Eu digo que tenho tudo controlado,
Mas eu sou demasiado sentimental.
Este meu lado esquerdo...
Já foi várias vezes machucado.
Várias vezes isto de brincar me correu mal...
Eu digo que cá me arranjo...
Mas só vejo forma de me arranjar um amor...
Quero sair, mas fui eu quem quis entrar...
Fui eu quem deixou isto voar...
Fui eu! Quem quis provar este sabor!
A culpa não foi do cupido mascarado de anjo...
O lado esquerdo chora...
E parece que gosto de viver como poeta...
Que vive a vida na amargura da hora...
Que troca esta acidez tão secreta
Por um poema que fugazmente devora!
É uma dor que demora...
E o meu lado esquerdo chora...
Não sei se te quero,
Ó tu! Que me consomes os pensamentos...
Nem sei se te não quero...
Que isto é um rebanho de sentimentos!
Quanto mais penso mais me perco...!
Neste mar de desejos ardentes...
As incertezas conferem ansiedade à vida.
A ansiedade é filha da adrenalina...
A adrenalina é culpada pela súbita subida
De coragem e desinibição num ser...
Posto isto: que era da vida sem incertezas?
As certezas exterminam um possÍvel acontecer.
A certezas só servem para nos deixar morrer.
Amélia Rosa, Março 2010
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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sexta-feira, 19 de março de 2010
sábado, 24 de outubro de 2009
Adiamento Crónico
Fica para outra altura.
Dizemos com um ar despreocupado...
Fica para outra altura,
Para quando a vontade não tiver lugar ocupado.
Fica para outra altura,
O que há a fazer sempre dura.
Dura?
Dura…
Por isso fica para outra altura.
O tempo cooooooooooooorrrrrrrrrreeeee...
E corre tão rápido, que
Chega a altura
E não houve tempo
Para que na dada altura
Já haja tempo de tratar da
Dura tarefa que dura e dura…
Mas que só dura e é dura
Porque se adia continuamente a altura...
Perdura…
O quê?
A brandura.
Porque a tarefa faz a altura
E não o inverso.
Quando já houver vontade
De fazer o que ainda dura,
O que perdurou, afinal
Já não dura!
Ai que maçadura…!
Agora passou a altura!
Passou?
Não…
Só não quis ser dura,
E dizer-te que sozinho,
O tempo, apenas, não cura…
Diana Estêvão 2009
Dizemos com um ar despreocupado...
Fica para outra altura,
Para quando a vontade não tiver lugar ocupado.
Fica para outra altura,
O que há a fazer sempre dura.
Dura?
Dura…
Por isso fica para outra altura.
O tempo cooooooooooooorrrrrrrrrreeeee...
E corre tão rápido, que
Chega a altura
E não houve tempo
Para que na dada altura
Já haja tempo de tratar da
Dura tarefa que dura e dura…
Mas que só dura e é dura
Porque se adia continuamente a altura...
Perdura…
O quê?
A brandura.
Porque a tarefa faz a altura
E não o inverso.
Quando já houver vontade
De fazer o que ainda dura,
O que perdurou, afinal
Já não dura!
Ai que maçadura…!
Agora passou a altura!
Passou?
Não…
Só não quis ser dura,
E dizer-te que sozinho,
O tempo, apenas, não cura…
Diana Estêvão 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Mente, mais que o corpo...
Para quem partilha comigo esta desmultiplicação,
Desabafo-vos em segredo, num segredo partilhado
Que a vontade de criar me morde, me fere
Por tanto querer e tão pouco conseguir acabar...
O tempo não é o que somos
E o que somos jamais teremos tempo de mostrar;
A minha criação interior não pára!
E eu digo-me para parar
Porque eu não tenho tempo de nos mostrar...
Mata-me o sonho de sonhar!
Dói-me a vontade de querer e não poder!
Trespassam-me ideias que não agarro
Pelo tempo que não me resta para as aplicar
E elas passam e deixam ferida em vez de ficar!
Dêem-me tempo! Dêem-me vida! Dêem-me amor!
Que continuarei a criar.
O meu Ser é mais do que a minha carne
E acabo por não me suportar!
Acabo-me em ranço, porque pequei por perdurar!...
Olho para o Sol com os olhos atrás das pálpebras,
A pele sente-se a aquecer,
O vento engana-a e fico ali para o ver boiar no mar,
É aí que arranjo mais saúde mental para mais ideias
E é nos comboios, nas músicas, nos autocarros que projecto
O que a minha mente sã me dá!
Mas...
Para quê?
Não consigo criar... só faço imaginar.
Levarei para o meu caixão as minhas obras
Conceptuais imaginárias...
E apodrecerão com as minhas entranhas.
Venham buscar-mas...! As ideias, claro!
Para definir-me, eu, de uma vez e não levar os meus comigo...
E achar-me no meio da perda.
Depois partirei em paz,
Porque sozinha não serei capaz.
Desabafo-vos em segredo, num segredo partilhado
Que a vontade de criar me morde, me fere
Por tanto querer e tão pouco conseguir acabar...
O tempo não é o que somos
E o que somos jamais teremos tempo de mostrar;
A minha criação interior não pára!
E eu digo-me para parar
Porque eu não tenho tempo de nos mostrar...
Mata-me o sonho de sonhar!
Dói-me a vontade de querer e não poder!
Trespassam-me ideias que não agarro
Pelo tempo que não me resta para as aplicar
E elas passam e deixam ferida em vez de ficar!
Dêem-me tempo! Dêem-me vida! Dêem-me amor!
Que continuarei a criar.
O meu Ser é mais do que a minha carne
E acabo por não me suportar!
Acabo-me em ranço, porque pequei por perdurar!...
Olho para o Sol com os olhos atrás das pálpebras,
A pele sente-se a aquecer,
O vento engana-a e fico ali para o ver boiar no mar,
É aí que arranjo mais saúde mental para mais ideias
E é nos comboios, nas músicas, nos autocarros que projecto
O que a minha mente sã me dá!
Mas...
Para quê?
Não consigo criar... só faço imaginar.
Levarei para o meu caixão as minhas obras
Conceptuais imaginárias...
E apodrecerão com as minhas entranhas.
Venham buscar-mas...! As ideias, claro!
Para definir-me, eu, de uma vez e não levar os meus comigo...
E achar-me no meio da perda.
Depois partirei em paz,
Porque sozinha não serei capaz.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Comunicado
Ter um blogue é para todos.
O conteúdo moralmente apetecível e de qualidade, já não... Mas não foi só a qualidade ou ausência dela naquilo que faço, que me impediu de ter um, há mais tempo.
Há anos que me disseram para o fazer. (Então, porque não?)
Tive uns textos e umas palavras vagas - outras profundas - num blogue mais leve, o blogue que o "hi5" contém... uns comentários lá... Por fora uns incentivos... O meu orgulho pelo meu produto e o meu receio. Pela qualidade dele ou a simpatia dos que me gostam. E apesar do medo, criei o que alguns conhecidos e amigos me disseram para criar ao longo dos tempos. Se eles querem, eles que são o (possível) público, quem sou eu para não dar de mim o que me querem?
Há um ano criei este blogue, sem ninguém saber. Guardei-o para mim. Em privado, num segredo amado, com a questão ambivalente de colocar o meu blogue público... Mostrar-me assim... tão nua...?
Sinto-me poeta e ninguém me pode dizer que o não sou, se o sinto em mim mais do que a mim.
O poeta que mostra as suas frases a outrem, mostra o seu corpo nu, mostra o seu espírito no seu estado mais puro, mostra as suas fraquezas e as suas emoções.
As suas lágrimas em forma de letras,
cada uma seguida de outra!
Pingando pelo rosto e papel moles,
gota a letra, sem terem forma nem textura,
tão transparentes como o sentir que as revelou...
Mostrarmos o que escrevemos é como quando canto para o público: franzo as sobrancelhas num acto tão naturalmente belo de emoção..., como respirar!
É como um artista que guarda os seus desenhos e as suas telas e esculturas na velha sala escura e um dia aceita mostrá-los numa sala iluminada, tão exposta, tão impura... aceita dar-se, aceita emprestar os seus sentimentos incrustados na matéria que fez aquelas peças, peças que as pessoas observam e tentam adivinhar o significado. Às vezes não sabendo que o significado não é feito de formas identificáveis... de formas fáceis de compreender.
"Será que quero dar-me assim?" Repeti para mim. Afinal, durante aproximadamente um ano. E passou tão rápido que não o soube, a não ser quando o li, aqui algures, neste livro sem capa dura.
É tão curioso, é um misto estafante de querer ter coragem para mostrar e querer esconder!
Serei assim tão forte para mostrar-me a vós, nua?
Fui.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
_ Depressão _
Entra-se mais fundo no poço,
Que lentamente nos engole; é mais
Do que ficar triste,
É o desejo de morrer, desaparecer,
É ansiar a morte.
É não ter mais lágrimas para verter,
Estar seco, chorar por dentro,
Apodrecer.
É agonia subtil demorada,
É sentir que se é nada.
É mais que sofrer-se sozinho,
É sentir o corpo ausente,
E sobreviver com o espírito morto,
Fazendo por vezes,
Sofrer os que gostam de nós e nos sentem...
É dor que não se sente,
Vive-se com esse sentimento;
É o consumir das entranhas podres e
Apodrecer a alma,
É ter lágrimas de sangue e esconder a face na máscara;
Percorre-se estradas longas de retrocesso que pára a vida;
O tempo corre morto, a vida, que não o é,
Passa e leva-nos o tempo,
Esse, que nos leva a vida, essa que não a temos;
E nós, levamos a carne que temos vestida,
À morte alucinantemente esperada;
Devolvemos a paz ao espírito
E (alguns dizem...) fazemos crescer a alma.
A depressão não se vê...
A depressão não se sente...
A depressão vive em nós,
Caso um dia, surja a oportunidade de nos vencer.
2003, Diana Estêvão
Que lentamente nos engole; é mais
Do que ficar triste,
É o desejo de morrer, desaparecer,
É ansiar a morte.
É não ter mais lágrimas para verter,
Estar seco, chorar por dentro,
Apodrecer.
É agonia subtil demorada,
É sentir que se é nada.
É mais que sofrer-se sozinho,
É sentir o corpo ausente,
E sobreviver com o espírito morto,
Fazendo por vezes,
Sofrer os que gostam de nós e nos sentem...
É dor que não se sente,
Vive-se com esse sentimento;
É o consumir das entranhas podres e
Apodrecer a alma,
É ter lágrimas de sangue e esconder a face na máscara;
Percorre-se estradas longas de retrocesso que pára a vida;
O tempo corre morto, a vida, que não o é,
Passa e leva-nos o tempo,
Esse, que nos leva a vida, essa que não a temos;
E nós, levamos a carne que temos vestida,
À morte alucinantemente esperada;
Devolvemos a paz ao espírito
E (alguns dizem...) fazemos crescer a alma.
A depressão não se vê...
A depressão não se sente...
A depressão vive em nós,
Caso um dia, surja a oportunidade de nos vencer.
2003, Diana Estêvão
terça-feira, 2 de junho de 2009
Inalcançável
Ao meu gato, que morreu por volta de 2002
O meu gato faleceu com 6 anos. Enquanto eu dormia, ele na minha cama, de repente, sem motivo aparente, fez-me acordar com os seus miados estranhos... Quando o olhei estava assanhado... com os olhos muito abertos... posteriormente falaram-me em ataque cardíaco; seria então aquilo dor?... Ele mandou-se para o chão e foi direito à parede, desfaleceu, por 2 segundos... levantou-se cambaleando, fui buscá-lo... Peguei-lhe, coloquei-o no colo... Sentei-me na cama e massajei o seu peito enquanto ele revirava os olhos... sentia-se evidentemente mal... E eu não tive para pensar como me sentia... desesperada continuei e julgo que tentei dar-lhe ar... Ele deu um suspiro e pareceu uma pessoa ao fazê-lo. E depois parou.
A última vez que o olhei nos olhos,
a última vez que o tive nos braços,
foi para vê-lo e senti-lo morrer...
Sem que eu nada pudesse fazer.
Diana Estêvão (2003)
O meu gato faleceu com 6 anos. Enquanto eu dormia, ele na minha cama, de repente, sem motivo aparente, fez-me acordar com os seus miados estranhos... Quando o olhei estava assanhado... com os olhos muito abertos... posteriormente falaram-me em ataque cardíaco; seria então aquilo dor?... Ele mandou-se para o chão e foi direito à parede, desfaleceu, por 2 segundos... levantou-se cambaleando, fui buscá-lo... Peguei-lhe, coloquei-o no colo... Sentei-me na cama e massajei o seu peito enquanto ele revirava os olhos... sentia-se evidentemente mal... E eu não tive para pensar como me sentia... desesperada continuei e julgo que tentei dar-lhe ar... Ele deu um suspiro e pareceu uma pessoa ao fazê-lo. E depois parou.
A última vez que o olhei nos olhos,
a última vez que o tive nos braços,
foi para vê-lo e senti-lo morrer...
Sem que eu nada pudesse fazer.
Diana Estêvão (2003)
terça-feira, 31 de março de 2009
Sofrer por antecipação ou posteriormente?
Aproveitarmos "ontem" enquanto tivemos, aquilo que hoje nos faz falta por não termos, é um acto óptimo! Não há mais o que amamos, mas amámos enquanto houve...
E quando estamos a sentir falta, há a confortável sensação da ideia: "Eu aproveitei".
No entanto, ao aproveitarmos o momento e o tempo, no tempo em que temos tal preciosidade em mãos para aproveitar, temos melhor e maior consciência de que tal relíquia nos fará falta quando a não tivermos.
Contudo, se não aproveitarmos enquanto é tempo de dar valor e/ou dizer: "gosto de ti", quando não tivermos mais oportunidade de dizê-lo, sofreremos por nunca ter dito... ou ter dito de menos...
E quando estamos a sentir falta, há a confortável sensação da ideia: "Eu aproveitei".
No entanto, ao aproveitarmos o momento e o tempo, no tempo em que temos tal preciosidade em mãos para aproveitar, temos melhor e maior consciência de que tal relíquia nos fará falta quando a não tivermos.
Contudo, se não aproveitarmos enquanto é tempo de dar valor e/ou dizer: "gosto de ti", quando não tivermos mais oportunidade de dizê-lo, sofreremos por nunca ter dito... ou ter dito de menos...
Deixo então uma questão (retórica), que me fiz há muito tempo: vale mais vivermos sem a preocupação de aproveitarmos algo que se irá embora, sem nos darmos conta que findará e depois de findar, sofrermos pelo que não aproveitámos enquanto tivemos e pelo pouco que fizemos, ou, será melhor darmo-nos a isso de corpo e alma como se amanhã não houvesse, sofrendo por antecipação e preocupados por um amanhã próximo não termos o que hoje nos faz feliz, custando-nos essa ideia, por sabermos exactamente que o amanhã chega rápido e findará aquilo que amamos... e..., depois de findar, gozaremos do conforto da ideia de que aproveitámos ao máximo e em tempo, aquilo que agora não há mais?
Todavia, a ideia que mostro também poderá ter um pouco das duas fases/vivências... poderá haver um amor que se dá e recebe enquanto há a vida de alguém que
amamos e, a consciência de que findará em gestos "matéricos", o amor que recebemos; (nunca findará o amor que continuamos a ter dentro de nós por essa pessoa) mas, consequentemente, achando que poderíamos ter dado sempre e sempre mais àquela pessoa que agora partiu e nisto, há um sofrimento por antecipação à partida e posterior à mesma.
amamos e, a consciência de que findará em gestos "matéricos", o amor que recebemos; (nunca findará o amor que continuamos a ter dentro de nós por essa pessoa) mas, consequentemente, achando que poderíamos ter dado sempre e sempre mais àquela pessoa que agora partiu e nisto, há um sofrimento por antecipação à partida e posterior à mesma.
Julgo que, o que de facto interessa, é que amámos e amámos muito; achamos por vezes é que não foi suficiente o que demos..., o ser humano não lida naturalmente bem com a perda.
Diana Estêvão (2008)
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