Tirei a nossa fotografia da moldura que me deste. A moldura que disseste ser para eu colocar uma fotografia nossa ou do L., se eu quisesse...
Cansei-me de esperar que viesses ao meu quarto ver-nos na moldura. Cansei-me, aliás, de muitas coisas. Às vezes precisamos de concretizar actos físicos para mover decisões dentro de nós; tirar-nos da moldura foi o meu «Adeus» a ti. A nós. E tem sido difícil dizer-te «Adeus». E acho que ainda não o disse com vontade. Vai aos poucos... É que o meu amor não acaba de um ano para o outro, como os que vejo por aí acabar... Julgo que nunca to prometi eternamente, porque sei que o ser humano é imperfeito, mas penso que foi melhor assim e dar-to sempre, que trair-te. Pois, mau, só mesmo prometer e não cumprir. Como fizeste.
A imagem que da moldura tirei, ganhou porém, lugar num dossier que até abro algumas vezes, para tirar de lá coisas... Não sou do tipo de rasgar fotografias e queimas cartas...! Guardo tudo!..., mesmo que a pessoa em questão já não me guarde no coração. Apesar de não serem precisas fotografias para que eu me lembre de ti - o meu amor fá-lo por elas. E agora elas são apenas um pedaço de papel cortante para a minha alegria..., que sangra ao focá-las. Mas eu sei que isto é como todos os amores verdadeiros: o tempo vai curando as feridas.
Tento convencer-me de que não fui eu que te perdi, que foste tu quem me perdeu...
Perdeste-me.
Mas o meu sentido racional explica-me que, só se perde o que se deseja, que quem não quer, nada perde.
Acabei por colocar na moldura a minha fotografia com o L. Assim quando olho sinto-me bem. É alguém que me quer. Andei a adiar a troca porque aquela moldura é complicadíssima de se usar... Tal como a tua pessoa é complicadíssima de se tirar de mim. Mas, se eu não tenho lugar em ti, para quê insistir em fazer-te merecer-me, se não me mereces?
Já pensei em retirar a tua imagem de outros lugares meus, onde te vejo mais vezes que a ti em pessoa.
Não te desejo o que de mal me aconteceu, pelo teu Ser ser tão imaturamente irresponsável neste acordo de sentimentos não cumprido... Mas, sei que inevitavelmente, há a probabilidade de com o tempo passado te lembrares da moldura que me deste e das fotografias que tirámos em tempos e, num velho sentimento de verdadeira saudade quereres ver, finalmente, a nossa fotografia na minha moldura... (...) ...mas aí, já o tempo vai longe e irás perceber (talvez por outros meios) que a moldura se trancou a imagens nossas e aí poderei dizer-te que:
"Não fui eu quem te perdeu."
Diana Estêvão, Setembro de 2009
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009
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