Para quem partilha comigo esta desmultiplicação,
Desabafo-vos em segredo, num segredo partilhado
Que a vontade de criar me morde, me fere
Por tanto querer e tão pouco conseguir acabar...
O tempo não é o que somos
E o que somos jamais teremos tempo de mostrar;
A minha criação interior não pára!
E eu digo-me para parar
Porque eu não tenho tempo de nos mostrar...
Mata-me o sonho de sonhar!
Dói-me a vontade de querer e não poder!
Trespassam-me ideias que não agarro
Pelo tempo que não me resta para as aplicar
E elas passam e deixam ferida em vez de ficar!
Dêem-me tempo! Dêem-me vida! Dêem-me amor!
Que continuarei a criar.
O meu Ser é mais do que a minha carne
E acabo por não me suportar!
Acabo-me em ranço, porque pequei por perdurar!...
Olho para o Sol com os olhos atrás das pálpebras,
A pele sente-se a aquecer,
O vento engana-a e fico ali para o ver boiar no mar,
É aí que arranjo mais saúde mental para mais ideias
E é nos comboios, nas músicas, nos autocarros que projecto
O que a minha mente sã me dá!
Mas...
Para quê?
Não consigo criar... só faço imaginar.
Levarei para o meu caixão as minhas obras
Conceptuais imaginárias...
E apodrecerão com as minhas entranhas.
Venham buscar-mas...! As ideias, claro!
Para definir-me, eu, de uma vez e não levar os meus comigo...
E achar-me no meio da perda.
Depois partirei em paz,
Porque sozinha não serei capaz.
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
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