Eu sou isto e o meu corpo
é o instrumento que toco melhor.
Fecho os olhos.
As mãos, as minhas,
deslizam-me pelo meu corpo do topo do rosto, pescoço, ombro, peito...
As ancas fazem infinitos
simbolos de sedução no balanço horizontal, que te deixam a razão no chão.
Abro os olhos que te
fitam e as minhas mãos movem-me o meu cabelo num apanhado que se solta...!
A dois metros da cadeira em que te recostas e contorces, viro-me de costas com os seios premidos na
parede fria em que imaginas que me encostas...
É um filme de tela ao
vivo.
Seduzo a
parede, dura, grande, que se manifesta firme e vertical.
Esta dança é lenta e
sensual...
Os meus braços são como longas trepadeiras no branco quase original...
E eu dobro-me, desço e subo...
E tu só me olhas porque ficaste estático, hipnotizado e mudo.
A música ouve-se,
sincronizada com a visão, e eu tenho 100% da tua pérfida atenção.
Vou na tua direção...
Voraz no olhar e segura na
minha atitude de quem sente prazer em dar-te prazer sob a arte da sedução...
Fico a escassos
centímetros da tua respiração.
Com a minha perna toco na
tua mão...
Faço uma onda que molha a
tua boca no sítio onde fica o meu coração.
E de costas, outra vez, esfrego-me da tua visão.
Tu não me tocas. Não
podes...
Eu amarrei-te, antes que
quisesses ou soubesses aquilo que sentes agora, com as palavras que não te
digo...
A minha cintura é pêndulo
que te hipnotiza agora, sob movimentos ondulantes...
E os meus seios descem e sobem...
Podes respirar porque
não te tapei a boca. Mas ela não sabe senão estar
aberta...
Sento-me no teu colo e
recosto-me no teu Ego.
Levanto-me e o meu
traseiro nunca mais acaba de sair do teu campo de atenção e...
Ponho-me de gatas e
olho-te pelo ombro a ver se respiras com facilidade ou não.
Pareces-me vivo.
Perto de ti, no chão..., sujo e reto, sinto a música na minha mão, lenta, intensa...
E eu saboreio o teu
olhar no meu corpo...
É indiscritível a tua expressão de sensação.
Sinto que este momento é
uma sobredosagem de...
Chamemos-lhe Tensão.
Ajoelho-me à altura
da tua cintura e puxo-te a anca na minha direção e a minha boca anseia tocar-te...
Os meus cabelos caem encaracolados sobre ti.
Subo pela tua cadeira e
ergo-me de novo na tua frente com a força da minha emoção.
Circulo pela tua posição,
à volta da tua vontade, tu que estás sentado no lugar que te compete...
Sento-me na tua frente,
ao teu nível e a minha cadeira é melhor que a tua.
Sabes porquê?
Sente-me em cima dela.
Porque eu danço em cima
dela... Lentamente.
Quase sem tocar os pés no chão, as pontas dos meus cabelos caidos completam o arco perfeito da semi-circunferência que observas...
E esta é a cadeira que
gostavas de ser.
A cadeira onde me levanto com provocação, sem me afastar e que passo a ponta dos meus dedos, fazendo carícias pelas
costas que usei para pousar as minhas pernas e ficar invertida de
corpo semi-despido pela gravidade... Vulnerável.
Subo a minha perna em cima da cadeira, numa apetecível posição, onde me vês passar a mão pela perna até à coxa, da coxa até às nádegas, subindo... E passando pelo ventre...
Os teus olhos dizem aos
meus o quanto estás quente.
E é assim que te deixo.