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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tentação . . .

Tu. Sim, tu.
Tentação que me tentas
E tentas consumir-me...
Consomes-me nos pensamentos
Nos sonhos, nos movimentos,
Nos segredos meus, teus...
Em todos os momentos
Consomes-me a alma e o corpo
Comes-me a pele, ossos,
Os olhos, o cabelo
A minha imagem de
Alto a baixo
Parando no meio e reinventando
Pelo meu corpo abaixo soando, tu tentação,
Paixão que comes e não entornas,
Tu, que somes e somas
Mais desejos e fomes...
E consomes-me com a tua ausência,
Tendência para a cobiça,
Egoísmo de não querer partilhar
Nem querer deixar.
Partes-me em mil bocados e
Provas, comes, deixas sobras, para ti
Quando voltares.
Deixa-me tentação mas nunca me deixes...
Quero-te mas odeio-te
Deixo-te mas tenho-te.
Desejo-te mas repeli-te...
Tenho-te mas fujo-te...
Volto e como-te tentação,
E deixo-te devorares-me com paixão,
Como um osso se deixar devorar por um cão.
Vai, mas volta,
Vai-te, mas vem-te,
Sai, mas entra-me.

Amélia Rosa, 2010

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