Despertei, depois de uma curta noite a sonhar atribuladamente e com micro despertares em pensamentos confusos e fugazes.
É madrugada e à bocado, foi como se algo me puxasse dentro de mim para fora da cama e eu sentisse:
é agora.
Trabalhei durante mais de uma década com toda a minha criatividade sempre para outrem. Várias marcas e empresas tiveram e têm a minha mente criativa e dedicada ao seu projecto.
Mesmo quando criei a minha empresa há 9 anos atrás (que nunca vingou) com muito trabalho, nada daquilo era a minha vontade e a minha paixão, fui atrás de uma vontade de criar de outra pessoa, apoiada na base de outro, com a motivação de criar algo. Mas o que criei não foi meu.
Ao longo destes anos a trabalhar em vários projectos de outros, ganhei a experiência necessária para inclusive ter segurança de dizer que sei exactamente o que é preciso para fazer acontecer.
Claro que criei pequenos projectos só meus, porque sempre tive um grito dentro de mim que várias vezes me invadiu e a vontade de criar sempre fez parte do meu nome. E criei várias vezes. Mas no final, eu apenas escondi, não acreditei, recusei, até cheguei a apagar a minha arte. Custa-me admitir, mas, eu tenho de admitir, eu recusei-me. Talvez me recuse há 32 anos.
Porquê?
Porque me recusei?
Existe alguém em mim que em algum momento não foi encorajado? Não teve apoio na devida altura? Cortaram-me as asas e lançaram-nas num abismo para eu não as ver mais?
Talvez.
Estarei a assumir o papel de vitimização?
Estarei a assumir o papel de vitimização?
Talvez.
Quero concentrar-me em permitir-me ser mais e se alguma vez alguém não foi capaz de melhor, inclusive eu mesma, vamos perdoar. Eu perdoo. Perdoo-me por ter fechado tantas vezes a minha criatividade num quarto escuro. Onde não há luz nem cor e tudo é frio, nada cresce a não ser as bactérias. Não quero mais fechar a minha criatividade em sítios desses. Aí nada de bom cresce e pensamos que nada de mal acontece, mas as bactérias não se vêm a olho nu. As bactérias abundam neste mundo e nem todas são boas.
Não quero desvirtuar a mensagem que me trouxe.
A minha vontade de criar incendiou-me esta noite. O fogo não me queimou desta vez, ele aqueceu-me.
Deixei de ser lume brando, chama intermitente. Sinto-me incandescente!
Quero sentir-me assim para sempre.
E sem culpa.
Quero criar mais de mim, quero pedaços da minha essência em todo o lugar, por todo o lado. Eu mereço!
E se for à escuridão novamente, que seja para iluminar!
Que a minha luz ilumine.
Sejamos todos esta chama que nos chama a nós mesmos! Sem culpa! Sem julgamento.
Não quero mais julgamento, não aceito!
E eu tenho muitas coisas a criar, para mim!
Chegou agora a altura de olhar para dentro e transbordar de mim sem vergonha.
Porque eu tenho uma mensagem que grita em mim há anos!
E eu não tenho de chegar a todos, basta chegar a mim mesma.
E eu não tenho de chegar a todos, basta chegar a mim mesma.
Já serei feliz assim. Fugi de mim muito tempo.
E não quero mais fugir.
Porque eu trago boas notícias.
Eu trago uma mensagem ao mundo.
Diana Marques Estêvão

