Para lá da névoa
Que nos tem.
Para lá do véu
Que não nos deixa ver
Quem somos.
Voa-me.
Sustem-te na minha vibração.
Respira-me.
Atravessa a minha energia.
Voa-me.
Toma-me.
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
Para lá da névoa
Que nos tem.
Para lá do véu
Que não nos deixa ver
Quem somos.
Voa-me.
Sustem-te na minha vibração.
Respira-me.
Atravessa a minha energia.
Voa-me.
Toma-me.
Intensa labareda, chama que me chama,
Que me preenche o corpo vazio de ti
Cheio de vontade de te tomar na cama
No chão, nas paredes que por dentro senti!
Na esperança de te fazer perdurar
Pintei-te difusa na minha tela esquecida.
Decorei as tuas formas na minha mão
E desenhei o teu corpo na minha mente adormecida...
Eu não quis senão agarrar-te com a emoção
Que trago desde que te conheci despida...
Soube a pouco o que me deste
Em comparação com o que deixaste em mim!
Já se evaporou dos meus dedos
O cheiro que trazias a tesão e alecrim.
Quero-te, porque és parte dos meus segredos
E não foi suficiente, quero dar-te orgasmos sem fim
Sem ter receio dos teus medos.
Na esperança de te voltar a sentir
Escrevo-te incendiado pelo teu elixir...
E se me leres e ignorares
Pensa nas vezes que te fiz vir
E revive como é bom te demorares
Com a tua vulva na minha boca...
Mateus Marques, Dezembro de 2021
Dançamos, tremidos...
É como se numa dança,
Tu e eu nos cordenássemos,
Mas fosse difícil decidir quem
Assume a emoção.
Quem assume a conexão.
Dançamos.
Descordenados.
Observamos o movimento um do outro.
Temerosos.
Aquilo que tememos, evitamos.
O que evitamos atinge-nos
Com uma força de quem nos espanca.
Não evitemos.
Procuremo-nos.
Procuremos dançar o melhor possível.
Mesmo sendo descordenados de noção.
Sou várias numa só, pessoa.
Multipolar, variada, multifacetada ouQuanto do meu corpo
É Arte?
Quanto do meu corpo
É Segredo?
Quanto dele é lembrança?
Quanto dele é meu?
Quanto dele sou Eu?
O meu corpo nu
Despe-me da monotonia
Do dia-a-dia...
Regresso a mim quando me toco.
Com o meu corpo faço a arte
De me abraçar, Voando.
Com o meu corpo Abraço-me,
Arfando e suspirando de amor e
De vontade...
Não fosse eu a minha casa
Não faria sentido abrigar-me
Onde repouso todos os dias...
Onde me deito quando quero sonhar,
Onde choro quando me quero derramar.
Onde me venho quando me quero amar.
Não é belo termos um corpo para abraçar?
Vou usando o meu corpo e permito
Que ele me use a mim.
Com as imensas sensações
Que nos podemos dar...
E é de mim que me alimento!
Comendo as minhas verdades...
Bebendo dos meus sentimentos...
Respirando as minhas Vontades...
Respirando Vontades.
A minha Verdade.
(Quis deformar-me para caber melhor onde nunca foi o meu lugar.)
Peguei nos meus cabelos e beijei-os.
(Quis ser outra qualquer, sei lá...)
Peguei nas minhas mãos e agradeci por me levarem a sentir o mundo.
(Fiquei muito tempo onde não respirava, eu sei lá porquê...)
Abracei o meu peito dorido e disse que gostava de estar nele enroscada.
(Temi muitas vezes a minha Luz.)
Então encostei o meu ouvido ao meu coração e escutei a música...
(Chorei muitas vezes.)
A minha mão direita agarrou a esquerda.
(Outrora abandonei-me)
Como não me emocionar ao reencontrar a minha Alma?
(Primeiro rejeitei-me.)
Aceitei-me.
(Antes recusei-me.)
Eu estou primeiro.
(Tive vergonha da minha Luz.)
Deixei ir.
(Fingi ser menos do que Sou.)
Pedi a mim para ser quem Sou Agora.
Aceito-me.
Segurei durante anos esta vontade!
Uma força irresistível de me virar para mim, como se todas as forças que não se veêm me puxassem a mim e me dissessem:Dançar! A paixão secreta!
A terapia que todos deveriam experimentar...
Mas a vida puxa-nos muito para fora, como se nos testasse a nossa vontade.
E nem me segui.
Segui inclusive paixões de outros e fiz muitas pessoas brilhar! O que também é fantástico. E seria lindo só por si, se eu não tivesse vindo para brilhar incandescentemente por mim e para mim!
Aquele chamamento forte que eu ignorei tantas vezes, hoje entendo-o! Foram precisos 33 anos?
Desde que me lembro de mim, há uma força deveras irresistível em estar comigo, em escrever, cantar, dançar, virar-me para mim, seguir a minha vontade, a minha música interior... Criar coisas novas!
Segue-te, sentia eu...
Fico a pensar hoje quantas pessoas vivem assim a correr delas próprias, porque acreditam que têm de ganhar vida e o ganho está fora delas... Quantas?
A vontade de me seguir! Sentia eu...
Não me digam que sou a única?
Porque fugimos tanto de nós?
Que foi isto que nos ensinaram de crescer longe de quem somos de verdade?
Quantos de nós fugimos da nossa voz?
Renasci das cinzas novamente e hoje em dia entendo que é este o meu processo interior contínuo para me apurar e crescer.
2021.04.04
O lado de Luz de Medusa que ninguém conheceu na história...
Medusa orgulhava-se da sua beleza, enquanto a tentavam convencer que vaidade é veneno.
Medusa, a bela que encantou, que se encantou e a quem desencantaram.
A jovem que sonhou e se apaixonou. Ousada. Jovem. Castrada. Cuja sexualidade foi violentada e distorcida como sendo Medusa, a Monstra. Medusa não foi vilã, foi vítima!
E não, Sexualidade não é sexo, redutor seria dizer que sim.
Medusa, dona de uma beleza inigualável, contam, irritou uma Deusa...
Sedutora jovem, que foi morta com um filho no ventre.
Não consigo ler esta história sem ver uma metáfora para uma realidade escondida.
Como eu leio esta história e adapto imediatamente à realidade...
Vamos honrar a Medusa, que foi mandada matar por uma mulher.
Medusa sou eu.
Somos nós.
Somos todas as mulheres castradas pelo nosso potencial e espontânea sexualidade, sensualidade e poder!
E o pior é que somos castradas por nós mesmas!
Até quando vamos castigar-nos por sermos mulheres? Por termos o corpo de uma forma ou de outra?
Por usarmos uma roupa, trapo ou não usarmos?
Até quando vamos castigar-nos pelos erros dos homens?
Ele só foi porque ela teve culpa? Seja ela amante, a "cabra", seja ela esposa, a "distante"...
É mesmo sempre por causa delas?
Vamos crescer juntas, partilhando conhecimento e potencial.
Devemos sentir-nos belas e poderosas. Sem limites. Sem constrangimentos nem complexos! Sem ciumes ou invejas.
Até quando nos iremos afastar umas das outras em vez de unirmos a força que temos juntas?
Ensinaram-nos a extinguirmo-nos. Atenção... Foi uma cilada. Atentem... Foi esquema. Há um medo terrível que nos unamos.
Juntas somos a Força do Universo.
- Doce planta, que espécie és tu?
- Não sou uma planta, sou uma Flor.
- E que folhas são estas que vestes?
- Não são folhas, são asas.
- És uma flor com asas, então, doce Flor?
- Não sei se sou doce, mas sim, sou uma Flor com Asas,
Pois à noite as minhas raízes soltam-se da terra e voam comigo.
- Que bela que deves ser quando voas à noite com as tuas raízes a esvoaçar contigo.
Que espécie és tu que voas à noite e em vez de folhas tens asas, que não precisas das raízes na terra e sais a voar?
Sou a flor que ninguém conhece nem ninguém sabe existir.
Sou discreta e adormecida ao amanhecer e desperto ao pôr do Sol cair.
As minhas folhas não são asas como as vês quando estou a dormir.
Doce ser, nem tudo é o que parece quando observamos com sentir.
...
E já era de noite.
Ela voo.