Tens perguntado por mim,
A ti,
Como eu o faço a mim,
Por ti?
Tens pensado em mim,
Tão inapropriadamente
Como eu tenho feito
Sobre ti?
Que faço aqui,
Neste jogo de imaginação?...
Não deveria estar neste lugar!...
Aqui é um local proibido
Este lugar onde te penso...
Ainda bem que não se lêem pensamentos.
Ainda bem que ninguém sabe
Os meus sentimentos...
Ainda bem que ninguém sonha
Que eu sonho contigo,
Ainda bem que ninguém sabe
Que eu te procuro
No silêncio que a noite me traz;
Este delicioso escuro
Que te traz a mim,
A tua presença imaginária,
Na minha vontade primária e
Ordinária
De um ser como eu... digamos...
De Consciência íntima imparável...
De vulnerabilidade emocional elevada...
De sensibilidade sensitiva apurada...
Mas...
De que me vale procurar-te?!, se
Ao acaso de te encontrar
E tu me fitares,
Não poderia eu tocar-te...?
Mesmo que seja mutua a vontade...
A velha culpa abate-me e eu
Prefiro prevenir que não me perdoar.
Mas... Já agora, TU...
Tens pensado em mim?!...
Também me ouves no teu silêncio?
Como eu te ouço... no meu?...
Também me queres?
Diz-me!
Também me sentes...?
Também me sonhas?...
Sonhas-me, mesmo eu
Não te podendo tocar?
Porque não posso.
Não devo...
Ofélia Castro
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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