enquanto nos afundamos
Nos nossos amores,
Disseste-me palavras sentidas.
Palavras que não me as prometeste.
Tentei senti-las...
Mas nunca me as ofereceste.
Tentei ouvi-las...
Mas não as repetiste.
Tentei reproduzi-las...
Mas não as pediste.
Quis traí-las...
E tu sentiste-te.
Quis trazê-las.
E tu vieste comigo.
Ofélia Castro
Não me as disseste.
Deixaste a imagem no ar.
O ar que inundamos
Com os nossos odores.
Deixaste-me a pensar...
E enquanto nos afundamos
Nos nossos amores,
Disseste-me palavras sentidas.
Palavras que não me as prometeste.
Tentei senti-las...
Mas nunca me as ofereceste.
Tentei ouvi-las...
Mas não as repetiste.
Tentei reproduzi-las...
Mas não as pediste.
Quis traí-las...
E tu sentiste-te.
Quis trazê-las.
E tu vieste comigo.
Ofélia Castro
Partiste?
O barco vai partir
E eu não sei se quero ir...
Contigo.
O mar é rude e longo...
E apesar da sua imensa beleza...
Eu tenho medo.
O barco vai partir...
E eu não sei que fazer...
Perco-o?
Vou?
Espero?
Se espero ele parte.
E tu?
Esperas por mim?
Partes?
Ficas?
Arrependes-te?
O barco vai...
O barco foi...
E tu foste...
Não te censuro.
Era egoísta pedir-te
Para ficares...
Perdi o barco.
O nosso barco.
E a ti?
Perdi-te?
Voltas um dia?
Espero pelo nosso próximo barco?
Não se perde o mesmo barco duas vezes.
Tal como não se ama o mesmo homem duas vezes.
Ofélia Castro, Março 2010
E eu não sei se quero ir...
Contigo.
O mar é rude e longo...
E apesar da sua imensa beleza...
Eu tenho medo.
O barco vai partir...
E eu não sei que fazer...
Perco-o?
Vou?
Espero?
Se espero ele parte.
E tu?
Esperas por mim?
Partes?
Ficas?
Arrependes-te?
O barco vai...
O barco foi...
E tu foste...
Não te censuro.
Era egoísta pedir-te
Para ficares...
Perdi o barco.
O nosso barco.
E a ti?
Perdi-te?
Voltas um dia?
Espero pelo nosso próximo barco?
Não se perde o mesmo barco duas vezes.
Tal como não se ama o mesmo homem duas vezes.
Ofélia Castro, Março 2010
InCertezas
Eu digo que tenho tudo controlado,
Mas eu sou demasiado sentimental.
Este meu lado esquerdo...
Já foi várias vezes machucado.
Várias vezes isto de brincar me correu mal...
Eu digo que cá me arranjo...
Mas só vejo forma de me arranjar um amor...
Quero sair, mas fui eu quem quis entrar...
Fui eu quem deixou isto voar...
Fui eu! Quem quis provar este sabor!
A culpa não foi do cupido mascarado de anjo...
O lado esquerdo chora...
E parece que gosto de viver como poeta...
Que vive a vida na amargura da hora...
Que troca esta acidez tão secreta
Por um poema que fugazmente devora!
É uma dor que demora...
E o meu lado esquerdo chora...
Não sei se te quero,
Ó tu! Que me consomes os pensamentos...
Nem sei se te não quero...
Que isto é um rebanho de sentimentos!
Quanto mais penso mais me perco...!
Neste mar de desejos ardentes...
As incertezas conferem ansiedade à vida.
A ansiedade é filha da adrenalina...
A adrenalina é culpada pela súbita subida
De coragem e desinibição num ser...
Posto isto: que era da vida sem incertezas?
As certezas exterminam um possÍvel acontecer.
A certezas só servem para nos deixar morrer.
Amélia Rosa, Março 2010
Mas eu sou demasiado sentimental.
Este meu lado esquerdo...
Já foi várias vezes machucado.
Várias vezes isto de brincar me correu mal...
Eu digo que cá me arranjo...
Mas só vejo forma de me arranjar um amor...
Quero sair, mas fui eu quem quis entrar...
Fui eu quem deixou isto voar...
Fui eu! Quem quis provar este sabor!
A culpa não foi do cupido mascarado de anjo...
O lado esquerdo chora...
E parece que gosto de viver como poeta...
Que vive a vida na amargura da hora...
Que troca esta acidez tão secreta
Por um poema que fugazmente devora!
É uma dor que demora...
E o meu lado esquerdo chora...
Não sei se te quero,
Ó tu! Que me consomes os pensamentos...
Nem sei se te não quero...
Que isto é um rebanho de sentimentos!
Quanto mais penso mais me perco...!
Neste mar de desejos ardentes...
As incertezas conferem ansiedade à vida.
A ansiedade é filha da adrenalina...
A adrenalina é culpada pela súbita subida
De coragem e desinibição num ser...
Posto isto: que era da vida sem incertezas?
As certezas exterminam um possÍvel acontecer.
A certezas só servem para nos deixar morrer.
Amélia Rosa, Março 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Andar sobre uma linha de papel
Descobrir cada pedaço de ti,
Apaixona-me cada vez mais;
Não é apaixonar-me por ti,
É querer-te em dias banais...
(Será?)
É sentir-te mais que os demais,
É pensar-te mais que outros que tais...
É, apesar de tudo, sentir que
Sobretudo, se eu não sair daqui
Tu também não sais...
Só sei apenas que me perco em ti, demais...
E que me encontro de novo quando voltas e já não vais...
Eu já não sei se te desejo ou quero...
Não percebo se não me esforço ou esmero
Por te encantar, mais do que te encantas,
Se é do teu olhar ou das conversas com que me cantas...
Será que me apaixonei de novo como em outras tantas...?
Ter-te só para mim no nosso momento é tão bom...
Pensar se tens além de mim alguém com quem...
Dá-me que pensar, mas desligo e ligo um som...!
Não quero saber disso, não me sabe bem o tom...
Pensamentos íntimos sem compromisso
Com a realidade, por serem apenas isso...
Sonhos, saudade, vontade, esquisso...
Não tos conto, por serem só meus...
E será mesmo? Ou serão também teus?
Desmanchas-te com uma possibilidade
Que me confunde e enfraquece
E deixas-me sem reacção,
Sem palavras nem capacidade... esquece...
Não brinques com a minha sanidade... isso enfurece.
Não se escreve o que não se promete.
Ofélia Castro, 2010
Apaixona-me cada vez mais;
Não é apaixonar-me por ti,
É querer-te em dias banais...
(Será?)
É sentir-te mais que os demais,
É pensar-te mais que outros que tais...
É, apesar de tudo, sentir que
Sobretudo, se eu não sair daqui
Tu também não sais...
Só sei apenas que me perco em ti, demais...
E que me encontro de novo quando voltas e já não vais...
Eu já não sei se te desejo ou quero...
Não percebo se não me esforço ou esmero
Por te encantar, mais do que te encantas,
Se é do teu olhar ou das conversas com que me cantas...
Será que me apaixonei de novo como em outras tantas...?
Ter-te só para mim no nosso momento é tão bom...
Pensar se tens além de mim alguém com quem...
Dá-me que pensar, mas desligo e ligo um som...!
Não quero saber disso, não me sabe bem o tom...
Pensamentos íntimos sem compromisso
Com a realidade, por serem apenas isso...
Sonhos, saudade, vontade, esquisso...
Não tos conto, por serem só meus...
E será mesmo? Ou serão também teus?
Desmanchas-te com uma possibilidade
Que me confunde e enfraquece
E deixas-me sem reacção,
Sem palavras nem capacidade... esquece...
Não brinques com a minha sanidade... isso enfurece.
Não se escreve o que não se promete.
Ofélia Castro, 2010
Lis linda!
Lisboa, que sou tua,
Desde que em ti nasci
E tu, que és minha
Desde que te conheci...
Lisboa! Tão boa
Que nos levas até a ti,
Tu que tens vida própria
E não somente
A nossa vida por si!
Oh Lisboa vida!
Dás-nos a vida
Que tens aí?
Essa luz que tens
Noite e dia?
Essa harmonia que vem
Até aqui?
E dás-me essa voz...?
Essa que trazes a mim?
Lisboa, que és tão grande,
Que ninguém sabe
Onde fica o teu fim.
Leva-me pelas tuas belas
Ruas e becos...
Veste-me com essa paleta,
Conta-me todos os teus segredos...
Diana Estêvão, 2010
Desde que em ti nasci
E tu, que és minha
Desde que te conheci...
Lisboa! Tão boa
Que nos levas até a ti,
Tu que tens vida própria
E não somente
A nossa vida por si!
Oh Lisboa vida!
Dás-nos a vida
Que tens aí?
Essa luz que tens
Noite e dia?
Essa harmonia que vem
Até aqui?
E dás-me essa voz...?
Essa que trazes a mim?
Lisboa, que és tão grande,
Que ninguém sabe
Onde fica o teu fim.
Leva-me pelas tuas belas
Ruas e becos...
Veste-me com essa paleta,
Conta-me todos os teus segredos...
Diana Estêvão, 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Desejo . . .
Para começar... gosto de saborear...
Como que uma introdução...
Preparar um desenvolvimento...
Sem pensar muito na conclusão
...
Deixar-me no teu pensamento
Sem ocupar espaço no coração.
Então olho-te... e o teu olhar não me mente.
Queres aquilo que eu quero
E o que quero é tão somente:
Seguir pelo teu corpo,
Como se fosses mar...
Devorar as tuas ondas, fazer-te suar...
Comer-te vigorosamente e
Saborear o teu sal...
Quero passar as minhas mãos frias
Pelo teu pescoço e costas quentes.
As minhas mãos vazias,
Desejo enchê-las com o teu corpo... Sentes?...
Quero arrepiar-te essa pele suave
E fazer-te excitar...
Beijtar-te todo num momento
E num instante deixar-te a desejar...
Agora que já provei esses lábios,
Agora que já conheço o vosso sabor,
Quero descobrir melhor a tua pele -
Que não conheço o cheiro nem cor...
Deslizando os meus lábios por ti,
Num misto de intensidade e calor.
...
Desejo lamber-te, arrepiado de prazer
...
E ouvir-te respirar - arfando - cheio de querer...
Sentindo o que sinto, numa vontade imensa
De te comer.
2010
Como que uma introdução...
Preparar um desenvolvimento...
Sem pensar muito na conclusão
...
Deixar-me no teu pensamento
Sem ocupar espaço no coração.
Então olho-te... e o teu olhar não me mente.
Queres aquilo que eu quero
E o que quero é tão somente:
Seguir pelo teu corpo,
Como se fosses mar...
Devorar as tuas ondas, fazer-te suar...
Comer-te vigorosamente e
Saborear o teu sal...
Quero passar as minhas mãos frias
Pelo teu pescoço e costas quentes.
As minhas mãos vazias,
Desejo enchê-las com o teu corpo... Sentes?...
Quero arrepiar-te essa pele suave
E fazer-te excitar...
Beijtar-te todo num momento
E num instante deixar-te a desejar...
Agora que já provei esses lábios,
Agora que já conheço o vosso sabor,
Quero descobrir melhor a tua pele -
Que não conheço o cheiro nem cor...
Deslizando os meus lábios por ti,
Num misto de intensidade e calor.
...
Desejo lamber-te, arrepiado de prazer
...
E ouvir-te respirar - arfando - cheio de querer...
Sentindo o que sinto, numa vontade imensa
De te comer.
2010
Envolvência
O nosso tempo acabou por hoje
Mas os nossos desejos continuarão,
A acção termina agora, vais pra longe,
Leva o teu coração...
Continua, não olhes para trás,
Sintas o que sentires, vai,
Está na hora de partires...
Deixo-te sem vontade de te largar,
Mas tenho que ser assim, frio,
Para não te convencer a ficar...
Tenho que ser um pouco distante
Para não te conquistar o vazio...
O nosso pecado secreto é maravilhoso
É subtil e desejoso... Dá-me mais de ti...
Dá-me o que queres dar,
Não te prives de ter o que em ti é querer...
Dá-me ar, dá-me ar!
Dá-me mais deste pecado que me mata de prazer...
Faz-me arfar... de tanto te amar...
Sua em cima de mim, geme por mim,
E faz-me este homem completo que vez aqui...
Continua assim... aqui, por mim, por ti...
Conta-me como te sentes, eu gosto de ouvir-te,
Toca-me e envolve-me, eu gosto de sentir-te...
Fala-me de ti, dos teus receios,
Dos teus sonhos, quero saber definir-te...
Mas não me ames com a mente,
Ama-me com o corpo e emoção;
Quem mais se nega mais mente,
E eu não te quero a amar-me com o coração...
Mas posso ser a tua maior paixão...
E deixemos o amor para outra dimensão...
Devora-me com paixão..., só com paixão.
Mateus Marques, 2010
Mas os nossos desejos continuarão,
A acção termina agora, vais pra longe,
Leva o teu coração...
Continua, não olhes para trás,
Sintas o que sentires, vai,
Está na hora de partires...
Deixo-te sem vontade de te largar,
Mas tenho que ser assim, frio,
Para não te convencer a ficar...
Tenho que ser um pouco distante
Para não te conquistar o vazio...
O nosso pecado secreto é maravilhoso
É subtil e desejoso... Dá-me mais de ti...
Dá-me o que queres dar,
Não te prives de ter o que em ti é querer...
Dá-me ar, dá-me ar!
Dá-me mais deste pecado que me mata de prazer...
Faz-me arfar... de tanto te amar...
Sua em cima de mim, geme por mim,
E faz-me este homem completo que vez aqui...
Continua assim... aqui, por mim, por ti...
Conta-me como te sentes, eu gosto de ouvir-te,
Toca-me e envolve-me, eu gosto de sentir-te...
Fala-me de ti, dos teus receios,
Dos teus sonhos, quero saber definir-te...
Mas não me ames com a mente,
Ama-me com o corpo e emoção;
Quem mais se nega mais mente,
E eu não te quero a amar-me com o coração...
Mas posso ser a tua maior paixão...
E deixemos o amor para outra dimensão...
Devora-me com paixão..., só com paixão.
Mateus Marques, 2010
Tentação . . .
Tu. Sim, tu.
Tentação que me tentas
E tentas consumir-me...
Consomes-me nos pensamentos
Nos sonhos, nos movimentos,
Nos segredos meus, teus...
Em todos os momentos
Consomes-me a alma e o corpo
Comes-me a pele, ossos,
Os olhos, o cabelo
A minha imagem de
Alto a baixo
Parando no meio e reinventando
Pelo meu corpo abaixo soando, tu tentação,
Paixão que comes e não entornas,
Tu, que somes e somas
Mais desejos e fomes...
E consomes-me com a tua ausência,
Tendência para a cobiça,
Egoísmo de não querer partilhar
Nem querer deixar.
Partes-me em mil bocados e
Provas, comes, deixas sobras, para ti
Quando voltares.
Deixa-me tentação mas nunca me deixes...
Quero-te mas odeio-te
Deixo-te mas tenho-te.
Desejo-te mas repeli-te...
Tenho-te mas fujo-te...
Volto e como-te tentação,
E deixo-te devorares-me com paixão,
Como um osso se deixar devorar por um cão.
Vai, mas volta,
Vai-te, mas vem-te,
Sai, mas entra-me.
Amélia Rosa, 2010
Tentação que me tentas
E tentas consumir-me...
Consomes-me nos pensamentos
Nos sonhos, nos movimentos,
Nos segredos meus, teus...
Em todos os momentos
Consomes-me a alma e o corpo
Comes-me a pele, ossos,
Os olhos, o cabelo
A minha imagem de
Alto a baixo
Parando no meio e reinventando
Pelo meu corpo abaixo soando, tu tentação,
Paixão que comes e não entornas,
Tu, que somes e somas
Mais desejos e fomes...
E consomes-me com a tua ausência,
Tendência para a cobiça,
Egoísmo de não querer partilhar
Nem querer deixar.
Partes-me em mil bocados e
Provas, comes, deixas sobras, para ti
Quando voltares.
Deixa-me tentação mas nunca me deixes...
Quero-te mas odeio-te
Deixo-te mas tenho-te.
Desejo-te mas repeli-te...
Tenho-te mas fujo-te...
Volto e como-te tentação,
E deixo-te devorares-me com paixão,
Como um osso se deixar devorar por um cão.
Vai, mas volta,
Vai-te, mas vem-te,
Sai, mas entra-me.
Amélia Rosa, 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Hoje mais do que nunca
Hoje quis-te;
Desejei-te.
E mais uma vez fiquei-me,
Retive-me,
Contive-me,
Olhei-te.
Não te beijei
Nos sítios que quero;
Não te abracei
Da forma que me deu vontade...
Não te tive, mas quis-te...
E hoje...,
Hoje quis-te muito.
OFÉLIA CASTRO, 2010
Desejei-te.
E mais uma vez fiquei-me,
Retive-me,
Contive-me,
Olhei-te.
Não te beijei
Nos sítios que quero;
Não te abracei
Da forma que me deu vontade...
Não te tive, mas quis-te...
E hoje...,
Hoje quis-te muito.
OFÉLIA CASTRO, 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
A junção perfeita
Desculpem-me aqueles que não o sentem, mas eu fico louca quando ouço uma boa junção de rock/metal com rap, porque eu gosto mesmo muito de metal e rap... Há quem diga que são opostos, até podem ser, mas eu vejo semelhanças, vejo a mesma revolta em algumas letras- Eu amo os dois estilos.
Esta junção deste artista - BOSS AC - está fabulosa, ainda para mais porque em algumas partes da música (incluindo o início), de fundo, ouvimos um instrumento lindo a soar.
Está uma batida comum, básica, mas simples e a meu ver, boa.
Apreciem os que apreciarem:
Farto De...
Boss AC
Farto de ser artista, fodasse
Farto destas merdas
Farto deles todos
Farto destes cabrões
Farto do Bush
Farto de guerra
Cambada de filhos da puta
Farto de ser culpado sem ter culpa de nada
Ser rejeitado, farto de conversa fiada
Farto deste sistema de merda que nos engole
Farto destes políticos a coçar colhões ao sol
Farto de promessas da treta
Sobem ao poder metem as promessas na gaveta
Farto de ver o país parado como uma lesma
Ver as moscas mudarem e a merda ser a mesma
Farto de os ver saltar quando os barcos naufragam
Quanto mais tiverem melhor, menos impostos pagam
Farto de rir quando me apetece chorar
Farto de comer calado e calado ficar
Farto das notícias na televisão
Farto de guerras, conflitos, fome e destruição
Farto de injustiças, tanta desigualdade
Cegos são os que fingem que não vêem a verdade
E eu tou farto caralho
Injustiça, Guerra, Racismo, Fome, Desemprego, Pobreza
E eu tou farto
Mentiras, Traição, Inveja, Cinismo, Maldade, Tristeza
E eu tou farto
Injustiça, Guerra, Racismo, Fome, Desemprego, Pobreza
E eu tou farto
Mentiras, Traição, Inveja, Cinismo, Maldade, Tristeza
Já chega.
Farto de miséria, o povo na pobreza
Uns deitam a comida fora, outros não a tem á mesa
Farto de rótulos, estigmas e preconceitos
Abrir os olhos e ver não temos os mesmos direitos
Farto de mentiras, farto de tentar acreditar
Farto de esperar sem ver nada a melhorar
Farto de ser a carta fora do baralho
Farto destes cabrões neste sistema do caralho
(Refrão)
Ver roubar o que é nosso, impávido e sereno
Ser acusado de coisas que eu próprio condeno
Farto de ser político quando só quero ser MC
Não te iludas ninguém quer saber de ti
Todos falam da crise mas nem todos a sentem
Muitos com razão, mas muitos deles apenas mentem
Crimes camuflados durante anos a fio
'Tavam lá todos eles mas ninguém viu
Não foi ninguém, ninguém fez nada,
E se por acaso perguntarem ninguém diz nada
Farto de ver intocáveis saírem impunes
Dizem que a justiça é para todos mas muitos são imunes
Dois pesos, duas medidas
Fazem o que fazem, seguem com as suas vidas
Para o povo não há facilidades
E os verdadeiros criminosos do lado errado das grades
(Refrão)
Farto destes filhos da puta,
Farto de cínicos
Farto de guerra
Governos de merda.
Esta junção deste artista - BOSS AC - está fabulosa, ainda para mais porque em algumas partes da música (incluindo o início), de fundo, ouvimos um instrumento lindo a soar.
Está uma batida comum, básica, mas simples e a meu ver, boa.
Apreciem os que apreciarem:
Farto De...
Boss AC
Farto de ser artista, fodasse
Farto destas merdas
Farto deles todos
Farto destes cabrões
Farto do Bush
Farto de guerra
Cambada de filhos da puta
Farto de ser culpado sem ter culpa de nada
Ser rejeitado, farto de conversa fiada
Farto deste sistema de merda que nos engole
Farto destes políticos a coçar colhões ao sol
Farto de promessas da treta
Sobem ao poder metem as promessas na gaveta
Farto de ver o país parado como uma lesma
Ver as moscas mudarem e a merda ser a mesma
Farto de os ver saltar quando os barcos naufragam
Quanto mais tiverem melhor, menos impostos pagam
Farto de rir quando me apetece chorar
Farto de comer calado e calado ficar
Farto das notícias na televisão
Farto de guerras, conflitos, fome e destruição
Farto de injustiças, tanta desigualdade
Cegos são os que fingem que não vêem a verdade
E eu tou farto caralho
Injustiça, Guerra, Racismo, Fome, Desemprego, Pobreza
E eu tou farto
Mentiras, Traição, Inveja, Cinismo, Maldade, Tristeza
E eu tou farto
Injustiça, Guerra, Racismo, Fome, Desemprego, Pobreza
E eu tou farto
Mentiras, Traição, Inveja, Cinismo, Maldade, Tristeza
Já chega.
Farto de miséria, o povo na pobreza
Uns deitam a comida fora, outros não a tem á mesa
Farto de rótulos, estigmas e preconceitos
Abrir os olhos e ver não temos os mesmos direitos
Farto de mentiras, farto de tentar acreditar
Farto de esperar sem ver nada a melhorar
Farto de ser a carta fora do baralho
Farto destes cabrões neste sistema do caralho
(Refrão)
Ver roubar o que é nosso, impávido e sereno
Ser acusado de coisas que eu próprio condeno
Farto de ser político quando só quero ser MC
Não te iludas ninguém quer saber de ti
Todos falam da crise mas nem todos a sentem
Muitos com razão, mas muitos deles apenas mentem
Crimes camuflados durante anos a fio
'Tavam lá todos eles mas ninguém viu
Não foi ninguém, ninguém fez nada,
E se por acaso perguntarem ninguém diz nada
Farto de ver intocáveis saírem impunes
Dizem que a justiça é para todos mas muitos são imunes
Dois pesos, duas medidas
Fazem o que fazem, seguem com as suas vidas
Para o povo não há facilidades
E os verdadeiros criminosos do lado errado das grades
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Farto destes filhos da puta,
Farto de cínicos
Farto de guerra
Governos de merda.
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