Despertei, depois de uma curta noite a sonhar atribuladamente e com micro despertares em pensamentos confusos e fugazes.
Estarei a assumir o papel de vitimização?
E eu não tenho de chegar a todos, basta chegar a mim mesma.
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
- Doce planta, que espécie és tu?
- Não sou uma planta, sou uma Flor.
- E que folhas são estas que vestes?
- Não são folhas, são asas.
- És uma flor com asas, então, doce Flor?
- Não sei se sou doce, mas sim, sou uma Flor com Asas,
Pois à noite as minhas raízes soltam-se da terra e voam comigo.
- Que bela que deves ser quando voas à noite com as tuas raízes a esvoaçar contigo.
Que espécie és tu que voas à noite e em vez de folhas tens asas, que não precisas das raízes na terra e sais a voar?
Sou a flor que ninguém conhece nem ninguém sabe existir.
Sou discreta e adormecida ao amanhecer e desperto ao pôr do Sol cair.
As minhas folhas não são asas como as vês quando estou a dormir.
Doce ser, nem tudo é o que parece quando observamos com sentir.
...
E já era de noite.
Ela voo.