Leva-me.
Trespassa-me.
Toma-me.
Faz-me acreditar...
Convence-me de que estou viva...
Para eu parar de acordar...
Dá-me a vitalidade da transcendência,
A aventura da tua vivência...
Toca-me.
Embebeda-me de prazer.
Traz-me essa magia,
Esse teu preencher...
A tua euforia,
O teu eterno Ser...
Que eu quero ser.
A normalidade que já não me enche
É a que eu já não quero ter.
Vem buscar-me.
Apanhar-me.
Ir contigo não é morrer.
Ofélia Castro
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Os textos...
Não preciso somente nem demais das minhas experiências para escrever. Quase que só é necessário a minha imaginação... Não fosse ela produto também do que vivo e vejo...!
Não temos que escrever necessariamente o que nos acontece, nem quero isso. Eu escrevo o que me escreve a mente, repleta de surrealidades que umas vezes traduzo, outras nem as filtro, vão assim para o papel, numa sopa de letras lindíssima, a meu gosto - claro.
Quem escreve não tem que justificar-se do que quer que seja... mas eu até gosto, em algumas vezes. Eu gosto do leitor das minhas palavras... Eu amo o leitor. É o que dá vida às minhas palavras. São vós. Vós que lêem isto, sim. Não eu, que só escrevo... eu, por mim só não crio nada... São vocês que avivam as histórias, textos, frases..., vocês, gente que sente as palavras aqui plantadas, com amor.
É também pelo possível leitor que escrevo e não apenas por amar escrever. Que já é muito, sim.
O leitor pode ser 1 ou 300. Nada muda. Se um lê, um sentiu. E um sentimento não é menos que 1.000, só é 1 de 1.000.
Senti necessidade de criar uns pseudónimos... Parecem-me pseudónimos... espero não estar em erro. De qualquer maneira, espero que sejam do agrado daqueles que me dão vida às palavras plantadas.
Acho que não tenho muito mais a dizer... a não ser que o que escrevo, não tem que ser aquilo que vivo... como por exemplo eventuais textos que falem em possíveis traições. São o produto artístico que é belo por ser imaginado, independentemente de ter sido ou não vivido. São palavras criadas por sentimentos sentidos de verdade, mas em possíveis fingidas histórias. Compreendem...? A irrealidade - por vezes - é mais saborosa que a própria realidade.
Um abraço, Diana E.
Não temos que escrever necessariamente o que nos acontece, nem quero isso. Eu escrevo o que me escreve a mente, repleta de surrealidades que umas vezes traduzo, outras nem as filtro, vão assim para o papel, numa sopa de letras lindíssima, a meu gosto - claro.
Quem escreve não tem que justificar-se do que quer que seja... mas eu até gosto, em algumas vezes. Eu gosto do leitor das minhas palavras... Eu amo o leitor. É o que dá vida às minhas palavras. São vós. Vós que lêem isto, sim. Não eu, que só escrevo... eu, por mim só não crio nada... São vocês que avivam as histórias, textos, frases..., vocês, gente que sente as palavras aqui plantadas, com amor.
É também pelo possível leitor que escrevo e não apenas por amar escrever. Que já é muito, sim.
O leitor pode ser 1 ou 300. Nada muda. Se um lê, um sentiu. E um sentimento não é menos que 1.000, só é 1 de 1.000.
Senti necessidade de criar uns pseudónimos... Parecem-me pseudónimos... espero não estar em erro. De qualquer maneira, espero que sejam do agrado daqueles que me dão vida às palavras plantadas.
Acho que não tenho muito mais a dizer... a não ser que o que escrevo, não tem que ser aquilo que vivo... como por exemplo eventuais textos que falem em possíveis traições. São o produto artístico que é belo por ser imaginado, independentemente de ter sido ou não vivido. São palavras criadas por sentimentos sentidos de verdade, mas em possíveis fingidas histórias. Compreendem...? A irrealidade - por vezes - é mais saborosa que a própria realidade.
Um abraço, Diana E.
Amêndoa Amarga
Cansei-me de esperar por ti.
Bebi, bebi, bebi...
E não chegaste.
Deixaste que aparecesse
A desilusão e embriaguez,
Em vez de ti...
Mais uma vez.
Não me tragas mais desculpas.
Não...! Não venhas.
Cansei-me de desesperar.
Vai à merda que te quis
E que quiseste
Em vez de mim!
Que mal te fiz?
Como ficaste assim?!
Pouso o último copo,
Vazio,
E cago para ti...
Se ao menos trouxesses
De novo
O velho que houve em ti!
Levanto-me da cadeira,
Porra...
O corpo pesa-me...
Não tanto como tu
Me pesas no peito.
Merda...
Merda!
Sai daqui, sai de mim!
Deixa-me!...
Vai-te...
Vai-te!
Amélia Rosa (2008/09)
Bebi, bebi, bebi...
E não chegaste.
Deixaste que aparecesse
A desilusão e embriaguez,
Em vez de ti...
Mais uma vez.
Não me tragas mais desculpas.
Não...! Não venhas.
Cansei-me de desesperar.
Vai à merda que te quis
E que quiseste
Em vez de mim!
Que mal te fiz?
Como ficaste assim?!
Pouso o último copo,
Vazio,
E cago para ti...
Se ao menos trouxesses
De novo
O velho que houve em ti!
Levanto-me da cadeira,
Porra...
O corpo pesa-me...
Não tanto como tu
Me pesas no peito.
Merda...
Merda!
Sai daqui, sai de mim!
Deixa-me!...
Vai-te...
Vai-te!
Amélia Rosa (2008/09)
Compatibilidade de sentir
Tens perguntado por mim,
A ti,
Como eu o faço a mim,
Por ti?
Tens pensado em mim,
Tão inapropriadamente
Como eu tenho feito
Sobre ti?
Que faço aqui,
Neste jogo de imaginação?...
Não deveria estar neste lugar!...
Aqui é um local proibido
Este lugar onde te penso...
Ainda bem que não se lêem pensamentos.
Ainda bem que ninguém sabe
Os meus sentimentos...
Ainda bem que ninguém sonha
Que eu sonho contigo,
Ainda bem que ninguém sabe
Que eu te procuro
No silêncio que a noite me traz;
Este delicioso escuro
Que te traz a mim,
A tua presença imaginária,
Na minha vontade primária e
Ordinária
De um ser como eu... digamos...
De Consciência íntima imparável...
De vulnerabilidade emocional elevada...
De sensibilidade sensitiva apurada...
Mas...
De que me vale procurar-te?!, se
Ao acaso de te encontrar
E tu me fitares,
Não poderia eu tocar-te...?
Mesmo que seja mutua a vontade...
A velha culpa abate-me e eu
Prefiro prevenir que não me perdoar.
Mas... Já agora, TU...
Tens pensado em mim?!...
Também me ouves no teu silêncio?
Como eu te ouço... no meu?...
Também me queres?
Diz-me!
Também me sentes...?
Também me sonhas?...
Sonhas-me, mesmo eu
Não te podendo tocar?
Porque não posso.
Não devo...
Ofélia Castro
A ti,
Como eu o faço a mim,
Por ti?
Tens pensado em mim,
Tão inapropriadamente
Como eu tenho feito
Sobre ti?
Que faço aqui,
Neste jogo de imaginação?...
Não deveria estar neste lugar!...
Aqui é um local proibido
Este lugar onde te penso...
Ainda bem que não se lêem pensamentos.
Ainda bem que ninguém sabe
Os meus sentimentos...
Ainda bem que ninguém sonha
Que eu sonho contigo,
Ainda bem que ninguém sabe
Que eu te procuro
No silêncio que a noite me traz;
Este delicioso escuro
Que te traz a mim,
A tua presença imaginária,
Na minha vontade primária e
Ordinária
De um ser como eu... digamos...
De Consciência íntima imparável...
De vulnerabilidade emocional elevada...
De sensibilidade sensitiva apurada...
Mas...
De que me vale procurar-te?!, se
Ao acaso de te encontrar
E tu me fitares,
Não poderia eu tocar-te...?
Mesmo que seja mutua a vontade...
A velha culpa abate-me e eu
Prefiro prevenir que não me perdoar.
Mas... Já agora, TU...
Tens pensado em mim?!...
Também me ouves no teu silêncio?
Como eu te ouço... no meu?...
Também me queres?
Diz-me!
Também me sentes...?
Também me sonhas?...
Sonhas-me, mesmo eu
Não te podendo tocar?
Porque não posso.
Não devo...
Ofélia Castro
domingo, 27 de dezembro de 2009
«Tens escrito?»
«Tens escrito?»
Perguntam-me.
E aproveito esta deixa
Para mais um poema...
«Quando o tempo me permite.»
Quando ele me deixa,
eu escrevo.
E quando não deixa?
Eu forço.
Forças a escrita?
Não.
Forço o tempo.
A escrita é sempre
Fluída...
Nada espessa...
Nada forçada...
Nada, nada..., flutua.
Tomara eu ter o tempo
Amplo e fluído
Como a minha escrita,
Que tem mais quantidade
Que o meu tempo.
Ambígua esta última frase, hein?
Ás vezes a ausência do tempo
Dá-me tanta raiva que
Lhe desobedeço e estico-o
À minha maneira.
As palavras não se esticam...
Não se engordam.
Não se forçam.
É feio.
Alimentam-se, sim.
Crescem.
Voam.
Escrevem-se.
Diana Estêvão
Caros leitores: vou fazer uma coisa inédita, que aos olhos de muitos, será uma traição ao meu poema... Como sei que há gente que não grama muito poemas... vou transcrever o meu poema para texto, com leve alteração de pontuação, se necessário...
Aqui vai!
«Tens escrito?» - Perguntam-me. E aproveito esta deixa para mais um poema...
«Quando o tempo me permite.»; Quando ele me deixa, eu escrevo.
E quando não deixa?
Eu forço.
Forças a escrita?
Não. Forço o tempo. A escrita é sempre fluída... Nada espessa..., nada forçada... Nada, nada..., flutua.
Tomara eu ter o tempo amplo e fluído como a minha escrita, que tem mais quantidade que o meu tempo.
Ambígua esta última frase, hein?
Ás vezes a ausência do tempo dá-me tanta raiva que lhe desobedeço e estico-o à minha maneira.
As palavras não se esticam... Não se engordam. Não se forçam. É feio.
Alimentam-se, sim. Crescem. Voam. Escrevem-se.
Diana E.
Perguntam-me.
E aproveito esta deixa
Para mais um poema...
«Quando o tempo me permite.»
Quando ele me deixa,
eu escrevo.
E quando não deixa?
Eu forço.
Forças a escrita?
Não.
Forço o tempo.
A escrita é sempre
Fluída...
Nada espessa...
Nada forçada...
Nada, nada..., flutua.
Tomara eu ter o tempo
Amplo e fluído
Como a minha escrita,
Que tem mais quantidade
Que o meu tempo.
Ambígua esta última frase, hein?
Ás vezes a ausência do tempo
Dá-me tanta raiva que
Lhe desobedeço e estico-o
À minha maneira.
As palavras não se esticam...
Não se engordam.
Não se forçam.
É feio.
Alimentam-se, sim.
Crescem.
Voam.
Escrevem-se.
Diana Estêvão
Caros leitores: vou fazer uma coisa inédita, que aos olhos de muitos, será uma traição ao meu poema... Como sei que há gente que não grama muito poemas... vou transcrever o meu poema para texto, com leve alteração de pontuação, se necessário...
Aqui vai!
«Tens escrito?» - Perguntam-me. E aproveito esta deixa para mais um poema...
«Quando o tempo me permite.»; Quando ele me deixa, eu escrevo.
E quando não deixa?
Eu forço.
Forças a escrita?
Não. Forço o tempo. A escrita é sempre fluída... Nada espessa..., nada forçada... Nada, nada..., flutua.
Tomara eu ter o tempo amplo e fluído como a minha escrita, que tem mais quantidade que o meu tempo.
Ambígua esta última frase, hein?
Ás vezes a ausência do tempo dá-me tanta raiva que lhe desobedeço e estico-o à minha maneira.
As palavras não se esticam... Não se engordam. Não se forçam. É feio.
Alimentam-se, sim. Crescem. Voam. Escrevem-se.
Diana E.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Entrega à destruição; desistir
Afundo-me na banheira.
A pele descoberta denota as suas rugas.
Esta pele enrugada
Pela vontade de me afundar.
Permanentemente.
Pela minha cara
Escorrem verticalmente
Duas águas distintas.
A da banheira
E a da minha entranha.
Permaneço-me na cova branca
Embebida em líquido transparente.
E julgo-me a entrar
Na caixa de madeira
Que a terra engole lentamente.
Comer já não me alimenta.
Vou degustando palavras,
As minhas. Essas que são
Minhas filhas.
Afundo-me na banheira.
Converso versos e frases
Comigo, que já não me gosto.
Afundo-me na banheira.
Alimentar-me de palavras
Não me permite continuar...
Sinto-me afundar.
Será que quero continuar?
O líquido cobre a face
Por completo
E não me deixa respirar.
Ou sou eu que não quero voltar?
Deixo-me afundar.
As palavras, leva-mas a água.
O vento, já não me leva nada
Nem me trás o que quer que seja.
Deixo-me acobardar.
Corajosamente
Aguento a dor e insisto em ficar.
Adormeço.
Neste sono tão característico.
Deixei de sentir qualquer dor...
Não me voltem a acordar.
Ofélia Castro, Nov. 2009
A pele descoberta denota as suas rugas.
Esta pele enrugada
Pela vontade de me afundar.
Permanentemente.
Pela minha cara
Escorrem verticalmente
Duas águas distintas.
A da banheira
E a da minha entranha.
Permaneço-me na cova branca
Embebida em líquido transparente.
E julgo-me a entrar
Na caixa de madeira
Que a terra engole lentamente.
Comer já não me alimenta.
Vou degustando palavras,
As minhas. Essas que são
Minhas filhas.
Afundo-me na banheira.
Converso versos e frases
Comigo, que já não me gosto.
Afundo-me na banheira.
Alimentar-me de palavras
Não me permite continuar...
Sinto-me afundar.
Será que quero continuar?
O líquido cobre a face
Por completo
E não me deixa respirar.
Ou sou eu que não quero voltar?
Deixo-me afundar.
As palavras, leva-mas a água.
O vento, já não me leva nada
Nem me trás o que quer que seja.
Deixo-me acobardar.
Corajosamente
Aguento a dor e insisto em ficar.
Adormeço.
Neste sono tão característico.
Deixei de sentir qualquer dor...
Não me voltem a acordar.
Ofélia Castro, Nov. 2009
Repulsar o Desejo
Desenlaças-me a vontade protegida;
A que não demonstrei,
A que guardei
Cuidadosamente escondida.
Ao olhar-te, os teus olhos
Devoram o meu corpo vestido,
Despem-me a alma toda
E descobrem-me o segredo apetecido.
Escondi-me de ti
E o meu corpo não te viu.
Fugi do que senti
Mas o que senti
Dificilmente se encobriu…
As tuas mãos que não me tocam,
Sinto-as a devagar…?
Não são as tuas? São as minhas…
A imaginação insiste em enganar…!
De novo frente ao teu cheiro
Lanço-me e provo-te o sabor,
Trinco-te a alma cheia
E devoro em ti qualquer dor!
Não adianta fugir para o certo
Se o errado não existe.
O desejo ao estar perto
Embebeda o corpo que resiste.
Ofélia Castro
A que não demonstrei,
A que guardei
Cuidadosamente escondida.
Ao olhar-te, os teus olhos
Devoram o meu corpo vestido,
Despem-me a alma toda
E descobrem-me o segredo apetecido.
Escondi-me de ti
E o meu corpo não te viu.
Fugi do que senti
Mas o que senti
Dificilmente se encobriu…
As tuas mãos que não me tocam,
Sinto-as a devagar…?
Não são as tuas? São as minhas…
A imaginação insiste em enganar…!
De novo frente ao teu cheiro
Lanço-me e provo-te o sabor,
Trinco-te a alma cheia
E devoro em ti qualquer dor!
Não adianta fugir para o certo
Se o errado não existe.
O desejo ao estar perto
Embebeda o corpo que resiste.
Ofélia Castro
sábado, 24 de outubro de 2009
Compromisso com a fidelidade
Há frases que não podem ser ditas
Nem mesmo quando a noite tudo esconde e
O nosso olhar é nu e o nosso coração quer
E o nosso corpo se calhar já pensou.
Há sentimentos que queremos ignorar
Por nos comprometerem com a traição
Ou por nos darem uma falta de ar
Que nos faz arfar de desejo...
Não poderemos no entanto
Jamais negar, que o pensamento
Aos poucos se desmancha em palavras
E que o que um dia foram olhares,
Amanhã serão as nossas mãos deles escravas.
Ofélia Castro
Nem mesmo quando a noite tudo esconde e
O nosso olhar é nu e o nosso coração quer
E o nosso corpo se calhar já pensou.
Há sentimentos que queremos ignorar
Por nos comprometerem com a traição
Ou por nos darem uma falta de ar
Que nos faz arfar de desejo...
Não poderemos no entanto
Jamais negar, que o pensamento
Aos poucos se desmancha em palavras
E que o que um dia foram olhares,
Amanhã serão as nossas mãos deles escravas.
Ofélia Castro
Adiamento Crónico
Fica para outra altura.
Dizemos com um ar despreocupado...
Fica para outra altura,
Para quando a vontade não tiver lugar ocupado.
Fica para outra altura,
O que há a fazer sempre dura.
Dura?
Dura…
Por isso fica para outra altura.
O tempo cooooooooooooorrrrrrrrrreeeee...
E corre tão rápido, que
Chega a altura
E não houve tempo
Para que na dada altura
Já haja tempo de tratar da
Dura tarefa que dura e dura…
Mas que só dura e é dura
Porque se adia continuamente a altura...
Perdura…
O quê?
A brandura.
Porque a tarefa faz a altura
E não o inverso.
Quando já houver vontade
De fazer o que ainda dura,
O que perdurou, afinal
Já não dura!
Ai que maçadura…!
Agora passou a altura!
Passou?
Não…
Só não quis ser dura,
E dizer-te que sozinho,
O tempo, apenas, não cura…
Diana Estêvão 2009
Dizemos com um ar despreocupado...
Fica para outra altura,
Para quando a vontade não tiver lugar ocupado.
Fica para outra altura,
O que há a fazer sempre dura.
Dura?
Dura…
Por isso fica para outra altura.
O tempo cooooooooooooorrrrrrrrrreeeee...
E corre tão rápido, que
Chega a altura
E não houve tempo
Para que na dada altura
Já haja tempo de tratar da
Dura tarefa que dura e dura…
Mas que só dura e é dura
Porque se adia continuamente a altura...
Perdura…
O quê?
A brandura.
Porque a tarefa faz a altura
E não o inverso.
Quando já houver vontade
De fazer o que ainda dura,
O que perdurou, afinal
Já não dura!
Ai que maçadura…!
Agora passou a altura!
Passou?
Não…
Só não quis ser dura,
E dizer-te que sozinho,
O tempo, apenas, não cura…
Diana Estêvão 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Vou contar-te uma História Abstracta
Francamente,
É certo ter calma e
Aprender a esperar
Pela razão polida
Pela experiência de amar.
Certamente,
É franca a forma como te sinto,
E “perdidamente”,
É palavra que utilizo
E com que não te minto
Quando exclamo que te amo,
Neste meu labirinto.
Completamente
Ciente da realidade envolvente,
Sigo cada vez menos preocupada
Com a história que vem à nossa frente.
É simples e agradável apenas pensar,
No barco que agora navega
Neste alto mar.
E não no porto desconhecido
Nem na chegada futura do barco perdido,
Navegado
Sem sentido
E ultrapassado…
Pelo ansioso passado…
Que não leva senão
À ausência de significado…
À que aniquilar pensamentos que roubam
Probabilidades de acontecer
O nunca esperado viver.
À que matar o ladrão de expectativas,
À que deixar de alimentar
As ideias imperativas,
Movidas pelo ciúme que corrói
A alma, o espírito, o ser,
Este nosso bem maior,
Que às vezes dói
E nunca deveria doer…
Porque não mata, mas mói
Às vezes até apodrecer…
Suspiro, respiro,
fundo, bem profundo…
Até acalmar a revolta
Deste meu mundo.
E disfarçar a cicatriz
Que ficou na minha escolta,
Provoca pela Mágoa Imperatriz
Que tocou no meu íntimo e
Mexeu os sentimentos à minha volta…
Não te troco por estas lembranças,
Sim, quero tê-las em conta,
Mas longe das nossas esperanças.
Tudo perde o sentido se não há confiança
Apesar de por vezes não ser isso
E tudo estar escondido atrás da insegurança,
E se tratar apenas
De relembrar o amargo,
De ter medo de voltar
A trincar o mau bocado…
Desculpa se alguma vez
Fui inconveniente,
Desculpa se desconfiei de ti
E de algo tão evidente
Como o teu sentimento
Sincero pela minha pessoa,
Se te fiz ficar triste
Com algo que até te doa…
…Pensar que eu pensei
Assim à toa…
Moscatel,
Stress,
Solúvel,
Carpex,
Literatura de cordel,
Tudo na sopa de mel
Dos nossos momentos,
Tudo junto na prova
Que prova os nossos sentimentos,
Nesta trova sem pele,
Nua de ressentimentos,
Apenas vestida de um sentimento:
Eu por ti,
Tu por mim, um pelo outro,
E percebo por fim,
A força deste sopro
Que te sai nos actos
E não na voz…!
É incrível,
Mas é o som do que sentes
Reflectido apenas a sós.
Já te disse como estou feliz?
Sim, foi forte, inesperado,
Como um triz.
Como o sonho iludido
Que nunca foi alcançado.
Estou feliz, sim,
Desta forma tão estranha a mim.
Mas nada foi desajustado,
Aconteceu… assim…
Que mesmo assim, há muito era esperado.
Diana Estêvão 17 de Setembro de 2007
É certo ter calma e
Aprender a esperar
Pela razão polida
Pela experiência de amar.
Certamente,
É franca a forma como te sinto,
E “perdidamente”,
É palavra que utilizo
E com que não te minto
Quando exclamo que te amo,
Neste meu labirinto.
Completamente
Ciente da realidade envolvente,
Sigo cada vez menos preocupada
Com a história que vem à nossa frente.
É simples e agradável apenas pensar,
No barco que agora navega
Neste alto mar.
E não no porto desconhecido
Nem na chegada futura do barco perdido,
Navegado
Sem sentido
E ultrapassado…
Pelo ansioso passado…
Que não leva senão
À ausência de significado…
À que aniquilar pensamentos que roubam
Probabilidades de acontecer
O nunca esperado viver.
À que matar o ladrão de expectativas,
À que deixar de alimentar
As ideias imperativas,
Movidas pelo ciúme que corrói
A alma, o espírito, o ser,
Este nosso bem maior,
Que às vezes dói
E nunca deveria doer…
Porque não mata, mas mói
Às vezes até apodrecer…
Suspiro, respiro,
fundo, bem profundo…
Até acalmar a revolta
Deste meu mundo.
E disfarçar a cicatriz
Que ficou na minha escolta,
Provoca pela Mágoa Imperatriz
Que tocou no meu íntimo e
Mexeu os sentimentos à minha volta…
Não te troco por estas lembranças,
Sim, quero tê-las em conta,
Mas longe das nossas esperanças.
Tudo perde o sentido se não há confiança
Apesar de por vezes não ser isso
E tudo estar escondido atrás da insegurança,
E se tratar apenas
De relembrar o amargo,
De ter medo de voltar
A trincar o mau bocado…
Desculpa se alguma vez
Fui inconveniente,
Desculpa se desconfiei de ti
E de algo tão evidente
Como o teu sentimento
Sincero pela minha pessoa,
Se te fiz ficar triste
Com algo que até te doa…
…Pensar que eu pensei
Assim à toa…
Moscatel,
Stress,
Solúvel,
Carpex,
Literatura de cordel,
Tudo na sopa de mel
Dos nossos momentos,
Tudo junto na prova
Que prova os nossos sentimentos,
Nesta trova sem pele,
Nua de ressentimentos,
Apenas vestida de um sentimento:
Eu por ti,
Tu por mim, um pelo outro,
E percebo por fim,
A força deste sopro
Que te sai nos actos
E não na voz…!
É incrível,
Mas é o som do que sentes
Reflectido apenas a sós.
Já te disse como estou feliz?
Sim, foi forte, inesperado,
Como um triz.
Como o sonho iludido
Que nunca foi alcançado.
Estou feliz, sim,
Desta forma tão estranha a mim.
Mas nada foi desajustado,
Aconteceu… assim…
Que mesmo assim, há muito era esperado.
Diana Estêvão 17 de Setembro de 2007
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Mente, mais que o corpo...
Para quem partilha comigo esta desmultiplicação,
Desabafo-vos em segredo, num segredo partilhado
Que a vontade de criar me morde, me fere
Por tanto querer e tão pouco conseguir acabar...
O tempo não é o que somos
E o que somos jamais teremos tempo de mostrar;
A minha criação interior não pára!
E eu digo-me para parar
Porque eu não tenho tempo de nos mostrar...
Mata-me o sonho de sonhar!
Dói-me a vontade de querer e não poder!
Trespassam-me ideias que não agarro
Pelo tempo que não me resta para as aplicar
E elas passam e deixam ferida em vez de ficar!
Dêem-me tempo! Dêem-me vida! Dêem-me amor!
Que continuarei a criar.
O meu Ser é mais do que a minha carne
E acabo por não me suportar!
Acabo-me em ranço, porque pequei por perdurar!...
Olho para o Sol com os olhos atrás das pálpebras,
A pele sente-se a aquecer,
O vento engana-a e fico ali para o ver boiar no mar,
É aí que arranjo mais saúde mental para mais ideias
E é nos comboios, nas músicas, nos autocarros que projecto
O que a minha mente sã me dá!
Mas...
Para quê?
Não consigo criar... só faço imaginar.
Levarei para o meu caixão as minhas obras
Conceptuais imaginárias...
E apodrecerão com as minhas entranhas.
Venham buscar-mas...! As ideias, claro!
Para definir-me, eu, de uma vez e não levar os meus comigo...
E achar-me no meio da perda.
Depois partirei em paz,
Porque sozinha não serei capaz.
Desabafo-vos em segredo, num segredo partilhado
Que a vontade de criar me morde, me fere
Por tanto querer e tão pouco conseguir acabar...
O tempo não é o que somos
E o que somos jamais teremos tempo de mostrar;
A minha criação interior não pára!
E eu digo-me para parar
Porque eu não tenho tempo de nos mostrar...
Mata-me o sonho de sonhar!
Dói-me a vontade de querer e não poder!
Trespassam-me ideias que não agarro
Pelo tempo que não me resta para as aplicar
E elas passam e deixam ferida em vez de ficar!
Dêem-me tempo! Dêem-me vida! Dêem-me amor!
Que continuarei a criar.
O meu Ser é mais do que a minha carne
E acabo por não me suportar!
Acabo-me em ranço, porque pequei por perdurar!...
Olho para o Sol com os olhos atrás das pálpebras,
A pele sente-se a aquecer,
O vento engana-a e fico ali para o ver boiar no mar,
É aí que arranjo mais saúde mental para mais ideias
E é nos comboios, nas músicas, nos autocarros que projecto
O que a minha mente sã me dá!
Mas...
Para quê?
Não consigo criar... só faço imaginar.
Levarei para o meu caixão as minhas obras
Conceptuais imaginárias...
E apodrecerão com as minhas entranhas.
Venham buscar-mas...! As ideias, claro!
Para definir-me, eu, de uma vez e não levar os meus comigo...
E achar-me no meio da perda.
Depois partirei em paz,
Porque sozinha não serei capaz.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O brilho intenso que emanas (Poema-prenda de aniversário a alguém querido)
Quem te olha nem sempre te vê
Com essa capa de alegria
Que envergas em ti
Neste Dia, mais um dia,
Ontem, amanhã, dia após dia.
És uma lição para mim,
Por mim falo e,
Julgo que por outros também,
Porque não sou só eu que te vejo, para além
Do brilho intenso que emanas
Mesmo com lágrimas que te escorrem por dentro
E não se vêm do lado de fora,
Esse lado que não chora.
És uma esperança, no olhar dos que olhas e tocas,
És como um
Poema que encanta a alma mais desgraçada
És uma marca na terra,
Mais ainda do que a terra numa marca negra,
És a felicidade numa criança cega,
És um mundo a fazer a translação à volta da paz utópica,
És o tempo a voltar atrás, quando ele não quer voltar mais,
És a libertação do gesto carinhoso condensado da humanidade,
És mais que humana, és um anjo que paira e não pára,
Porque ama.
Corres, segues, pulas, cais, mas não paras,
Pois: "Na natureza nada se cria,
Nada se perde, tudo se transforma",
E tu, lição, inspiração, és matéria que não morre,
És espírito que não torpe, és criança que ri,
Sorriso que não finda…
As palavras que da tua boca saem, nunca amargarão.
E surpresas não chegam, para te saudar,
Amar, ou até mesmo quebrar, pois não há quem te destrua
E quebre esse colorido que espalhas, pois não há gente como tu,
E se houvesse, mesmo podendo,
Não quereriam destruir
O que quer que fosse.
Se eu encontrasse palavras para te louvar, mas és tão grande…
Maior que as palavras, que a minha capacidade de te explicar.
Diana Estêvão, 9 de Dezembro de 2008 (entregue a 10 de Dezembro)
Com essa capa de alegria
Que envergas em ti
Neste Dia, mais um dia,
Ontem, amanhã, dia após dia.
És uma lição para mim,
Por mim falo e,
Julgo que por outros também,
Porque não sou só eu que te vejo, para além
Do brilho intenso que emanas
Mesmo com lágrimas que te escorrem por dentro
E não se vêm do lado de fora,
Esse lado que não chora.
És uma esperança, no olhar dos que olhas e tocas,
És como um
Poema que encanta a alma mais desgraçada
És uma marca na terra,
Mais ainda do que a terra numa marca negra,
És a felicidade numa criança cega,
És um mundo a fazer a translação à volta da paz utópica,
És o tempo a voltar atrás, quando ele não quer voltar mais,
És a libertação do gesto carinhoso condensado da humanidade,
És mais que humana, és um anjo que paira e não pára,
Porque ama.
Corres, segues, pulas, cais, mas não paras,
Pois: "Na natureza nada se cria,
Nada se perde, tudo se transforma",
E tu, lição, inspiração, és matéria que não morre,
És espírito que não torpe, és criança que ri,
Sorriso que não finda…
As palavras que da tua boca saem, nunca amargarão.
E surpresas não chegam, para te saudar,
Amar, ou até mesmo quebrar, pois não há quem te destrua
E quebre esse colorido que espalhas, pois não há gente como tu,
E se houvesse, mesmo podendo,
Não quereriam destruir
O que quer que fosse.
Se eu encontrasse palavras para te louvar, mas és tão grande…
Maior que as palavras, que a minha capacidade de te explicar.
Diana Estêvão, 9 de Dezembro de 2008 (entregue a 10 de Dezembro)
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Tirei-te da minha moldura
Tirei a nossa fotografia da moldura que me deste. A moldura que disseste ser para eu colocar uma fotografia nossa ou do L., se eu quisesse...
Cansei-me de esperar que viesses ao meu quarto ver-nos na moldura. Cansei-me, aliás, de muitas coisas. Às vezes precisamos de concretizar actos físicos para mover decisões dentro de nós; tirar-nos da moldura foi o meu «Adeus» a ti. A nós. E tem sido difícil dizer-te «Adeus». E acho que ainda não o disse com vontade. Vai aos poucos... É que o meu amor não acaba de um ano para o outro, como os que vejo por aí acabar... Julgo que nunca to prometi eternamente, porque sei que o ser humano é imperfeito, mas penso que foi melhor assim e dar-to sempre, que trair-te. Pois, mau, só mesmo prometer e não cumprir. Como fizeste.
A imagem que da moldura tirei, ganhou porém, lugar num dossier que até abro algumas vezes, para tirar de lá coisas... Não sou do tipo de rasgar fotografias e queimas cartas...! Guardo tudo!..., mesmo que a pessoa em questão já não me guarde no coração. Apesar de não serem precisas fotografias para que eu me lembre de ti - o meu amor fá-lo por elas. E agora elas são apenas um pedaço de papel cortante para a minha alegria..., que sangra ao focá-las. Mas eu sei que isto é como todos os amores verdadeiros: o tempo vai curando as feridas.
Tento convencer-me de que não fui eu que te perdi, que foste tu quem me perdeu...
Perdeste-me.
Mas o meu sentido racional explica-me que, só se perde o que se deseja, que quem não quer, nada perde.
Acabei por colocar na moldura a minha fotografia com o L. Assim quando olho sinto-me bem. É alguém que me quer. Andei a adiar a troca porque aquela moldura é complicadíssima de se usar... Tal como a tua pessoa é complicadíssima de se tirar de mim. Mas, se eu não tenho lugar em ti, para quê insistir em fazer-te merecer-me, se não me mereces?
Já pensei em retirar a tua imagem de outros lugares meus, onde te vejo mais vezes que a ti em pessoa.
Não te desejo o que de mal me aconteceu, pelo teu Ser ser tão imaturamente irresponsável neste acordo de sentimentos não cumprido... Mas, sei que inevitavelmente, há a probabilidade de com o tempo passado te lembrares da moldura que me deste e das fotografias que tirámos em tempos e, num velho sentimento de verdadeira saudade quereres ver, finalmente, a nossa fotografia na minha moldura... (...) ...mas aí, já o tempo vai longe e irás perceber (talvez por outros meios) que a moldura se trancou a imagens nossas e aí poderei dizer-te que:
"Não fui eu quem te perdeu."
Diana Estêvão, Setembro de 2009
Cansei-me de esperar que viesses ao meu quarto ver-nos na moldura. Cansei-me, aliás, de muitas coisas. Às vezes precisamos de concretizar actos físicos para mover decisões dentro de nós; tirar-nos da moldura foi o meu «Adeus» a ti. A nós. E tem sido difícil dizer-te «Adeus». E acho que ainda não o disse com vontade. Vai aos poucos... É que o meu amor não acaba de um ano para o outro, como os que vejo por aí acabar... Julgo que nunca to prometi eternamente, porque sei que o ser humano é imperfeito, mas penso que foi melhor assim e dar-to sempre, que trair-te. Pois, mau, só mesmo prometer e não cumprir. Como fizeste.
A imagem que da moldura tirei, ganhou porém, lugar num dossier que até abro algumas vezes, para tirar de lá coisas... Não sou do tipo de rasgar fotografias e queimas cartas...! Guardo tudo!..., mesmo que a pessoa em questão já não me guarde no coração. Apesar de não serem precisas fotografias para que eu me lembre de ti - o meu amor fá-lo por elas. E agora elas são apenas um pedaço de papel cortante para a minha alegria..., que sangra ao focá-las. Mas eu sei que isto é como todos os amores verdadeiros: o tempo vai curando as feridas.
Tento convencer-me de que não fui eu que te perdi, que foste tu quem me perdeu...
Perdeste-me.
Mas o meu sentido racional explica-me que, só se perde o que se deseja, que quem não quer, nada perde.
Acabei por colocar na moldura a minha fotografia com o L. Assim quando olho sinto-me bem. É alguém que me quer. Andei a adiar a troca porque aquela moldura é complicadíssima de se usar... Tal como a tua pessoa é complicadíssima de se tirar de mim. Mas, se eu não tenho lugar em ti, para quê insistir em fazer-te merecer-me, se não me mereces?
Já pensei em retirar a tua imagem de outros lugares meus, onde te vejo mais vezes que a ti em pessoa.
Não te desejo o que de mal me aconteceu, pelo teu Ser ser tão imaturamente irresponsável neste acordo de sentimentos não cumprido... Mas, sei que inevitavelmente, há a probabilidade de com o tempo passado te lembrares da moldura que me deste e das fotografias que tirámos em tempos e, num velho sentimento de verdadeira saudade quereres ver, finalmente, a nossa fotografia na minha moldura... (...) ...mas aí, já o tempo vai longe e irás perceber (talvez por outros meios) que a moldura se trancou a imagens nossas e aí poderei dizer-te que:
"Não fui eu quem te perdeu."
Diana Estêvão, Setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Vida p'la Morte e Morte p'la Vida
Atravessem os tempos,
Atravessem as vontades,
Atravessem muralhas,
Morram almas!
Morram corações!
Tragam-nos mais nações!
Mas planetas,
Mais nuvens e Sois,
Plantas e sementes,
Neblinas e gentes,
Micróbios e serpentes,
Mais maçãs e
Pecados originais,
Homens, mulheres e
Animais irracionais!
Morram terras e a Terra,
Nasçam mais estrelas e serras!
Mais de nós, mais dos
Mesmos e dos outros!
Isto durante: mais unidades
E números de série que
Aqueles milénios que criámos...
Gerações! Não de gentes...!
Algo maior: galáxias de existências!
Mais daquilo que não sabemos ser,
Mais daquilo que não sabemos
Nem soubemos ter!
Venham! Oh sim!...
Mais Terras,
Mais humanos!
Mais guerras e planos!
Força!
Venham magmas
E armas,
Matar o que nasceu!
Que somos perfeitos demais
Para existir a mais!
Morramos à fome!
À inveja que nos consome!
E esqueçamo-nos
Desta forma (estúpida),
Que fomos construídos
pelo virtuosismo
de Alguém... Quem?
E lembrem-se:
«Nada cria, nada se destrói, tudo se transforma.»
Pois é então agora!
Venham mais!
Que é hora!
Para acompanhar com (se desejarem): http://www.youtube.com/watch?v=aSmnYTYqh0w&feature=PlayList&p=22EC96A35A1E2513&index=2
Atravessem as vontades,
Atravessem muralhas,
Morram almas!
Morram corações!
Tragam-nos mais nações!
Mas planetas,
Mais nuvens e Sois,
Plantas e sementes,
Neblinas e gentes,
Micróbios e serpentes,
Mais maçãs e
Pecados originais,
Homens, mulheres e
Animais irracionais!
Morram terras e a Terra,
Nasçam mais estrelas e serras!
Mais de nós, mais dos
Mesmos e dos outros!
Isto durante: mais unidades
E números de série que
Aqueles milénios que criámos...
Gerações! Não de gentes...!
Algo maior: galáxias de existências!
Mais daquilo que não sabemos ser,
Mais daquilo que não sabemos
Nem soubemos ter!
Venham! Oh sim!...
Mais Terras,
Mais humanos!
Mais guerras e planos!
Força!
Venham magmas
E armas,
Matar o que nasceu!
Que somos perfeitos demais
Para existir a mais!
Morramos à fome!
À inveja que nos consome!
E esqueçamo-nos
Desta forma (estúpida),
Que fomos construídos
pelo virtuosismo
de Alguém... Quem?
E lembrem-se:
«Nada cria, nada se destrói, tudo se transforma.»
Pois é então agora!
Venham mais!
Que é hora!
Para acompanhar com (se desejarem): http://www.youtube.com/watch?v=aSmnYTYqh0w&feature=PlayList&p=22EC96A35A1E2513&index=2
Um brinde a uma amizade de uma década!
Encantas o mundo com esse teu sorriso,
que todas as manhãs vestes,
que veste o coração de todos
com uma alegria
de que muitas manhãs já não são capaz.
Mas não é apenas o teu sorriso
que me faz amar-te, tal como outros te adoram...
Apaixonas este e outro mundo
com o teu espírito livre,
que dá asas a quem te sente.
Mas não é apenas essa liberdade que me apaixona,
como o mundo se apaixona por ti.
A tua alegria,
alegra o Sol,
o Mar,
o Vento,
o Tempo... o mundo envolvente...!
Num tempo em que o mundo... deprime.
Mas não é, mais uma vez,
apenas a tua alegria que me alegra e fascina,
como as gentes se alegram ao ver-te passar...
Não são apenas os teus sonhos que me fazem sonhar...
O que me fascina por inteiro, e me leva a permanecer,
é a tua força de viver,
o teu ser singular,
a tua alma poderosa,
que trás do céu a magia que a terra implora...
Na certeza do teu doce olhar.
Diana Estêvão, 2005
Forte Chama Fria
Deitas-me numa confortável cama suspensa
Ao Sol que me ilumina,
Trazes-me encoberta a paz da vida,
Mostras-me essa tua ilusória visão
Através da minha danificada retina
E queres que te dê a mão,
Porque sabes que é longa a subida.
Postos os valores de ferro lá no alto,
Os carinhos de papel pesam e começam a cair!...
Ninguém os agarra porque afinal, são leves em demasia.
Perdem-se pelo asfalto e é vê-los a ir...
Quase a cair no lago das desvontades,
Agora, quem os quis um dia, já não queria...
E traída uma promessa de carinho eterno,
A velha desconfiança por excesso, agora confirma
Que a demasia não cobre uma vida e
Nem aviva a nossa chama
Que afinal numa das metades, é tão fria...
E num último desabafo de esperança e espera
Tiras-me tudo e o resto num gesto!
Revelas a tua real frigidez, que me supera
E eu caio nua da cama que me fizeste!
Sem a tua mão e protecção...
E eu desisto.
O tempo ensinará a amar quem não mereceu o amor.
E no silêncio e na solidão
Todos se lembram de quem realmente os amou.
Jamais o tempo dará a felicidade de ter de novo no coração
O que perdemos em mãos... E como o tempo nunca perdoou
Sei que no silêncio, vais lembrar-te de mim.
Diana Estêvão, 2009
Ao Sol que me ilumina,
Trazes-me encoberta a paz da vida,
Mostras-me essa tua ilusória visão
Através da minha danificada retina
E queres que te dê a mão,
Porque sabes que é longa a subida.
Postos os valores de ferro lá no alto,
Os carinhos de papel pesam e começam a cair!...
Ninguém os agarra porque afinal, são leves em demasia.
Perdem-se pelo asfalto e é vê-los a ir...
Quase a cair no lago das desvontades,
Agora, quem os quis um dia, já não queria...
E traída uma promessa de carinho eterno,
A velha desconfiança por excesso, agora confirma
Que a demasia não cobre uma vida e
Nem aviva a nossa chama
Que afinal numa das metades, é tão fria...
E num último desabafo de esperança e espera
Tiras-me tudo e o resto num gesto!
Revelas a tua real frigidez, que me supera
E eu caio nua da cama que me fizeste!
Sem a tua mão e protecção...
E eu desisto.
O tempo ensinará a amar quem não mereceu o amor.
E no silêncio e na solidão
Todos se lembram de quem realmente os amou.
Jamais o tempo dará a felicidade de ter de novo no coração
O que perdemos em mãos... E como o tempo nunca perdoou
Sei que no silêncio, vais lembrar-te de mim.
Diana Estêvão, 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Comunicado
Ter um blogue é para todos.
O conteúdo moralmente apetecível e de qualidade, já não... Mas não foi só a qualidade ou ausência dela naquilo que faço, que me impediu de ter um, há mais tempo.
Há anos que me disseram para o fazer. (Então, porque não?)
Tive uns textos e umas palavras vagas - outras profundas - num blogue mais leve, o blogue que o "hi5" contém... uns comentários lá... Por fora uns incentivos... O meu orgulho pelo meu produto e o meu receio. Pela qualidade dele ou a simpatia dos que me gostam. E apesar do medo, criei o que alguns conhecidos e amigos me disseram para criar ao longo dos tempos. Se eles querem, eles que são o (possível) público, quem sou eu para não dar de mim o que me querem?
Há um ano criei este blogue, sem ninguém saber. Guardei-o para mim. Em privado, num segredo amado, com a questão ambivalente de colocar o meu blogue público... Mostrar-me assim... tão nua...?
Sinto-me poeta e ninguém me pode dizer que o não sou, se o sinto em mim mais do que a mim.
O poeta que mostra as suas frases a outrem, mostra o seu corpo nu, mostra o seu espírito no seu estado mais puro, mostra as suas fraquezas e as suas emoções.
As suas lágrimas em forma de letras,
cada uma seguida de outra!
Pingando pelo rosto e papel moles,
gota a letra, sem terem forma nem textura,
tão transparentes como o sentir que as revelou...
Mostrarmos o que escrevemos é como quando canto para o público: franzo as sobrancelhas num acto tão naturalmente belo de emoção..., como respirar!
É como um artista que guarda os seus desenhos e as suas telas e esculturas na velha sala escura e um dia aceita mostrá-los numa sala iluminada, tão exposta, tão impura... aceita dar-se, aceita emprestar os seus sentimentos incrustados na matéria que fez aquelas peças, peças que as pessoas observam e tentam adivinhar o significado. Às vezes não sabendo que o significado não é feito de formas identificáveis... de formas fáceis de compreender.
"Será que quero dar-me assim?" Repeti para mim. Afinal, durante aproximadamente um ano. E passou tão rápido que não o soube, a não ser quando o li, aqui algures, neste livro sem capa dura.
É tão curioso, é um misto estafante de querer ter coragem para mostrar e querer esconder!
Serei assim tão forte para mostrar-me a vós, nua?
Fui.
BOSS AC - «Carta ao Pai Natal»
Há uma coisa curiosa que costumo fazer desde que me lembro... Não costumo adorar o autor dos produtos fabulosos que absorvo com os meus sentimentos... gosto e amo, apenas o produto, a arte... será egoísta às vezes quase desprezar o autor da obra...? Também acho que sim. Mas noto mais isso na música... Não gostaria que o fizessem a mim...
Mais uma música dele. Com clip e letra. Há que ler a excelente argumentação e a ausência de hipocrisia nestes poemas...
"Olá Pai Natal
É a primeira vez que escrevo para ti
Venho de Lisboa e o pessoal chama-me AC
Desculpa o atrevimento mas tenho alguns pedidos
Espero que não fiquem nalguma prateleira esquecidos
Como nunca te pedi nada
Peço tudo duma vez e fica a conversa despachada
Talvez aches os pedidos meio extravagantes
Queria que pusesses juízo na cabeça destes governantes
Tira-lhes as armas e a vontade da guerra
É que se não acabamos a pedir-te uma nova Terra
Ao sem-abrigo indigente, dá-lhe uma vida decente
E arranja-lhe trabalho em vez de mais uma sopa quente
E ao pobre coitado, e ao desempregado
Arranja-lhe um emprego em que ele não se sinta explorado
E ao soldado, manda-o de volta para junto da mulher
Acredita que é isso que ele quer
Vai ver África de perto, não vejas pelos jornais
Dá de comer ás crianças ergue escolas e hospitais
Cura as doenças e distribui vacinas
Dá carrinhos aos meninos e bonecas ás meninas
E dá-lhes paz e alegria
Ao idoso sozinho em casa, arranja-lhe boa companhia
Já sei que só ofereces aos meninos bem comportados
Mas alguns portam-se mal e dás condomínios fechados
Jactos privados, carros topo de gama importados
Grandes ordenados, apagas pecados a culpados
Desculpa o pouco entusiasmo, não me leves a mal
Não percebo como é que isto se tornou um feriado comercial
Parece que é desculpa para um ano de costas voltadas
E a única coisa que interessa é se as prendas tão compradas
E quando passa o Natal, dás à sola?
Há quem diga que tu não existes, quem te inventou foi a Coca-Cola
Não te preocupes, que eu não digo a ninguém
Se és Pai Natal é porque és pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar
Muita Felicidade, saúde acima de tudo
Se puderes dá-nos boas notas com pouco estudo
Desculpa o incómodo e continua com as tuas prendas
Feliz Natal para ti e já agora baixa as rendas"
Mais uma música dele. Com clip e letra. Há que ler a excelente argumentação e a ausência de hipocrisia nestes poemas...
"Olá Pai Natal
É a primeira vez que escrevo para ti
Venho de Lisboa e o pessoal chama-me AC
Desculpa o atrevimento mas tenho alguns pedidos
Espero que não fiquem nalguma prateleira esquecidos
Como nunca te pedi nada
Peço tudo duma vez e fica a conversa despachada
Talvez aches os pedidos meio extravagantes
Queria que pusesses juízo na cabeça destes governantes
Tira-lhes as armas e a vontade da guerra
É que se não acabamos a pedir-te uma nova Terra
Ao sem-abrigo indigente, dá-lhe uma vida decente
E arranja-lhe trabalho em vez de mais uma sopa quente
E ao pobre coitado, e ao desempregado
Arranja-lhe um emprego em que ele não se sinta explorado
E ao soldado, manda-o de volta para junto da mulher
Acredita que é isso que ele quer
Vai ver África de perto, não vejas pelos jornais
Dá de comer ás crianças ergue escolas e hospitais
Cura as doenças e distribui vacinas
Dá carrinhos aos meninos e bonecas ás meninas
E dá-lhes paz e alegria
Ao idoso sozinho em casa, arranja-lhe boa companhia
Já sei que só ofereces aos meninos bem comportados
Mas alguns portam-se mal e dás condomínios fechados
Jactos privados, carros topo de gama importados
Grandes ordenados, apagas pecados a culpados
Desculpa o pouco entusiasmo, não me leves a mal
Não percebo como é que isto se tornou um feriado comercial
Parece que é desculpa para um ano de costas voltadas
E a única coisa que interessa é se as prendas tão compradas
E quando passa o Natal, dás à sola?
Há quem diga que tu não existes, quem te inventou foi a Coca-Cola
Não te preocupes, que eu não digo a ninguém
Se és Pai Natal é porque és pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar
Muita Felicidade, saúde acima de tudo
Se puderes dá-nos boas notas com pouco estudo
Desculpa o incómodo e continua com as tuas prendas
Feliz Natal para ti e já agora baixa as rendas"
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Breve reflexão sobre hip-hop e "Boss AC com Mariza" - «Alguém me ouviu» (do álbum "Mantem-te firme")
Eu sou das pessoas com o gosto musical mais diversificado que conheço.
Pensei que com o passar dos anos, a minha paixão por Hip-Hop se desvanecesse, como aconteceu com os meus belos 14 e 15 anos. Mas afinal a paixão ficou. Mas não gosto de todo o tipo de Hip-Hop... Quando é do tipo que eu gosto, o meu coração bate mais vezes por minuto, porque o tipo de Hip-Hop com que eu me emociono tem poemas de excelente qualidade e uma música de fundo com a presença de belos instrumentos musicais. Não é que não goste de ouvir aquelas batidas tão características do Hip-Hop..., também gosto. Mas há Hip-Hop e Hip-Hop, para quem souber distinguir... e, há gostos e gostos. E aos 21, 22 e mais adiante, julgo, gosto de ouvir esta música (hip-Hop) com tanta idade (já se aperceberam da idade do Hip-Hop?).
Tenho especial emoção pelos poemas deste Sr. que se segue, que se designa por BOSS AC. E gosto mais de achá-lo poeta e declamador de poemas que cantor... Julgo que ele tem uma voz bonita, forte, mas não canta, ele declama - ao som da música.
Este poeta escreve com as frases exactas os sentimentos mais difíceis de escrever. Gosto muito de lê-lo. E também ouvi-lo. E eu adoro fado... E esta música é... uma emocionante junção...
Boss AC com Mariza - Alguém me ouviu (do álbum "Mantem-te firme")
"Não me resta nada
Sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado
Com tanta gente á minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir
Isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo
A esperança pouco me resta
Triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem
O tempo passa
Sinto o cansaço
O vento sopra
Ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece
Algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino
Nem sei se estou acordado
Sorriso escasseia
Hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe
Mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz
(M) Chorei
(M) Mas não sei se alguém me ouviu
(M) E não sei se quem me viu
(M) Sabe a dor que em mim carrego
(M) E a angústia que se esconde
(M) Vou ser forte e vou-me erguer
(M) Ter coragem de querer
(M) Não ceder nem desistir
(M) Eu prometo
(M) Busquei
(M) Nas palavras o conforto
(M) Dancei no silêncio morto
(M) E o escuro revelou
(M) Que em mim a luz se esconde
(M) Vou ser forte e vou-me erguer
(M) E ter coragem de querer
(M) Não ceder nem desistir
(M) Eu prometo
Não há dia que não pergunto a Deus
Porque nasci?
Eu não pedi
Alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado aonde estava
Aonde não pensava, não existia, não chorava
Prisioneiro de mim próprio
O meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados,
Não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar
Um sorriso para me animar
Quem sou eu?
Para onde vou?
De onde vim?
Alguém me diga,
Porque me sinto assim?
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos olhos mas ninguém as vê!
Estou farto de mim,
Farto daquilo que sou,
Farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz
(M) Chorei
(M) Mas não sei se alguém me ouviu
(M) E não sei se quem me viu
(M) Sabe a dor que em mim carrego
(M) E a angústia que se esconde
(M) Vou ser forte e vou-me erguer
(M) Ter coragem de querer
(M) Não ceder nem desistir
(M) Eu prometo
(M) Busquei
(M) Nas palavras o conforto
(M) Dancei no silêncio morto
(M) E o escuro revelou
(M) Que em mim a luz se esconde
(M) Vou ser forte e vou-me erguer
(M) E ter coragem de querer
(M) Não ceder nem desistir
(M) Eu prometo"
Pensei que com o passar dos anos, a minha paixão por Hip-Hop se desvanecesse, como aconteceu com os meus belos 14 e 15 anos. Mas afinal a paixão ficou. Mas não gosto de todo o tipo de Hip-Hop... Quando é do tipo que eu gosto, o meu coração bate mais vezes por minuto, porque o tipo de Hip-Hop com que eu me emociono tem poemas de excelente qualidade e uma música de fundo com a presença de belos instrumentos musicais. Não é que não goste de ouvir aquelas batidas tão características do Hip-Hop..., também gosto. Mas há Hip-Hop e Hip-Hop, para quem souber distinguir... e, há gostos e gostos. E aos 21, 22 e mais adiante, julgo, gosto de ouvir esta música (hip-Hop) com tanta idade (já se aperceberam da idade do Hip-Hop?).
Tenho especial emoção pelos poemas deste Sr. que se segue, que se designa por BOSS AC. E gosto mais de achá-lo poeta e declamador de poemas que cantor... Julgo que ele tem uma voz bonita, forte, mas não canta, ele declama - ao som da música.
Este poeta escreve com as frases exactas os sentimentos mais difíceis de escrever. Gosto muito de lê-lo. E também ouvi-lo. E eu adoro fado... E esta música é... uma emocionante junção...
Boss AC com Mariza - Alguém me ouviu (do álbum "Mantem-te firme")
"Não me resta nada
Sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado
Com tanta gente á minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir
Isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo
A esperança pouco me resta
Triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem
O tempo passa
Sinto o cansaço
O vento sopra
Ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece
Algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino
Nem sei se estou acordado
Sorriso escasseia
Hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe
Mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz
(M) Chorei
(M) Mas não sei se alguém me ouviu
(M) E não sei se quem me viu
(M) Sabe a dor que em mim carrego
(M) E a angústia que se esconde
(M) Vou ser forte e vou-me erguer
(M) Ter coragem de querer
(M) Não ceder nem desistir
(M) Eu prometo
(M) Busquei
(M) Nas palavras o conforto
(M) Dancei no silêncio morto
(M) E o escuro revelou
(M) Que em mim a luz se esconde
(M) Vou ser forte e vou-me erguer
(M) E ter coragem de querer
(M) Não ceder nem desistir
(M) Eu prometo
Não há dia que não pergunto a Deus
Porque nasci?
Eu não pedi
Alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado aonde estava
Aonde não pensava, não existia, não chorava
Prisioneiro de mim próprio
O meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados,
Não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar
Um sorriso para me animar
Quem sou eu?
Para onde vou?
De onde vim?
Alguém me diga,
Porque me sinto assim?
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos olhos mas ninguém as vê!
Estou farto de mim,
Farto daquilo que sou,
Farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz
(M) Chorei
(M) Mas não sei se alguém me ouviu
(M) E não sei se quem me viu
(M) Sabe a dor que em mim carrego
(M) E a angústia que se esconde
(M) Vou ser forte e vou-me erguer
(M) Ter coragem de querer
(M) Não ceder nem desistir
(M) Eu prometo
(M) Busquei
(M) Nas palavras o conforto
(M) Dancei no silêncio morto
(M) E o escuro revelou
(M) Que em mim a luz se esconde
(M) Vou ser forte e vou-me erguer
(M) E ter coragem de querer
(M) Não ceder nem desistir
(M) Eu prometo"
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Solidariedade, no teu auge
A Solidariedade é... (?)
(Faz desta palavra uma acção)
Não deixes que o alento passe num grito e
Te percas na ausência da tua essência,
Essa substância imaginária
Que te faz ser mais alto!
E voraz! Não com os outros, mas sim,
Voraz com o que te faz esquecer os teus sentidos,
Esses que te dão o poder de ver a alma de todos,
Até a daqueles que parece não a terem
Dentro das suas entranhas espirituais…
Perdoa aqueles que parece no lugar dela
terem algo que não os permite sentir…
Nem sonhar intensamente nem amar…
Dá a mão aos que amam e ama quem não sabe ainda fazê - lo,
Ensina - lhe a caminhar na areia ondulante da tua calma,
Pois de bondade se faz o crescimento interior,
O ódio… esse sentimento menos bonito,
Existe para que o amor se faça notar.
Traz a cada dia teu, meu, nosso, a paixão de cada dia!
Ela transporta camuflado o verbo amar
Guardado pela esperança de na acção se conjugar,
sem que nos apercebamos
Que ele está a chegar,
Naquele momento de sabores vários,
Em que não se distingue o céu do mar e
Que a linha que aparentemente os separa,
É somente a vontade do ser humano de se amparar…
Por não ter a possibilidade de ver pelo infinito além
E assim, é comandado o nosso olhar, mentindo - nos,
Por aquilo que não pode ver.
Todos temos medo de nos perder.
Todos temos medo, ainda mais, de nos achar…
A luta da nossa consciência pelo poder é constante,
Só ela sabe o que teme realmente…
Eu, penso para mim, que será o inconsciente.
Aquele que comanda os movimentos que não controlamos,
Que poderão ser prestáveis ou,
Isentos de atenção ao que rodeia a nossa carne…
Essa, que pensamos ser tudo…
Mas que leva o que mais amamos, por não durar sempre
E de repente te faz pensar se estas a olhar para a carne de todos
E mais importante, para o interior de todos, ou,
Se num acto irreflectido tens ponderado somente a tua pele,
Excluindo da tua preocupação egoísta
Seres carentes de algo ou tudo,
Gente lutadora que sofre para ter o que para ti é nada,
E também, gente carente daquela que parece não possuírem.
Daquela?
Daquela que (quem sabe?),
Poderá estar perdida e necessita d’um pouco da vossa, da tua,
Para construir a sua… A sua…?
Abre o coração, sente os teus olhos, será a sua alma?
2007/08 Por Diana Estêvão
(Faz desta palavra uma acção)
Não deixes que o alento passe num grito e
Te percas na ausência da tua essência,
Essa substância imaginária
Que te faz ser mais alto!
E voraz! Não com os outros, mas sim,
Voraz com o que te faz esquecer os teus sentidos,
Esses que te dão o poder de ver a alma de todos,
Até a daqueles que parece não a terem
Dentro das suas entranhas espirituais…
Perdoa aqueles que parece no lugar dela
terem algo que não os permite sentir…
Nem sonhar intensamente nem amar…
Dá a mão aos que amam e ama quem não sabe ainda fazê - lo,
Ensina - lhe a caminhar na areia ondulante da tua calma,
Pois de bondade se faz o crescimento interior,
O ódio… esse sentimento menos bonito,
Existe para que o amor se faça notar.
Traz a cada dia teu, meu, nosso, a paixão de cada dia!
Ela transporta camuflado o verbo amar
Guardado pela esperança de na acção se conjugar,
sem que nos apercebamos
Que ele está a chegar,
Naquele momento de sabores vários,
Em que não se distingue o céu do mar e
Que a linha que aparentemente os separa,
É somente a vontade do ser humano de se amparar…
Por não ter a possibilidade de ver pelo infinito além
E assim, é comandado o nosso olhar, mentindo - nos,
Por aquilo que não pode ver.
Todos temos medo de nos perder.
Todos temos medo, ainda mais, de nos achar…
A luta da nossa consciência pelo poder é constante,
Só ela sabe o que teme realmente…
Eu, penso para mim, que será o inconsciente.
Aquele que comanda os movimentos que não controlamos,
Que poderão ser prestáveis ou,
Isentos de atenção ao que rodeia a nossa carne…
Essa, que pensamos ser tudo…
Mas que leva o que mais amamos, por não durar sempre
E de repente te faz pensar se estas a olhar para a carne de todos
E mais importante, para o interior de todos, ou,
Se num acto irreflectido tens ponderado somente a tua pele,
Excluindo da tua preocupação egoísta
Seres carentes de algo ou tudo,
Gente lutadora que sofre para ter o que para ti é nada,
E também, gente carente daquela que parece não possuírem.
Daquela?
Daquela que (quem sabe?),
Poderá estar perdida e necessita d’um pouco da vossa, da tua,
Para construir a sua… A sua…?
Abre o coração, sente os teus olhos, será a sua alma?
2007/08 Por Diana Estêvão
_ Depressão _
Entra-se mais fundo no poço,
Que lentamente nos engole; é mais
Do que ficar triste,
É o desejo de morrer, desaparecer,
É ansiar a morte.
É não ter mais lágrimas para verter,
Estar seco, chorar por dentro,
Apodrecer.
É agonia subtil demorada,
É sentir que se é nada.
É mais que sofrer-se sozinho,
É sentir o corpo ausente,
E sobreviver com o espírito morto,
Fazendo por vezes,
Sofrer os que gostam de nós e nos sentem...
É dor que não se sente,
Vive-se com esse sentimento;
É o consumir das entranhas podres e
Apodrecer a alma,
É ter lágrimas de sangue e esconder a face na máscara;
Percorre-se estradas longas de retrocesso que pára a vida;
O tempo corre morto, a vida, que não o é,
Passa e leva-nos o tempo,
Esse, que nos leva a vida, essa que não a temos;
E nós, levamos a carne que temos vestida,
À morte alucinantemente esperada;
Devolvemos a paz ao espírito
E (alguns dizem...) fazemos crescer a alma.
A depressão não se vê...
A depressão não se sente...
A depressão vive em nós,
Caso um dia, surja a oportunidade de nos vencer.
2003, Diana Estêvão
Que lentamente nos engole; é mais
Do que ficar triste,
É o desejo de morrer, desaparecer,
É ansiar a morte.
É não ter mais lágrimas para verter,
Estar seco, chorar por dentro,
Apodrecer.
É agonia subtil demorada,
É sentir que se é nada.
É mais que sofrer-se sozinho,
É sentir o corpo ausente,
E sobreviver com o espírito morto,
Fazendo por vezes,
Sofrer os que gostam de nós e nos sentem...
É dor que não se sente,
Vive-se com esse sentimento;
É o consumir das entranhas podres e
Apodrecer a alma,
É ter lágrimas de sangue e esconder a face na máscara;
Percorre-se estradas longas de retrocesso que pára a vida;
O tempo corre morto, a vida, que não o é,
Passa e leva-nos o tempo,
Esse, que nos leva a vida, essa que não a temos;
E nós, levamos a carne que temos vestida,
À morte alucinantemente esperada;
Devolvemos a paz ao espírito
E (alguns dizem...) fazemos crescer a alma.
A depressão não se vê...
A depressão não se sente...
A depressão vive em nós,
Caso um dia, surja a oportunidade de nos vencer.
2003, Diana Estêvão
domingo, 7 de junho de 2009
Fruto proibido
Fixei-me nos teus olhos
E, no fundo do teu olhar vi nascer o mais
Explícito desejo de provares o meu sabor.
E foi nesse momento, que os nossos
Corpos se ligaram num acto, que as nossas
Almas já haviam experimentado... Mas é
Neste momento que a amizade perde um pouco
Da sua força, e a paixão, atinge o auge da
Sua essência.
2004 - Diana Estêvão
Algo escrito num momento da minha vida em que, nutri sentimentos por alguém que me foi muito querido e amigo, mas que eu não deveria ter jamais tocado para além da sua alma.
E, no fundo do teu olhar vi nascer o mais
Explícito desejo de provares o meu sabor.
E foi nesse momento, que os nossos
Corpos se ligaram num acto, que as nossas
Almas já haviam experimentado... Mas é
Neste momento que a amizade perde um pouco
Da sua força, e a paixão, atinge o auge da
Sua essência.
2004 - Diana Estêvão
Algo escrito num momento da minha vida em que, nutri sentimentos por alguém que me foi muito querido e amigo, mas que eu não deveria ter jamais tocado para além da sua alma.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Sociedade, é cada um de nós.
Quando há indivíduos pouco confiantes em si mesmos, com maus hábitos e influências desde cedo e rara rigidez na convicção com que ensinam - sendo os mesmos, pais de outrem - correm as crianças, filhos desse alguém, o risco de crescer semelhantes, mas com cada vez menos preparação para a realidade ou cada vez mais preparados para a real criminalidade.
A deficiente instrução (alimentada pelos progenitores), a falta de responsabilidade (incitada pelos exemplos... ou falta deles), a carência de respeito (normalizada pelo desprezo dado pelos encarregados de educação ao seu educando), a observação não real nem fiel dos factos importantes ao longo do crescimento da criança (fortalecida pelo esquecimento do particular pormenor de que a "criança", amanhã é um individuo...) e, o trabalho árduo (cansativo, enfadonho até, para alguns) que é dar educação, são consequências e factores cada vez menos toleráveis nas sociedades, para que a vida de todos melhore e haja pacificidade e respeito mutuo.
Infelizmente, os erros básicos e aparentemente inofensivos, de pais para filhos, ao longo da vida de cada família, tornam-se grandes problemas e perguntam-se muitos pais o quê? - "Onde é que nós errámos...?" - com um ar totalmente perdido e inculpável... Erraram muitos, sim, e em muito; lamento dizer-vos.
A velha história de que as criancinhas não podem ser contrariadas, dá bom azo a que elas cresçam achando que não devem de facto sê-lo e quando alguém lhes pede para fazerem algo ou as contraria, é vê-las a matarem os pais, chegarem à escola com armas e matarem os colegas à queima roupa, suicidarem-se, assaltarem, roubarem, etc., etc.... (deixo à mercê da realidade outras mais prováveis coisas), pois não aguentaram a pressão de serem privados da sua vontade ao fim de tanto tempo de lhes ser apoiada a vontade de fazerem o que querem e bem lhes apetece. E se não fizerem isto tudo que foi escrito, fazem outras coisas ou acumulam maus hábitos para continuar a ensinar. E estes que são mal ensinados - um dia pais ou não -, serão indivíduos e antes de serem pais, são ou foram filhos e membros da sociedade! A sociedade que temos.
Diana Estêvão (2008)
terça-feira, 2 de junho de 2009
O segredo explícito de ler poesia
A arte de ler
e gostar de poesia, é
seguir cada estrofe
respeitando apenas e somente
a pontuação.
Não é parar na frase
que não tem ponto
nem ponto e vírgula,
só porque há um parágrafo
que obriga o sensível
a separar-se da linha em que está
e saltar para o próximo corrimão.
E é sem dúvida,
ter também imaginação.
Diana Estêvão (2008)
Angústia Carnal
Esta alegria descontente,
Que invento permanentemente
Para esconder o meu desalento,
Que me abraça solenemente . . .
Indiferente, observo,
Distante, preservo,
O meu olhar discreto,
Apesar do sentimento secreto
Que sobrevive bem forte.
Amanhece, no meu corpo, o que
Escurece a minha mente;
Torna mais fraco o meu corpo quase morto,
E enfraquece quem me sente.
Diana Estêvão (2005)
Que invento permanentemente
Para esconder o meu desalento,
Que me abraça solenemente . . .
Indiferente, observo,
Distante, preservo,
O meu olhar discreto,
Apesar do sentimento secreto
Que sobrevive bem forte.
Amanhece, no meu corpo, o que
Escurece a minha mente;
Torna mais fraco o meu corpo quase morto,
E enfraquece quem me sente.
Diana Estêvão (2005)
Musicalidade
Gostas de sabor
Que a pele sedenta bebe,
Água de abundante dor
Que escorre, percorre e segue.
Brilho descontente,
De um olhar profundo,
Toque emergente
No coração do mundo.
Diana Marques Estêvão (2005)
Inalcançável
Ao meu gato, que morreu por volta de 2002
O meu gato faleceu com 6 anos. Enquanto eu dormia, ele na minha cama, de repente, sem motivo aparente, fez-me acordar com os seus miados estranhos... Quando o olhei estava assanhado... com os olhos muito abertos... posteriormente falaram-me em ataque cardíaco; seria então aquilo dor?... Ele mandou-se para o chão e foi direito à parede, desfaleceu, por 2 segundos... levantou-se cambaleando, fui buscá-lo... Peguei-lhe, coloquei-o no colo... Sentei-me na cama e massajei o seu peito enquanto ele revirava os olhos... sentia-se evidentemente mal... E eu não tive para pensar como me sentia... desesperada continuei e julgo que tentei dar-lhe ar... Ele deu um suspiro e pareceu uma pessoa ao fazê-lo. E depois parou.
A última vez que o olhei nos olhos,
a última vez que o tive nos braços,
foi para vê-lo e senti-lo morrer...
Sem que eu nada pudesse fazer.
Diana Estêvão (2003)
O meu gato faleceu com 6 anos. Enquanto eu dormia, ele na minha cama, de repente, sem motivo aparente, fez-me acordar com os seus miados estranhos... Quando o olhei estava assanhado... com os olhos muito abertos... posteriormente falaram-me em ataque cardíaco; seria então aquilo dor?... Ele mandou-se para o chão e foi direito à parede, desfaleceu, por 2 segundos... levantou-se cambaleando, fui buscá-lo... Peguei-lhe, coloquei-o no colo... Sentei-me na cama e massajei o seu peito enquanto ele revirava os olhos... sentia-se evidentemente mal... E eu não tive para pensar como me sentia... desesperada continuei e julgo que tentei dar-lhe ar... Ele deu um suspiro e pareceu uma pessoa ao fazê-lo. E depois parou.
A última vez que o olhei nos olhos,
a última vez que o tive nos braços,
foi para vê-lo e senti-lo morrer...
Sem que eu nada pudesse fazer.
Diana Estêvão (2003)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O desabrochar da rosa branca
Ela... aproximou-se da velha mulher de rugas postas e fitou as rosas de pela macia que a velha vendia.
Procurou uma que tivesse as pétalas muito juntas, como um canudo enrolado apertado... uma rosa por desabrochar, mas eram as enormes, as vividas, de pétalas oblíquas e horizontais que lhe prendiam os olhos.
Mas ela ia contra a natural atracção e tentava escolher uma das mais bem compostas rosas, da colecção de flores que a velha havia roubado à terra do seu terreno, esta manhã cedo.
A concentração dela, desconcentrou a da velha, que fazia arranjos de flores para vender...
- Bom dia menina, quer ajuda p'ra escolher alguma?
Ao que ela lhe respondeu, com alguma vontade de continuar a escolher por ela própria - Eu quero uma rosa branca..., mas quero uma bem fechadinha, assim, ainda por abrir, 'tá a ver?
A velha olhou-a e leu-a...
- A menina quer uma rosa por abrir? Completamente?
- Quero uma rosa que agora esteja fechada, mas que ao longo destes dias abra muito e as pétalas se alarguem... se afastem umas das outras... 'Tá a perceber?
- Mas... menina... as rosas que aqui tenho ficarão sempre assim como são, quer dizer... elas não vão continuar a abrir agora que aqui estão nem as maiores fecharão... elas foram apanhadas com posições diferentes, propositadamente, para os vários gostos... mas não mudarão mais de forma.
Ela não entende e julgando conseguir explicar-se melhor, sublinha - Sra., eu quero comprar uma rosa fechada, assim como esta aqui, esta mesmo! Mas que depois abra, ao longo dos dias cresça... qual é a melhor destas fechadinhas para isso? Esta que lhe disse ou aquela ali?
- Menina... como quer que uma rosa que foi arrancada da sua raiz rejuvenescedora, cortada a sua vida na terra, separada do seu espaço natural, continue a viver depois de morta?
Diana Estêvão (2008)
Procurou uma que tivesse as pétalas muito juntas, como um canudo enrolado apertado... uma rosa por desabrochar, mas eram as enormes, as vividas, de pétalas oblíquas e horizontais que lhe prendiam os olhos.
Mas ela ia contra a natural atracção e tentava escolher uma das mais bem compostas rosas, da colecção de flores que a velha havia roubado à terra do seu terreno, esta manhã cedo.
A concentração dela, desconcentrou a da velha, que fazia arranjos de flores para vender...
- Bom dia menina, quer ajuda p'ra escolher alguma?
Ao que ela lhe respondeu, com alguma vontade de continuar a escolher por ela própria - Eu quero uma rosa branca..., mas quero uma bem fechadinha, assim, ainda por abrir, 'tá a ver?
A velha olhou-a e leu-a...
- A menina quer uma rosa por abrir? Completamente?
- Quero uma rosa que agora esteja fechada, mas que ao longo destes dias abra muito e as pétalas se alarguem... se afastem umas das outras... 'Tá a perceber?
- Mas... menina... as rosas que aqui tenho ficarão sempre assim como são, quer dizer... elas não vão continuar a abrir agora que aqui estão nem as maiores fecharão... elas foram apanhadas com posições diferentes, propositadamente, para os vários gostos... mas não mudarão mais de forma.
Ela não entende e julgando conseguir explicar-se melhor, sublinha - Sra., eu quero comprar uma rosa fechada, assim como esta aqui, esta mesmo! Mas que depois abra, ao longo dos dias cresça... qual é a melhor destas fechadinhas para isso? Esta que lhe disse ou aquela ali?
- Menina... como quer que uma rosa que foi arrancada da sua raiz rejuvenescedora, cortada a sua vida na terra, separada do seu espaço natural, continue a viver depois de morta?
Diana Estêvão (2008)
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A passagem
E o pano lança-se sobre o palco!
Num movimento horizontal e plano...
Avassaladoramente.
A sala fica escura e amplo o silêncio...
Não se ouve aplausos.
Não há murmúrios.
Não há sorrisos.
Nem o silêncio se escuta.
. . .
A sala é toda presenças ausentes,
De seres não seres.
Os cadeirões vermelho sangue
esperam o calor humano que só o sangue permite.
Mas não há vida naquela sala...
O pano está fechado e não há palavras.
. . .
Na ausência de matéria
Escuta-se uma voz profunda que canta...,
Como se outra peça maior continuasse
Enquanto esta se acaba.
Outra voz se ouve... Indignada!
Enfurecida!
Esta última,
Inaudível para nós...
QUEM FECHOU O PANO?
Quem mandou fechar o pano?!
EU NÃO QUERO VER O PANO!
Quero continuar a ver esta peça!...
Por favor..., deixem-me ver o palco,
Abram as cortinas, TODAS!
Eu quero continuar neste salão!...
Eu quero...!
Que me fechou as cortinas...?
Diante do meu olhar atento!... Quem...?
Quem mandou tapar o que eu estava a gostar de ver...
Quem me manda embora, agora...?
É cedo, quero continuar aqui.
Quero ver a peça até ao fim!
A peça não pode acabar tão cedo!
Não pode acabar assim!
Alguém me ouve? ABRAM A CORTINA!
EU ESTOU AQUI!
AQUI!
. . .
Mas ele não sabe que
Para ele é o fim.
Como se explica que é o fim,
A quem não quer o fim?
Tudo tem um fim,
Todos temos um fim.
Diana Estêvão (2008)
__________________________________________________________
Se desejar, leia o poema com este som, até terminar a leitura:
http://www.youtube.com/watch?v=egweJhjt2So&feature=related
(O poema poderá ser adaptado para teatro, num monólogo ou com um actor activo e outro actor narrativo, com acompanhamento de música de fundo que se impõem, conforme o drama da personagem)

Poesia abstracta de uma mente perturbadamente saudável
Num movimento horizontal e plano...
Avassaladoramente.
A sala fica escura e amplo o silêncio...
Não se ouve aplausos.
Não há murmúrios.
Não há sorrisos.
Nem o silêncio se escuta.
. . .
A sala é toda presenças ausentes,
De seres não seres.
Os cadeirões vermelho sangue
esperam o calor humano que só o sangue permite.
Mas não há vida naquela sala...
O pano está fechado e não há palavras.
. . .
Na ausência de matéria
Escuta-se uma voz profunda que canta...,
Como se outra peça maior continuasse
Enquanto esta se acaba.
Outra voz se ouve... Indignada!
Enfurecida!
Esta última,
Inaudível para nós...
QUEM FECHOU O PANO?
Quem mandou fechar o pano?!
EU NÃO QUERO VER O PANO!
Quero continuar a ver esta peça!...
Por favor..., deixem-me ver o palco,
Abram as cortinas, TODAS!
Eu quero continuar neste salão!...
Eu quero...!
Que me fechou as cortinas...?
Diante do meu olhar atento!... Quem...?
Quem mandou tapar o que eu estava a gostar de ver...
Quem me manda embora, agora...?
É cedo, quero continuar aqui.
Quero ver a peça até ao fim!
A peça não pode acabar tão cedo!
Não pode acabar assim!
Alguém me ouve? ABRAM A CORTINA!
EU ESTOU AQUI!
AQUI!
. . .
Mas ele não sabe que
Para ele é o fim.
Como se explica que é o fim,
A quem não quer o fim?
Tudo tem um fim,
Todos temos um fim.
Diana Estêvão (2008)
__________________________________________________________
Se desejar, leia o poema com este som, até terminar a leitura:
http://www.youtube.com/watch?v=egweJhjt2So&feature=related
(O poema poderá ser adaptado para teatro, num monólogo ou com um actor activo e outro actor narrativo, com acompanhamento de música de fundo que se impõem, conforme o drama da personagem)
Poesia abstracta de uma mente perturbadamente saudável
terça-feira, 31 de março de 2009
Sofrer por antecipação ou posteriormente?
Aproveitarmos "ontem" enquanto tivemos, aquilo que hoje nos faz falta por não termos, é um acto óptimo! Não há mais o que amamos, mas amámos enquanto houve...
E quando estamos a sentir falta, há a confortável sensação da ideia: "Eu aproveitei".
No entanto, ao aproveitarmos o momento e o tempo, no tempo em que temos tal preciosidade em mãos para aproveitar, temos melhor e maior consciência de que tal relíquia nos fará falta quando a não tivermos.
Contudo, se não aproveitarmos enquanto é tempo de dar valor e/ou dizer: "gosto de ti", quando não tivermos mais oportunidade de dizê-lo, sofreremos por nunca ter dito... ou ter dito de menos...
E quando estamos a sentir falta, há a confortável sensação da ideia: "Eu aproveitei".
No entanto, ao aproveitarmos o momento e o tempo, no tempo em que temos tal preciosidade em mãos para aproveitar, temos melhor e maior consciência de que tal relíquia nos fará falta quando a não tivermos.
Contudo, se não aproveitarmos enquanto é tempo de dar valor e/ou dizer: "gosto de ti", quando não tivermos mais oportunidade de dizê-lo, sofreremos por nunca ter dito... ou ter dito de menos...
Deixo então uma questão (retórica), que me fiz há muito tempo: vale mais vivermos sem a preocupação de aproveitarmos algo que se irá embora, sem nos darmos conta que findará e depois de findar, sofrermos pelo que não aproveitámos enquanto tivemos e pelo pouco que fizemos, ou, será melhor darmo-nos a isso de corpo e alma como se amanhã não houvesse, sofrendo por antecipação e preocupados por um amanhã próximo não termos o que hoje nos faz feliz, custando-nos essa ideia, por sabermos exactamente que o amanhã chega rápido e findará aquilo que amamos... e..., depois de findar, gozaremos do conforto da ideia de que aproveitámos ao máximo e em tempo, aquilo que agora não há mais?
Todavia, a ideia que mostro também poderá ter um pouco das duas fases/vivências... poderá haver um amor que se dá e recebe enquanto há a vida de alguém que
amamos e, a consciência de que findará em gestos "matéricos", o amor que recebemos; (nunca findará o amor que continuamos a ter dentro de nós por essa pessoa) mas, consequentemente, achando que poderíamos ter dado sempre e sempre mais àquela pessoa que agora partiu e nisto, há um sofrimento por antecipação à partida e posterior à mesma.
amamos e, a consciência de que findará em gestos "matéricos", o amor que recebemos; (nunca findará o amor que continuamos a ter dentro de nós por essa pessoa) mas, consequentemente, achando que poderíamos ter dado sempre e sempre mais àquela pessoa que agora partiu e nisto, há um sofrimento por antecipação à partida e posterior à mesma.
Julgo que, o que de facto interessa, é que amámos e amámos muito; achamos por vezes é que não foi suficiente o que demos..., o ser humano não lida naturalmente bem com a perda.
Diana Estêvão (2008)
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