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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Caixinha de música

Não guardo rancor.
É uma aptidão que nunca consegui adquirir.
Mas faço luto; por sinal, mais silencioso que o que eu sabia.
Em vez de rancor ou dor, eu tenho a especial estranheza de alimentar sonhos...
Sonhos que me mostram que se mostrará o que não seria esperado. Mas isso não é minha culpa. É culpa de quem joga os dados depois de dar o número como adquirido.
O que se perde, por isso, é invisível. Pois não é previsível.
O que se ganha em jogar com o que se tem, é sempre o mais plausível...
Ouvidos que não ouvem, coração que não sente... E perde-se algo sem se saber o que poderia ser ganho neste jogo de emoções e música...
A bailarina roda em torno do seu eixo na sua caixinha de música... Sabemos que ela nunca sairá de lá a bailar para fora do seu eixo...
Porque achamos que não é capaz... é feita de massa inanimada. Não é capaz.
Nós só aceitamos o que vemos e o que acreditamos ser possível.

O que não se vê também existe e é possível. Nem todos são capazes de fazer acontecer.
E o mais fácil é ficar com o razoável...  Que é agradável... Mas não é fascinante.  Isso, em vez da indefinida estranheza, mascarada de roupagem frágil e desgrenhada...

Estas histórias de caixinhas só me darão a motivação que estava em falta.
As coisas não podem continuar a ser definidas pela insegurança.

De qualquer forma... Embora me identifique com a música que ela toca... Eu não me identifico com a figura que baila nem com a caixa...

EU.


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