Eu respondo-te: "Sim..."
Tenho asas, mas estão guardadas.
Estão magoadas.
Têm falhas.
Foram mal cuidadas.
Eu respondo-te... "Voar, eu sei."
Mas as asas que tenho,
Doem-me quando as ergo no ar.
E eu sinto medo de as levantar.
Com histórias de encantar,
Olha que a mim já não me encantam
Versões penosas do verbo amar.
Mas confesso que, quando
Delicadamente me tocaste na pele,
Arrepiei-me e algo cedeu...
Não sei o que me queres dar,
Mas se queres levar-me a voar,
Não me cortes devagarinho as asas,
Como com carinho ousaram cortar.
Ensina-me a planar.
"Mais que aceitar-te, não te consigo negar..."
E das minhas respostas a ti
Ficas apenas com as aspas,
Palavras vagas,
De um sentir gasto,
Que não sei fazer melhor
Do que me ensinaram nos últimos tempos.
