Não eras pessoa nem racionalidade
Foste mais que isso, foste sentir!
Foste quem me acompanhou sempre
Desde a minha tenra idade.
E basta-me que tenhas sido
O meu mais fiel amigo
Para que te faça de fiel companheiro,
Meu familiar.
O teu cheiro ainda está na minha memória
Não fosse o olfacto
O responsável pela mais forte das recordações
No humano
E o mais forte sentido em ti,
Pois sabias sempre, e sempre foi até ao fim,
Quando eu entrava em casa
E sem me veres, seguias-me por aí...
Até que o teu nariz se encostasse ao meu corpo.
Sem medo de censuras,
Afirmo sem vergonhas,
Que foste quem mais feliz me fez nesta vida,
Vida minha que ainda é pouca.
Nunca me deste uma desilusão,
Nunca me abandonaste por nenhuma razão
E quando me tinhas, era eu a tua mãe
Porque a família, é quem cuida e dá a mão.
Foi engraçado perceber como és semelhante
A mim, que não sou como tu.
Foi emocionante acompanhar-te nesta viagem
Tão longa para ti e tão curta para mim.
Para mim foste bebé a tua vida toda
Apesar da declarada velhice que tinhas
A partir dos 12 anos.
Para uns foste meu irmão,
Para mim foste, o que mais próximo tive
De filho que nunca dei à luz,
Porque nunca tive filhos
E o instinto já está presente.
Curioso como nos teus últimos anos
Foste tão parecido com o que eras
Quando eras bebé. Afinal tu és,
Tal como nós.
Ver-te sofrer não fazia parte
Dos meus planos, quando toda a vida
Nunca houve sofrimento em ti e,
Como tal, não iria ser no teu fim.
Falo de ti sem lágrimas,
Mas a sós comigo, penso em ti
Com os olhos inchados de verter.
Quando tenho tempo para mim,
Choro tudo aquilo que ainda não chorei
Tudo o que não tive tempo de chorar
Nem quis chorar acompanhada.
Volto, sem vergonha e sem medo, a escrever
Que até hoje não chorei pela perda de ninguém
O que chorei pela tua perda,
Que no senso comum, não és "alguém".
Por te ter, aprendi a saber quem era,
Antes dos 5 anos não me lembro da mim,
Foi como se me tivesses acordado
Da infância em que vivia adormecida.
Por isso, só me lembro de mim, contigo e,
Talvez por isso, me seja tão difícil
Descobrir o que é a minha vida, sem ti.
Nem todos os seres humanos compreendem
O amor que conseguimos ter, a um ser como tu.
Nem todos tiveram a felicidade que tive,
Porque nem todos são dotados das capacidades
Que permitem ao humano, amar todos os seres.
Por isso, nem todos sofrem com estas perdas,
Como eu sofro com a tua.
Para mim és mais que uma memória,
Foste mais que um cão,
És mais que companheiro,
Foste-me mais que fiel,
Foste um ser, mais humano para mim
Que alguns dos meus humanos.
Diana Marques Estêvão
1 de Julho de 2010
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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sempre muito unidos... =)
ResponderEliminarimagino tua dor... agora e preciso calma.. bjs
saba_fd