Foi difícil fechar a página do ecrã.
A inspiração surgiu enquanto falávamos.
O passado deixa marcas e as marcas trazem sensações.
Quis fechar a porta para falar mais à vontade.
Levantei-me e percebi que a porta já estava fechada.
Percebi que me apanhei a sentir essa necessidade...
Nada tinha a esconder no que escrevi.
Só no que pensei.
Mas o que pensei já se encontra num local à porta fechada.
Lembrei-me da nossa convivencia.
Assolaram-me visoes passadas...
...as tuas cartas, as nossas mensagens,
O sótão da nossa colega,
A nossa inocência,
A relação que nunca tivemos.
Talvez por vergonha minha.
Volto a olhar para a porta,
Como se alguém pudesse através dela
Ver-me contar esta história perdida no tempo...
E imaginar mais, do que aquilo que eu estou a sentir.
Escrevo porque gosto de sonhar acordada.
Porque sou a eterna apaixonada pelo sentir.
Escrevo porque não gosto de perder a oportunidade
De brotar palavras inusitadas - minhas.
Porque preciso viver aqui dentro
Na minha imaginação...
É como se uma falta de ar me sufocasse.
Quando não respiro deste ar.
Sofia Abreu
