Adiamos como se todos nós fossemos eternos.Até posso ser jovem, mas não sou eterna e o que me dói é que os meus pais têm uma falsa eternidade pela frente menor que a minha.
Congelamos a felicidade, o convívio e os encontros desta vida como se ela nunca findasse.
Congelamos a parte da nossa vida que conteria nela o tempo para a família, os momentos com nossos amigos... como se eles pudessem estar sempre cá amanhã!
Cada dia que nasce adiamos as palavras que desbloqueariam tantos mal entendidos, tantos abraços perdidos e vem um dia que entendemos que algo desconforta o nosso íntimo.
Eu senti Saudade quando acordei da névoa onde estava.
Aquela que me fazia adiar todos os dias e semanas os abraços aos meus pais.
Dizer-lhes que são muito importantes para mim e que lhes desejo o melhor deste mundo e da vida!
Dizermos a quem amamos que gostamos deles.
Família, amigos, sejam quem forem eles.
A vida é uma fotografia e tem o tempo de um flash.
* FLASH! *
Há um clarão que nos acorda quando congelámos demasiado a vida.
Podem ser a mistura de saudade com culpa, por não estarmos tão presentes quanto poderiamos, desejariamos, conseguiríamos estar. E Queremos mesmo?
Por não termos proferido as palavras que alegrariam os dias deles.
Esse clarão procede após um tempo de escuridão, onde só enxergamos obrigações, tarefas, trabalho, contas para pagar, cansaço... E não, nós nao somos culpados. Somos responsáveis pelas nossas decisões.
Esse clarão deu-se na minha vida há pouco tempo.
Eu vivi uns anos numa falsa normalidade que me pedia tanto a cada dia e a cada hora que eu congelei tudo na minha vida como se fosse apenas uma semana perdida. Mas foram anos.
E despertei.
Não senti apenas culpa, Saudades e sensação de abandono. Eu sinto remorsos. Sim, remorsos, por não ter estado mais presente, por não ter conversado mais, porque sinto que abandonei.
Quando acordei, felizmente ainda todos estão cá.
A vida tem o tempo de um flash...
E à data de hoje:
Quantas pessoas contam vocês na vossa fotografia?
* FLASH! *
