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domingo, 15 de novembro de 2015

A noite acorda poetas

A noite acusa-nos.
Morde-nos os sentidos
E tudo o que pensamos é mais…
O sono não grita e a metamorfose
Ocorre vagarosa e saboreia-nos.
Os meus dedos desenham as palavras
Que a minha mente pousa nuas.
Dispo-me para ser mais tua,
Que a emoção não é suficiente…
E a vocação é crua, minha, pura.


Vejo jardins de prazer mútuo
Quando nos trago ao pensamento.
Sem que te deixe saber se és a figura
Que figura neste meu momento…
E planto frases que na tua mente atuam
Como incertezas vagas que flutuam
Ao lado das luzes que analisas no céu.


A cidade brilha e é laranja e preta…
É densa, solitária e negra…
É certa de certeza que a sua frieza
Traz poetas à janela
Pra sentir a sua humildade e beleza.
E eu deito-me cheia de mim mesma.

Tens algo...

Curiosas-me a vontade de te saber.
Aguças a que te quis conhecer,
A curiosidade por te absorver.

Não me importo com o que dou.
Não ligo a quem sou ou o que causo.
Apesar de saber o que estrago,
O corpo que tenho não é nem metade
Da grandeza invisível que trago
De mãos dadas com a minha verdade.

Apaixono-me por entranhas.
Quero ver as tuas, bem estranhas,
Essas que me cativam em manhas
Que já me enlacei várias manhãs...

Leva-me para um sítio escuro
Que eu não saiba sair. (Tensa.)
Um sítio que conheças, surdo,
Com música de sonhos, intensa,
Com teias de arte e um vazio duro.
Um sítio com poesia abstrata,
Uma Lua, um copo, um muro.

Sou movida a Sol;
Lá Si Dó.
Mas eu descubro-me
E derreto-me
É na noite.
É Lá que me Sinto.

A Ave Negra

Era um pinto quando chegou, um pinto engraçado, que todos pensaram a certa altura que acabaria por ser uma galinha.
O pinto tornou-se realmente na galinha que se acreditava ser, porque não sabia que podia ser mais e acreditou pouco nela. Galinha.
A galinha quase foi comida porque nunca mais voava e naquele lugar onde ela pousava, onde todos voavam, onde todos eram ou gaivotas ou águias, um ou outro falcão…

Um falcão analisou-a como somente e apenas eles sabem… Viu potencial. Tremeu sem que ninguém soubesse.
Mas também lhe viu fraquezas e no meio de tanta coisa e de tudo, não se preocupou, pois ninguém teria paciência para ensinar aquela ave que se achava ser uma galinha, a voar. Nem mesmo ele o desejou alguma vez.

E ela foi posta de parte, sem sequer saber disso. A galinha.
De parte, houve uma águia-falcão que a acolheu e acreditou que a galinha poderia melhorar e pelo menos, voar.
Talvez soubesse que apesar de não ter nascido para voar (se calhar), até os pombos conseguem…

A galinha conseguiu finalmente levantar voo.

A galinha percebeu que conseguia voar como as outras gaivotas e até compreendeu o que muitas águias faziam para se manterem tão alto, tão atentas e percebeu o que os falcões fizeram para conseguir caçar e planar...
Quis ser ajudada a ser gaivota. Deixou. Conseguiu.
Sentiu-se gaivota e até planou no meio da chuva e vento.

A gaivota levantava agora mais facilmente voo, planando e ficando lá em cima.
Mesmo quando caia, não se sentia em baixo. E incentivou outras gaivotas a saber cair e levantarem-se…

Mas esta gaivota não era ágil como as outras. Tropeçava, não tinha sido feita para caçar… Se calhar…
Era trapalhona no ar.
Foi-lhe dado como certeza que não iria nunca voar, não mais com o seu bando, para longe, pois não servia para aquele trajeto.
Pediram-lhe que em último caso que não mostrasse medo ou desmotivação, deveria manter-se em altitude, embora quase de certeza sem desculpas, seria posta fora do seu bando, que ela até gosta muito.
A gaivota com alguma tristeza, tentou então ser logo falcão, mas só conseguiu ser uma imitação, embora até soasse a águia de vez enquanto. Mas o falcão caça sem perdão e a gaivota vai caçando…

No meio de se achar, sem saber bem o que era… a que achavam já ser uma razoável gaivota, que se conseguiu manter alinhada com o bando no alto, ficou um tempo em reflexão consigo própria e questionou-se porque se sentia melhor que uma gaivota, mais delicada que uma águia, mas não tão sábia e agressiva quanto um falcão…
Então o que seria ela?
Sentia-se meiga demais para falcão ou águia e ousada demais para gaivota… Começou a tentar encontrar-se nas caçadas!
Experimentava agora manobras sem se preocupar com o que à sua volta se passava... Pois também agora já se encontrava mais segura no bando que a havia aceite.
Manteve-se ao lado das boas gaivotas e um pouco acima por vezes.

Subitamente soube que uma tempestade se avizinhava e aquela que nunca se achou, mas foi-se achando, e sempre  soube que era algo mais e diferente do que diziam e sentia-se agora cada vez mais com grandes asas, mas não era nem gaivota nem águia ou falcão.
Ganhou capacidades e apercebeu-se de certos erros que havia cometido, alguns graves, por isso caiu tantas vezes no passado, por isso tantas vezes não se soube erguer mais rápido que os outros, por isso agora estava melhor que nunca.

Hoje foi o dia que aquela que nunca se achou mostrava a si própria, mais que a qualquer outra espécie, o que ela sabia fazer, sem pensar se já se havia achado ou não e heis-que a resposta chegou…

Aquela que não sabia quem era, conheceu-se melhor e melhorou-se…

O caminho que percorreu mostrou-lhe que sempre foi forte demais para ser galinha, linda demais para ser só gaivota, meiga demais para ser águia e livre demais para ser um sisudo e calculista falcão…

Ela é uma andorinha, no meio de águias, gaivotas, falcões e algumas galinhas tal como ela era, igualmente mal aproveitadas…

Graças a algo superior no seu interior e a uma águia bondosa, a andorinha fez-se naquilo que só poderia vir a ser, de acordo com a sua natureza.
É andorinha que ela quer ser, pois a andorinha será capaz de fazer o que os outros fazem, com uma delicadeza própria da sua espécie e a paciência que só a Primavera é capaz…
E a andorinha, mais do que nunca, nela acreditou.
E a andorinha voo.
Sob a Lua que está Hoje,
Procuro-te
Onde sei que não te vou encontrar,
Para te dizer o que sei e
Mostrar o que não te posso contar…
Sem saber se tu sabes
O que sinto e que não posso
Revelar.

As tantas vezes que eu tentei
Ignorar que não te ignoro,
Só serviram para fortalecer
Este desejo consecutivo
De te provar na noite
Que trazes contigo até tarde
E que insisto em atravessar…

Fingir que não te vejo
É agonia por te desejar olhar.
Em carne pouco vestida
Cuja vista adoro pousar…
Mas sou tímida e não te observo
Da mesma forma que te quero provar.

Falo de ti, que és proibido,
De ti que não me és nada.
De ti que me estimulas a libido
E provocas a minha ética
Numa fórmula desenfreada.

Deixa-me dançar hoje Semi-Nua,
Sob a cor da noite que nos dá a Lua.
Deixa-me dar-te este momento…
Veres-me pura e crua, como Nunca…
Ninguém pode interromper o nosso tempo…
Porque ele só existe no meu pensamento.

Eu

A minha foto
Planeta Terra, Portugal
Desfrutem-se...

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