Olhaste-me com essa força…
Toda essa tua segurança no teu olhar
E não fui capaz de continuar a respirar,
Parei de dançar, parei de pensar…
E ainda mais segura de ti,
Ao me veres parar,
Reforçaste o teu penetrar.
Inspirei dupla e repentinamente… e expirei…,
Num suspiro que se viu…
Matou-me por inteiro aquele teu olhar.
Continuaste a balançar…
Continuaste a dançar
E eu não pude deixar de observar…
E reparar… a tua sensualidade
Enche o meu apreciar.
Guardei a timidez cá no fundo
E deixei-te aproximar…
Pensei em tocar-te, sem te desrespeitar…
Já tão próxima de mim… senti o teu aroma…
E fechando os olhos... imaginei-te na minha boca.
Tocaste-me no ombro, toque leve esse,
Que intenso me tocou profundamente.
Senti a tua respiração…
No canto do meu lábio,
Senti aquele toque tão subtil,
Que perguntei se seria o teu cabelo…
Deixei-te conduzir-me
Naquela dança tão quente…
Com a tua mão nas minhas costas
Arrepiaste-me e…
A outra mão tocou-me nos lábios e
Preparou-os para o beijo desejado.
Encostaste o teu lábio inferior ao meu
Lábio inferior… e mordeste-me…
Cuidadosamente…, carinhosamente…!
Pegaste-me na mão e puxaste-me.
Quiseste privar-nos…
Eu encostei-te a uma parede e, excitada,
Beijei-te o peito… e tu,
Desejada, deste um suspiro de
Mulher amada e agarrámo-nos,
Aceleradas e suadas…
Puxei-te e corremos para a areia.
Olhamo-nos. Desta vez com
A mesma igualdade de segurança.
Beijamo-nos. Desta vez deitadas.
Molhadas… com o sal do mar…
Banhadas pela areia que se agarra
À pele sedenta de paixão…
Consumimo-nos e
Os gemidos não nos deixam
Ouvir a música que toca.
A areia húmida, sinto-a seca
De te sentir assim tão…
Rebolamos na praia escura…
E invertemos colocações...
Sobes para cima de mim...
E dizes-me ao ouvido:
Sentes-me?
Amélia Rosa, 2010
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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quarta-feira, 31 de março de 2010
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