A tela branca fere-me os olhos que tentam nela ver palavras.
Escrevo sob este desconforto, perante a luz que ela emana,
Semi-cerro os olhos e vejo os pensamentos acerca de mim.
Falam sobre a minha história.
E eu crio um mundo isolado para a sonhar
As histórias dentro da história da minha vida
Como se as vivesse de verdade.
E encontro-me no vinho que tomo
Quando o tomo,
porque o bebo para me ver melhor.
Quanto mais turva for a imagem
Mais nítida sou para mim!
Perdermo-nos de nós mesmos é
Como se ficássemos órfãos
à espera de ser [de novo] amados.
É uma esperança quase estúpida
De tão genuina…
É o eterno aguardar pelo reencontro da alma.
E o espírito definha-se no corpo,
Mirram os sonhos,
Suspendem-se as vontades.
Sustem-se a respiração.

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