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domingo, 17 de janeiro de 2016

INTENSO...

«Intenso»
É a única palavra que encontro
Quando te encontro a sós
E com que te defino sem mais adornos.

E essa linha que define os teus contornos
É grosso magma que usas como escudo...
(Um escudo forte como tu.)
Mas para mim esse contorno é morno,
O escudo é mudo e ficas vulnerável...
Pela intensidade como mostras a tua densidade.

E «Intenso» é o que és quando gostas
Da envolvência daquilo em que tocas
E que te faz escrever palavras que mostras...
Mas sem veres as minhas mossas,
Vais-me mostrando nas entre-linhas nossas
Que quem fica vulnerável, afinal,
Sou eu, que só sigo quem mais me toca.

Sigo a intensidade.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Carta de Amor. De amor à vida.

Foi complicado deixar a culpa de que severamente me encarregaste.
Foi complicado entender o porquê de te querer longe.
Foi difícil afastar-me, sabendo que te amo.
Foi difícil perceber porque me sentia com mais ar quando respirávamos longe um do outro.
Foi triste quando soube que não somos um para o outro, depois de tanto.

De tudo o que me disseste ao longo da nossa vida eu em tudo acreditei que sim…
Mesmo o que me fazia mal.
Que não podia fazer tudo o que queria, mesmo respeitando-te.
Que teria que te consultar e ceder à tua pressão negativa.
Mas no fim, chamaste-me egoísta e quase acreditei em ti.
Quase.
Não fico com a culpa, grata.

Agora sei que tudo é aprendizagem e lições.
Custou-me e na altura não sabia porque sentia tanta culpa, se nunca te fiz mal.

Não posso permitir que mandem no que escolho para mim, no que visto, nos meus amigos, nos meus gostos, no batom, nos meus horários, na saia, na blusa, no que bebo, no meu gosto, no que faço, no tempo que perco com cada coisa que aprecio.
Não posso permitir que espiem o meu mundo, que me comandem, que decidam por mim quando gosto, quando quero ou quando me apetece.
Não posso permitir que me manipulem.

Foste-me cortando a cada dia as asas, com o carinho de quem não sabe bem o que faz e um dia eu acordei e só tinha vestígios delas no meu chão! Eu já não as tinha em mim…
As minhas asas…
Elas eram só penas caídas, cortadas, amassadas, sumidas, amachucadas…
Não percebi que estava a ficar sem elas, até que tentei levantar voo e caí.
Estavas lá para me amparar e ajudaste-me a levantar, mas não me ajudaste a levantar voo.
Eu não me dei conta, mas agora sei como e porquê e livrei-me.

És boa pessoa.
Eu sei que vais sempre vir auxiliar-me quando eu mais precisar.
Virás sempre que eu te chamar. Eu sei. Assim combinámos.
E tu amas-me. E também tens muito sentimento de posse.
Cabe a mim aprender a chamar-me e saber ser sem ti.
A minha tarefa é essa, ser sem mais ninguém, porque antes fui sempre tudo menos eu, todos antes de mim. E foi para contrariar essa constante que eu voltei e vim.
Eu agradeço-te por me ajudares a evoluir.
E sei que não compreendes o que te digo, nem entendes o que acredito.

Eu sei o que vim resolver a este mundo e sei que combinámos antes encontrar-nos.
Eu teria que ter a força de partir mesmo gostando, para saber o que é dar-me valor.

Quanto ao que sabemos e ao agora…
Não posso seguir mais contigo.



Não és má pessoa.
Mas até as boas pessoas têm coisas menos boas.


Aquela que nos acompanha sem estar...

Todos procuramos algo, alguém.

Criaram-nos num e separaram em duas metades.

É disso que não me lembro bem como é, mas eu sei que já soube e tenho saudades.

Tenho saudades tuas.

Onde estás?

Procuro-te e enquanto não te encontro imagino como poderás ser... E imagino todos os dias onde poderás estar.
A peça semelhante a mim, que não sendo eu será a pessoa gémea, a peça que se encaixa, a que me falta e sinto falta.
Uma saudade inexplicável.

Eu não quero a metade de mim, quero-me inteira e quero o todo de ti.
Mas nunca te senti...
Eu li que é no abraço que se sabe.
Quero abraçar-te e matar saudades deste tempo todo sem ti, porque sinto saudades de algo que senti e que não me lembro de como foi sentir.
Dizem que se sabe quem é pelo abraço, por isso abraço tanta gente, na busca de quem serás...

Onde estás?

Sinto-me incompleta.
Uma solidão que não encontro explicação.

Abraço este mundo e o outro para te encontrar!
Mas de todas as pessoas que abracei eu nunca te encontrei!
De todas as que amei, eu não te senti lá, como li que se sabe e sente!
E só se sente, se for realmente a Alma Gémea da gente...

2016

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Gozo

(...)
E tu és minha vítima.
Eu uso-te.
Na verdade, a par disso, eu saboreio-te.


2015

Personagens

Muitas vezes eu uso as minhas pessoas como objeto catalizador. Como inspiração.
E não significa que essas pessoas figurem nos meus poemas... Mas está lá o seu ADN.
Algumas pessoas iludiram-se, convencidas que era tudo para e/ou por elas... Mas não.
É tudo para mim.
E tudo pela arte.
É como se eu fosse uma vampíra que suga das pessoas o que precisa para produzir.
Normalmente há algo na pessoa que realmente me toca.
Por vezes invento uma personagem parecida à pessoa só com o que desejo usar para escrever... Quando pouco há nela, mas tem algo...
É tão engraçado...
Serei má?
Aproveito-me das pessoas... São minha vítimas.


Outubro, 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

Dar, receber, ter.

Que mais posso pedir?...
Se eu também não me dou
Nem quero dar,
Quando te quero sem querer estar
Nem te quero, só querendo ficar...

Que mais posso pedir
Se quando me procuras
Também eu não sou tua,
Nem tua nua sou exclusiva...
Mesmo que me enchas de sentimento...,
Não posso pedir ou exigir...
Não posso saber ou sentir,
Mesmo quando suspirei por ti
E me apercebi que um pouco me perdi.


Penetrar pessoas

Tenho um dom que me esqueci com o tempo...
Resgato-o de novo, com carinho.
Eu penetro pessoas com o meu amor.

As pessoas sempre me interessaram, sempre me fascinaram. Mas esqueci-me de quão fantástico é penetrá-las e compreendê-las e senti-las!
Esqueci-me e até deixei que me ensinassem a quase odiá-las...
Mas "são apenas pessoas", diz alguém sábio, que foi o gatilho para completar o ciclo que me voltou a lembrar que eu já penetrei pessoas até às entranhas do que não sabiam ser possível...
Eu amo pessoas. Mas esqueci-me disso. Até inverti isso, em tempos, passados. Passou. Já passou.
Eu vejo luz na escuridão, vejo belo no mais feio, vejo claridade na penumbra das pessoas que me intrigam e eu decido amar, como se fosse eu mesma...
Quem és tu? Quem és tu por quem passo e respiras o mesmo a que eu?
Um dia abordo-te... Um dia, uma noite, serás tal como meu, sem sermos de ninguém, mas ensinaram-me a chamar-vos de "minhas pessoas".
Obrigada a quem cruzou o meu caminho.
Na verdade, eu acredito que fomos todos encomendados.
Combinámos encontrar-nos...
Todas as relações foram combinadas, quase todas estudadas.
Todas as pessoas são almas conhecidas, sábias, antigas.

Penetrar-te o Ser

Mostra-me o que escondes sem querer.
Meio despreocupado se alguém realmente
O desejará saber...
Na floresta densa em que habita
A tua forma de Ser
Que se esconde a quem passa,
A quem olha sem querer ver...
Eu observo-te mais de perto
E vislumbro na densidade do que és...
Raios cortantes de tua luz,
Entre o arvoredo Negro,
Que me indicam o caminho
De algo que tens quase, quase em segredo
Mas que me desafia devagarinho
A procurar com carinho,
O que vais mostrando meio a medo.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Eu não me afastei de ti.
O meu corpo é que se rasgou do teu
E deixou uma ferida aberta
Que todos os dias sara um pouco.
Quando te ouço e te leio,
Mesmo à distância,
Ela sangra.
Tenho imensas saudades tuas.
E só com isto eu entendo
O quanto gosto de ti.
Como é tão forte, intenso
O que criámos...
Ouço a nossa música...
«Estendo o corpo e adormeço
Sono tenso, sonho intenso
Entre nós só fumo denso
Fumo denso...
É só fumo denso...
Fumo denso...»

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sou feita de sonhos de algodão.
Uns são doces.
Outros não.


Podia ser.

Podiamos correr o mundo.
Podiamos divertirmo-nos sem nos amarmos.
Podiamos ser tudo sem ser nada.
Podiamos ser o que nunca tiveste.
Podias ser o que nunca tive.
Podiamos...
Podiamos...
Não somos.

ADN

Procurei-te, um dia, porque escrevia um livro.
(E comecei a escrever um livro porque... Sonhei.)
Um dia achei que precisaria de mais do que umas palavras... Mais do que a minha imaginação.
A imaginação não foi o bastante porque me apaixonei pela emoção do que nela pintava.
E achei que me apaixonei por ti. Se calhar... Não sei.
Então escrevi.
E o meu livro tem uma personagem com o teu ADN.
Costumo dizer isto quando alguém é inspiração para algo que escrevo.
Eu quis mais que palavras.
Palavras não me chegaram.
Palavras nunca me chegaram...
Ainda escrevo o meu livro.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Escolhas

Corro o mundo à procura de mais do que tu.
Corro o mundo e não encontro melhor que tu.
Corro o mundo e o mundo é curto...
Corro e procuro-te.
Procuro-te no mundo.
Mas não te vou encontrar.
Porque nada do que eu vivi eu viverei.
Nada do que eu encontrei em ti, eu encontrarei.
E eu só me minto ao dizer-me que voltarei.
E após correr o mundo, mais tarde, irei perceber que
Agora, eu só perco ao pensar que novamente te terei.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Sonhos

Entro nos teus sonhos, porque quero Sonhar.
Tenho esperança que contigo consiga comunicar...
Na realidade em que assentamos os nossos corpos,
Não nos podemos tocar, por isso, hoje
Eu vou-te buscar.
Vamos procurar-nos um no outro,
Vamos perder-nos...
Numa dimensão sem tempo nem espaço,
Só os nossos corpos e sensações,
Sem regras nem colapsos de tempo,
Vou procurar-te e vou encontrar-te...
Adormeço ao som da chuva,
Lá fora sentem-se as gotas...
Aqui, sinto-me a ir...
Acredita, aguarda-me, eu vou aparecer...
E no nosso sonho, as gotas que escorrerem
Vão ser de nós e não vão ser gotas

Serão rios de prazer...




Inspirações...

Não estranhes que não te olhe mais
Porque
Uso-te para inspiração.
E…
O meu corpo desfaz-se em pétalas vermelhas quando te pensa.
Toda eu sou poesia agora.
Toda eu sou vermelha energia que brota fora…
Do meu Eu…
O Eu que procurei
E foi perdido outrora…



O que fui e sou

Eu agarro tudo o que vem
E espremo o sentir,
Esmifro as sensações
E não preciso de ninguém comigo,
Só preciso da minha mente.

Se me deixassem,
Passaria horas a debitar palavras juntas,
Conjuntos seguidos,
Textos imensos
Segmentos sentidos,
Intensos para mim,
Intensos para muitos consumidos…
Por mim.
Toda eu sou poesia agora
Que me descobri.
A antiga que agora é de novo
Nova.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Eu, Eu, EUgoísta.

Ponho tudo o que sou em tudo o que faço.
Nem sei não ser Eu.
Mesmo que tente ser um pouco de outrem,
Sou ainda mais Eu, junto com mais alguém.
Sou tudo o que não foi inventado,
Para que pudesse ser só Eu.
Sou Eu, Eu e mais Eu.
E chamem-me Egoísta.
Chamem-me o que vocês quiserem...
Porque Eu, Nasci para Ser
O que não foi antes o meu Eu.


Memórias passadas no presente

Merda.
Homem é Homem.
Aliás, como Mulher é Mulher.
Mas é de homens que falo. Falo de falo.
Não me interessa se tem filhos, se tem primos,
Irmãos ou se é órfão!
Foda-se!
Para mim, homem, é homem!
Vejo cada pessoa como uma e não com agregados…
Que se lixem os moralismos.
Sou feita de sentimentalismos.
De emocionalismos!
De Paixão! Foda-se!
Sou feita de Paixão!
EU quero lá saber se tens um irmão, um cão
Ou se és parvo.




Escolhi-te.

Para mim trata-se de querer ou Não.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Vontade Recíproca


Onde tudo é intenso e sensual,
Encontro-nos a trocar músicas
E histórias de um mundo divinal.

Onde tudo é escuro e sedutor,
Encontro-nos a trocar olhares
E palavras de quase amor.

Onde tudo é pouco...
Encontro-nos a apalpar o ar oco,
A beijar as sombras com sufoco...
E a partilhar um desejo recíproco.

Afinidades



E de repente encontrei-te.
Os teus olhos, que ao início me perturbaram,
Tornaram-se agora cúmplices dos meus,
Porque quando nos olhamos estamos a praticar telepatia.

E eu sou uma criança quando estás junto a mim
E sinto que és da minha família.
Sinto que já te conheço há tanto tempo…
Há mais tempo do que aquele que consigo precisar
E do que tenho de vida.

A tua energia recarrega a minha,
Os teus olhos agora meigos abraçam-me.
Fica comigo por muito tempo.
Dois bons poetas merecem ser melhores amigos
E almas gémeas não se encontram todas as vidas.



Setembro, 2015


Sonha Contigo


Inspira-te com os meus sonhos
E sonha os teus todos os teus dias.
Deixa-te colorir pelas minhas cores fortes
E pinta o quadro da tua vida!
Brilha fortemente por me veres brilhar,
Espelha em ti o teu melhor e reflete-te nele!
Aquece-te com o meu fogo e queima-me…
Queima, queima até ser fogo!

Onde mora a tua luz? Onde?
Eu vivo lá em cima na intensidade.
Queres experimentar?
Segue a minha vontade e respira-me…
Inspira-te com o meu mundo
E deixa-me cantar para ti.
Deixa-me trazer-te a esta Euforia
Que é a minha forma de vida!
Contagia-te com a minha energia!


Eu sonho tão amarelo e verde
Vem sonhar contigo e traz o mar!
Apaixona-te por ti.



Outubro, 2015

Despeço-me.

Despeço-me.

É estranho…
Despedir-me de alguém que nunca cumprimento.
Mas despeço-me. E sem ressentimento,
Porque não vejo culpa… Nem a minha.
Mas eu sinto-a… Porque há sentimentos...
Algo que nos meus pensamentos nos sublinha
Existe algo que tentei ignorar.

Há reticências…
Um lume qualquer…
Que surge maior agora,
Que nem percebi a tempo, sequer.
Eu não controlo e vê-se por fora...
Não ignoro mais as evidências.
Desculpa o desconforto.
Para mim foi pior não perceber o porquê
De tanto conforto ao teu lado…
És o meu segredo privado.
Eu sou só a que não te sou nada…
Mas tu, és quem me deixa
Horas acordada.

Adeus com o beijo que não te dou,
Com o abraço que não sabemos como é.
Volto quando não te sentir mais assim
Ou não volto mais…
Porque posso nunca mais voltar a mim.




Dança...

Quero consumir-te como quem
Respira.
Eu quero perseguir-te
Como quem alimenta uma mentira.
Sem mentir...
Queres seguir-me?
É que quero comer-te o coração
E espremer-lhe o sumo da Paixão.
Quero respirar o ar vindo da tua boca,
Mostrar-te o sentido da minha alma barroca
E espírito fora de época.
Quero sentir a tua razão
A perder-se na nossa respiração.
Consegues imaginar?

Salva-te de mim enquanto puderes,
Porque eu vou acabar contigo.
No dia que me provares e mais quiseres,
Posso não voltar ao teu abrigo.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Por entre o teu Mar...

Tenho saudades da tua voz...
E do que não conheço em ti.
Sinto saudades dos momentos que
Não sei como são contigo
Porque ainda não os vivi...
Sinto a tua falta agora, aqui.

Na minha mente figuram imagens,
É solitário, é inevitável...,
Sob o teu mistério infindável.
É assim que me deixas, vulnerável...
À procura e ti nas paisagens
Do meu pensamento indomável.

Não me cures da saudade que tenho.
Não me dês tudo o que te peço.
Priva-me do teu Eu, de nós,
Porque eu não te esqueço.
Faz-me ansear pelo nosso engenho,
Pelo nosso momento a sós.
Alimenta o teu desdenho.




sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Raciocínio Plutónico Carnal

Faço sexo com as tuas palavras.
E eu dava-te de vontade imensa
Todos os meus versos de palavras cruzadas,
Todos os pensamentos de mente embriagada,
Dou-te o meu desejo de tudo e do nada...

Faço amor com o teu pensamento.
Comia-te a voz se desse, como alimento...
A mesma que todos os dias me apetece.
Eu lia-te todos os dias se pudesse, ao jantar,
Porque ainda devoro essas palavras tuas:
«Desejo os segredos dos teus lábios
e as mentiras do teu olhar»
E isto é tudo tão verdade que,
Se a mentira falasse,
Eu não saberia o que te falar...



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Desprezo

Sei o que é ser seguida pelo Universo.
Sei o que é ser olhada pelo mundo
Quando passo, do mais poderoso ao vagabundo.
Sei o que é ter aos pés frutos verdes e maduros.
E como sei o que é ter toda a atenção,
Fartei-me de ter Sim e esqueci-me do que é um Não...
Como tal,  não quero o teu "Já"!
Nem o teu "Quero", eu quero um "Não!",
Não quero o teu "Sim" sem Senão...
Prevejo prazer no teu "Não"...
Porque o teu desprezo à pouco deu-me tanta,
Mas tanta...

Dá-me gozo o teu desprezo e falta de atenção.
De pessoas vulgares, coisas fáceis e previsíveis,
Está a minha vida farta, tenho essa sensação...
Faz a diferença e dá-me desafios difíceis.
É assim que te desafio neste jogo...
Tenso, intenso, cheio de tesão.

Joga comigo. Vamos jogar!
Vamos construir as regras e a exceção.


Sagital

É uma questão de tempo,
Enquanto não é o tempo de a tempo
Nos engolirmos no vento
Que brota da nossa Força,
Por querer ir mais além e deixar mossa,
Por desejar brutamente
A alma da carcaça
Que trazemos de graça
E a côdea comermos!

Labirinto de sombras

Por engano,
Tocas-me.
Neste labirinto em que nos conhecemos,
Somos paredes de sonhos e sensações.
Levo-te para o outro lado
Na dimensão seguinte e
Troco o sono por ti.
E eu toco-te...
E tu tocas-me com perfume
E guardas-me naquele que trago
E que te irás lembrar...
Somos sombras neste labirinto e
Embriagas-me com os teus contos...
Bebo do teu raciocínio
As histórias que são meios e fins,
São inícios que me prendem a ti.
São essas palavras que me levam a sentir-te...

«Palavras, leva-as o vento»...
E Sou Palavra que levas, se quiseres,
Porque deixo-me ir ao alento
Do que desenhares e fizeres
Por valer a pena o sentimento.
Faço Sexo com as Tuas Palavras.

domingo, 15 de novembro de 2015

A noite acorda poetas

A noite acusa-nos.
Morde-nos os sentidos
E tudo o que pensamos é mais…
O sono não grita e a metamorfose
Ocorre vagarosa e saboreia-nos.
Os meus dedos desenham as palavras
Que a minha mente pousa nuas.
Dispo-me para ser mais tua,
Que a emoção não é suficiente…
E a vocação é crua, minha, pura.


Vejo jardins de prazer mútuo
Quando nos trago ao pensamento.
Sem que te deixe saber se és a figura
Que figura neste meu momento…
E planto frases que na tua mente atuam
Como incertezas vagas que flutuam
Ao lado das luzes que analisas no céu.


A cidade brilha e é laranja e preta…
É densa, solitária e negra…
É certa de certeza que a sua frieza
Traz poetas à janela
Pra sentir a sua humildade e beleza.
E eu deito-me cheia de mim mesma.

Tens algo...

Curiosas-me a vontade de te saber.
Aguças a que te quis conhecer,
A curiosidade por te absorver.

Não me importo com o que dou.
Não ligo a quem sou ou o que causo.
Apesar de saber o que estrago,
O corpo que tenho não é nem metade
Da grandeza invisível que trago
De mãos dadas com a minha verdade.

Apaixono-me por entranhas.
Quero ver as tuas, bem estranhas,
Essas que me cativam em manhas
Que já me enlacei várias manhãs...

Leva-me para um sítio escuro
Que eu não saiba sair. (Tensa.)
Um sítio que conheças, surdo,
Com música de sonhos, intensa,
Com teias de arte e um vazio duro.
Um sítio com poesia abstrata,
Uma Lua, um copo, um muro.

Sou movida a Sol;
Lá Si Dó.
Mas eu descubro-me
E derreto-me
É na noite.
É Lá que me Sinto.

A Ave Negra

Era um pinto quando chegou, um pinto engraçado, que todos pensaram a certa altura que acabaria por ser uma galinha.
O pinto tornou-se realmente na galinha que se acreditava ser, porque não sabia que podia ser mais e acreditou pouco nela. Galinha.
A galinha quase foi comida porque nunca mais voava e naquele lugar onde ela pousava, onde todos voavam, onde todos eram ou gaivotas ou águias, um ou outro falcão…

Um falcão analisou-a como somente e apenas eles sabem… Viu potencial. Tremeu sem que ninguém soubesse.
Mas também lhe viu fraquezas e no meio de tanta coisa e de tudo, não se preocupou, pois ninguém teria paciência para ensinar aquela ave que se achava ser uma galinha, a voar. Nem mesmo ele o desejou alguma vez.

E ela foi posta de parte, sem sequer saber disso. A galinha.
De parte, houve uma águia-falcão que a acolheu e acreditou que a galinha poderia melhorar e pelo menos, voar.
Talvez soubesse que apesar de não ter nascido para voar (se calhar), até os pombos conseguem…

A galinha conseguiu finalmente levantar voo.

A galinha percebeu que conseguia voar como as outras gaivotas e até compreendeu o que muitas águias faziam para se manterem tão alto, tão atentas e percebeu o que os falcões fizeram para conseguir caçar e planar...
Quis ser ajudada a ser gaivota. Deixou. Conseguiu.
Sentiu-se gaivota e até planou no meio da chuva e vento.

A gaivota levantava agora mais facilmente voo, planando e ficando lá em cima.
Mesmo quando caia, não se sentia em baixo. E incentivou outras gaivotas a saber cair e levantarem-se…

Mas esta gaivota não era ágil como as outras. Tropeçava, não tinha sido feita para caçar… Se calhar…
Era trapalhona no ar.
Foi-lhe dado como certeza que não iria nunca voar, não mais com o seu bando, para longe, pois não servia para aquele trajeto.
Pediram-lhe que em último caso que não mostrasse medo ou desmotivação, deveria manter-se em altitude, embora quase de certeza sem desculpas, seria posta fora do seu bando, que ela até gosta muito.
A gaivota com alguma tristeza, tentou então ser logo falcão, mas só conseguiu ser uma imitação, embora até soasse a águia de vez enquanto. Mas o falcão caça sem perdão e a gaivota vai caçando…

No meio de se achar, sem saber bem o que era… a que achavam já ser uma razoável gaivota, que se conseguiu manter alinhada com o bando no alto, ficou um tempo em reflexão consigo própria e questionou-se porque se sentia melhor que uma gaivota, mais delicada que uma águia, mas não tão sábia e agressiva quanto um falcão…
Então o que seria ela?
Sentia-se meiga demais para falcão ou águia e ousada demais para gaivota… Começou a tentar encontrar-se nas caçadas!
Experimentava agora manobras sem se preocupar com o que à sua volta se passava... Pois também agora já se encontrava mais segura no bando que a havia aceite.
Manteve-se ao lado das boas gaivotas e um pouco acima por vezes.

Subitamente soube que uma tempestade se avizinhava e aquela que nunca se achou, mas foi-se achando, e sempre  soube que era algo mais e diferente do que diziam e sentia-se agora cada vez mais com grandes asas, mas não era nem gaivota nem águia ou falcão.
Ganhou capacidades e apercebeu-se de certos erros que havia cometido, alguns graves, por isso caiu tantas vezes no passado, por isso tantas vezes não se soube erguer mais rápido que os outros, por isso agora estava melhor que nunca.

Hoje foi o dia que aquela que nunca se achou mostrava a si própria, mais que a qualquer outra espécie, o que ela sabia fazer, sem pensar se já se havia achado ou não e heis-que a resposta chegou…

Aquela que não sabia quem era, conheceu-se melhor e melhorou-se…

O caminho que percorreu mostrou-lhe que sempre foi forte demais para ser galinha, linda demais para ser só gaivota, meiga demais para ser águia e livre demais para ser um sisudo e calculista falcão…

Ela é uma andorinha, no meio de águias, gaivotas, falcões e algumas galinhas tal como ela era, igualmente mal aproveitadas…

Graças a algo superior no seu interior e a uma águia bondosa, a andorinha fez-se naquilo que só poderia vir a ser, de acordo com a sua natureza.
É andorinha que ela quer ser, pois a andorinha será capaz de fazer o que os outros fazem, com uma delicadeza própria da sua espécie e a paciência que só a Primavera é capaz…
E a andorinha, mais do que nunca, nela acreditou.
E a andorinha voo.
Sob a Lua que está Hoje,
Procuro-te
Onde sei que não te vou encontrar,
Para te dizer o que sei e
Mostrar o que não te posso contar…
Sem saber se tu sabes
O que sinto e que não posso
Revelar.

As tantas vezes que eu tentei
Ignorar que não te ignoro,
Só serviram para fortalecer
Este desejo consecutivo
De te provar na noite
Que trazes contigo até tarde
E que insisto em atravessar…

Fingir que não te vejo
É agonia por te desejar olhar.
Em carne pouco vestida
Cuja vista adoro pousar…
Mas sou tímida e não te observo
Da mesma forma que te quero provar.

Falo de ti, que és proibido,
De ti que não me és nada.
De ti que me estimulas a libido
E provocas a minha ética
Numa fórmula desenfreada.

Deixa-me dançar hoje Semi-Nua,
Sob a cor da noite que nos dá a Lua.
Deixa-me dar-te este momento…
Veres-me pura e crua, como Nunca…
Ninguém pode interromper o nosso tempo…
Porque ele só existe no meu pensamento.

sábado, 14 de novembro de 2015

Propósito de Vida

Vou-me embora.
E vou porque quero
E vou a chorar.
Algo me chama do outro lado.
Saio em lágrimas.
Até posso chegar à outra margem
E não haver nada,
Mas algo me chama…

A chama já não está forte,
Mas vive e é quente.
Mas há uma chama em mim que
Vive mais forte e não se acalma.
Tenho em mim todos os sonhos.

2015

sábado, 7 de novembro de 2015

Estar onde não estiveres


Fui até ao Deserto
Para me esquecer
Que és quente
Quando estás perto.
                  
Corri milhas
Para me cansar
E não me lembrar
Das tuas trilhas.

Cantei alto e demais,
Para não ter mais voz
Nem cordas vocais
Para te chamar de nós.

Gastei as palavras
Que sabia dizer
Para não saber
Que palavras falar…

Tentei fugir
Mas encontraste-me
Na tentativa de ir
E agarraste-me
Para eu não fingir.



Onde te amei?
Onde me perdi?
Onde me cansei?
Onde te esqueci?
Onde me achei?
Onde te perdi?



Um pássaro numa gaiola é uma antítese.

Deixa-me voar.
Não me cortes as asas.
Se quiseres abraça-me
De cada vez que eu pousar
Ou se cair e me magoar...
Se quiseres. Mas deixa-me Voar
E Cair.
Assim é, gostar de alguém.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Estou aqui.



Poderia estar em muitos lugares.
Mas agora, estou apenas aqui.
Onde estive já não estou mais.
Agora só quero manter-me assim.
Aqui.
E se escolhi este lugar, é porque o quero.
Mas não preciso dele todos os dias
Nem só para mim.
Não faltam lugares a chamar por mim,
Sítios a desejar-me ali…
Mas eu sai de onde estava
Para experimentar estar aqui.
E definitivamente
Já não estou em mais lado nenhum,
Senão aqui.                                                                                                 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Amarelo

Preciso de amarelo na minha vida. O amarelo é uma cor primária que sempre evitei vestir.
Nunca gostei de me ver com amarelo. Mudei há uns meses e comecei a vestir-me de amarelo algumas vezes… Talvez até aos 17 anos tenha evitado menos e gostado mais… Não sei bem porquê.
Preciso de voltar a ter amarelo na minha vida.
O amarelo é vida e nem sabia…
Preciso de vida na minha vida, apagada quase por 10 anos de vida.
Não sei fazer amarelo, porque amarelo não se cria… Amarelo procura-se e encontra-se.
Se Amarelo fosse felicidade, estaríamos todos repletos dela só de ver o Sol nascer todos os dias para nós. O Sol é amarelo. O Sol nasce todos os dias.
E nós não morremos, pois não?

domingo, 1 de novembro de 2015

Somos Fogo

Vejo-te ao longe e eu não aguento…
Eu aqui já te toco com o pensamento.
Toco-te finalmente e provo esse momento...
Esses lábios que beijo, que sugo, que tento…
Sempre me desafiaram o sentimento.
Abraço-te e mordo-te o pescoço com alento…
Beijo a tua orelha, quente, com intento
E mordo-te os lábios sem tempo…
Absorvo esse desejo e devolvo em dobro…
Balanço-me no teu corpo com sedução e me desdobro
Nas tuas mãos, que nas minhas ancas cantam em coro…
Puxas a tua roupa e sinto-me no teu corpo, que cobro.
A minha pele pede à tua contacto direto…
E sem pressa mostro-te o caminho certo...
Conduzo-te lentamente e com critério
À roupa que te tira do sério…

Sentes a textura da nossa saudade
E brincamos com vontade, na profundidade
Um do outro, cheios de verdade,
Com fogo e legitimidade,
Nos preliminares que desenvolvemos por vontade
Sem nos darmos conta dessa generalidade
Que nos toca sem oportunidade.
E tu mordes os lábios, de perto,
Sem saberes que com isso me desconcerto…
Me desconcerto…
Me liberto…
Te desperto…
E nos acerto…

Dás-me o corpo em que aconteço…
Te liberto, te prendo e te ofereço…
E nesses olhos, verde quase fingido,
Apaixono-me pelo teu corpo moreno, torcido…
Esses lábios grossos, cor vermelho vivo
Que beijo sem cansaço, sem sentido,
De olhos fechados vejo o nosso corpo fundido.
Premido… Espremido, Sentido.


Este lume que me dás,
Só tu,
Só eu,
O fogo que nós temos,
Só nós…
E dá-nos aquele aperto…
Que nos põe ainda mais dentro,
Um no outro, bem dentro…
E tu coberto…
Boquiaberto…
Certo...
Perto.
Re-Acontecemos.

Outubro, 2015

LuTo

Quis fazer o luto contigo.
Quis continuar-te, separando-te de mim
E alimentando o que de melhor sabemos fazer,
Porque é tão bom...
Mas aí onde nos temos, não há tudo…
E não é possível fazer, assim, o Luto.

Novembro, 2015

Desafio

Devia estar feliz por ser quem sou,
Por ser como sou e sê-lo tão bem.
Mas parece que me desafio constantemente
E sem perceber como e com quem…
Fora do meu controlo e somente
Em lugares não confortáveis e de acesso difícil…

Se não consigo o resultado a que me propus
A paciência deverá ser uma aptidão a trabalhar
Pois logo penso em voltar aos desafios comuns…
Mas o nível 100 de dificuldade foi eu quem quis...
Então com este jogo, o que desejo eu afinal provar?

Às vezes parece que nada acontece…
Enquanto se joga no alto nível de superação…
Mas o que não se vê não quer dizer o que parece…
Não quer dizer que não esteja algo lá
Realmente em ação…
O que tiver de ser será e já lá está.
O que não cola logo não quer dizer que não colará.
O que não toca logo, não quer dizer que não tocou.
O que não se sente à distância longa
E fora do olhar que já se trocou,
Queima…!,
Na presença, pelo olhar que demais falou.


Outubro, 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Carta de Apresentação

Nasci Casulo, mas ao estilo Caixa de Pandora.
Vim até onde estou para ser Borboleta.
Tudo o que enfrentei e enfrento agora
Nasci e fui preparada para enfrentar.
Sabem que fui eu quem desenhou a minha linha da meta
E que as ferramentas estão em mim?

Sempre fui eu quem terminou as minhas relações.
Em lágrimas sentidas que nem sempre foram reconhecidas.
Eu Nunca Me Achei totalmente com Alguém,
Nunca soube exatamente como é ter a Metade de Mim,
Como é sentir-me em casa, na praia e no jardim…

Tive atrações de todo o tipo e atraí de tudo.
Traí uma vez e de tanta culpa caí lá no fundo.
Apaixonei-me brutalmente três vezes, duas vezes amei.
Uma ou duas destas cinco vezes não fui correspondida…
Sempre fui verdadeira, aprendi a confiar e acreditei.
Por ninguém ponho as mãos no fogo porque me queimo.
A última pessoa que amei, à minha forma ainda amo.

Descobri que não sou capaz de amar para sempre.
Descobri que o mundo não é cor-de-rosa e azul mar.
Descobri que quero ser sempre criança e voar…
Aprendi que todos temos uma missão desde o ventre.
Encontrei-me aos 17 e descobri-me aos 27 anos.

Realizo-me a cada fracasso que reconheço meu.
Supero-me a cada passo que dou, que o Universo me deu.
Transbordo-me quando vejo que quem fui, já não sou Eu.
Quero ser como a Fénix que renasceu das próprias cinzas
Quando todos souberam e pensaram que morreu.

Outubro, 2015

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Direção a seguir

Sigo em direção ao Nada
Pensando que te quero
E sabendo que é na tua chamada
Que tenho o que espero…
(Tudo.)
Guio contrariada,
Perdida na madrugada,
Na direção errada,
Pisando rápido a estrada
Que te afasta da minha jornada,
Sob a raiva da trovoada
Que espelha a tua imagem molhada.
E é quando me apareces que pressinto
Que te quero mais íntimo…
Quando te olho eu não te minto…
Eu troco-me, derreto-me e finto
Tudo o que escondo desde que te sinto…
Dá-me um sinal e mudo o rumo
Do presente que tenho passado
Rumo ao futuro que tenho imaginado
Dá-me um sinal e deixo o que tenho amado
Sem hesitar, sem esperar, sem te cobrar...

Principalmente sem te amar.

Outubro, 2015

domingo, 11 de outubro de 2015

A lembrança do tempo

Toda esta terra me lembra
A tua presença e imagem.
Todos os sons, todos os cheiros,
E cada paisagem...
Até a muralha texturada
Em que toco, mais
Este mar e areia em que me demoro,
Todos eles... alimentam a minha
Expectativa de encontrar-te.
Todos os meus sentidos desejam
Inadvertidamente, buscar-te.
Não és Deus nem omnipresente,
Mas eu sinto-te por toda a parte.
Já não sei quem és
Nem o que gostas...
E como um fantasma apaixonado,
Eu continuo a esperar-te.

2014

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Olhei


Olhei,
Não por acaso,
Por entre a brecha que nos fechava intimidades e…
Por felicidade não premeditada
Deixaste cair a toalha que tinhas à cintura atada
E eu deixei cair o desejo da minha inocência calada…
E viste nos meus lábios entreabertos
A expressão de interesse…
(Que escondo sempre na tua presença.)
Por mais que ansiasse um momento destes…
Nunca o pedi.
Irias desmanchar-me, tal como aconteceu…
Pegaste na toalha que nos revelou e escondeste-te…
Mas ficou tudo exposto.
O ótimo e o menos bom…


domingo, 4 de outubro de 2015

Eu só quero...

Eu, de ti, só te quero comigo
De vez enquanto…
De ti, só quero a tua forma
E um pouco do teu jeito.
Não te quero meu amigo, amado,
Companheiro nem querido,
E jamais te quererei namorado.
Só quero a tua resistência e resiliência,
Quero muita física e alguma química.
E após tudo o que fizermos,
Que vai ser delicioso e esgotante,
Que fique claro, podemos ser inércia
E seguir cada um sem o outro adiante,
Até à próxima.

Quero oferecer-te danças privadas,
Intensas de gargalhadas,
Encontros secretos em madrugadas,
Dar-te massagens molhadas,
O meu corpo e as tuas costas suadas.


Eu, de ti, somente desejo fogo de corpos,
Momentos longos de intensidade
Cheios de suspiros e gemidos
E curtos de romance e história.
De ti, quero muita profundidade
E toda a superficialidade que formos capazes.
Toda a originalidade que conseguirmos
Colocar nos nossos “a sós” fugazes…
De ti, quero tão-somente, por fim…
Disponibilidade sexual para mim.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mundo Paralelo

Escrevo para não estar em solidão.
(Aqui o mundo é muito mais intenso.)
Escrevo para ficar bêbeda de emoção…
Esta que só tenho nas minhas palavras,
As que escrevo com sonhos e muita paixão.
E sinto-te cada vez com mais atração…

E produzo este vinho que me adormece
Na noite em que as palavras são a minha cama.
(Porque não me deitei contigo…)
Os poemas são o meu coração que não esquece…
E retribuo-te o olhar que na tua atenção se aquece.
(E me lembra que te quero comigo.)

Escrevo assim porque me aproximo
Do que não posso sentir em mãos.
Expresso-me como se comesse
Um pedaço do que adivinho o sabor…
Sinto o que não sei como se sente,
E se tudo o que escrevo, eu pudesse…
Seria tão satisfeita na minha
Infelicidade perfeita
De quem não se prende pelo amor.



Ofélia Castro, 2015

sábado, 19 de setembro de 2015

Sonhos de Agosto

Tu,
Que invades os meus sonhos,
Pára-me.
Tu,
Que me prendes na tua presença,
Manda-me embora.
Tu,
Que me atrais até ti,
Dá-me mais indiferença.
Tu,
Que nada me falas,
Diz-me que não vai acontecer…
Não me deixes ceder.
Tu,
Que me segues nos pensamentos,
Diz-me que não haverá nada…
Para eu parar de pensar na possibilidade
De tocar-te numa madrugada.

Ofélia Castro


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Ela...

Fico-me pelo sonho...
Fico-me pela noite...

Ela avisa-me que o tempo escorre-me pelos dedos...,
Que vai visitar-me todas as noites
E confrontar-me com os meus medos.
Ganho mais força e ela também...
Damos a mão,
Sincronizamos a pele, os ossos
E o nosso sangue em circulação...
Ela vem e pega-me pela mão,
Leva-me pelos caminhos da inspiração
E dá-me letras e sons que não conheço...
Ela só existe em mim.
Ela só existe por mim.

Ela chama-se: VOCAÇÃO.


Diana Estêvão
2015

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Nunca Será Tarde Demais


Nunca será tarde demais…
Se no teu peito sentires
Que não te concretizaste,
Nem fizeste tudo o que desejaste…
Esses pensamentos lentos…
Que tens tido durante a noite,
Que te levam a querer
Cruzar Mares Turbulentos
Cuja coragem te faltou ter...

Nunca será tarde, pessoa,
Para descobrires a alma que és,
E trazeres a ti, a gloria a teus pés.
Nunca será tarde enquanto doa
A verdade porque não te reges
E que todas as noites adormeces…

Nunca será tarde, guerreiro,
Para Vingar no Fogo Cruzado
E praticar o Desejo Fundado
Bem guardado e amassado!
Aquele que omites a ti, escudeiro!
Nunca será tarde, muralha,
Para provares a ti próprio
Que és maior que a tua fachada!

Nunca será tarde
Para Sonhar Acordado,
Para veres o teu Empenho,
Trabalhado e Apaixonado
Ser deitado por Terra…
Para te ergueres de novo
Com o engenho que te fez Nascer
Para veres Concretizado o teu Sonho de Viver.


Diana Estêvão
Setembro 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Ela Ama


Ela ama, trata, estima e brilha.
Ela pousa, dança, desliza, é uma trilha…
Todos querem percorre-la depois de a observar.
Ela apresenta-se imune e descomprometida,
Trás nela a ingenuidade
E a sabedoria de todas as vidas.
Ela apaixona-se por tudo, por nada…
Para ela a aventura está em cada metro de estrada.
Ela esforça-se para não trair,
Mas ela não sabe quando está apaixonada,
Sente tudo o que a rodeia e ajuda a atrair,
Tenta ser fria e deslocada, mas só quer ser amada.
Ela sabe mentir e pensa que não quebra,
Mas é feita de vidro e é a melhor exceção à regra.
Ela não sabe andar, mas acredita que voa.
Tem impacto no Universo, mas anda à toa.
Ela sabe amar e trata melhor que qualquer um,
Ela encanta quando se despe porque ela…
Faz amor com Todos os Sentidos… E todos num.
Ela sabe quando já não está feliz…
E como ela sabe que brilha, que desliza e é trilha,
Quer ser percorrida e encantar ao ser despida…
Ela ama, mas o seu sentir é maior que quem recebe
Então ela quer amar o mundo todo de uma vez
Como quem o Universo concebe.


07 de Maio de 2015

Diana

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Agora Salgado

Fomos pecado que nasceu e morreu em nós.
És uma peça de puzzle com forma quandrada que encaixa perfeitamente na minha forma arredondada.
Seremos recordação de quem se encontrou e uniu numa só voz.

Visto-me de preto e preparo-me para o luto.
O que te digo por vezes já é mais que um insulto...
Já te disse tantas vezes que o futuro não dará certo.
Já te contei algumas vezes que foste, que és
A figura que faz este desenho parecer menos incompleto.
Mas pelo meio da tua personalidade vejo manchas...
Nem todas as almas gémeas vivem felizes.
E nem todas têm de conviver juntas.


Escorro a lágrima que vai esgotar o copo.


Porque não é apenas uma gota que enche um copo...
...mas há sempre a gota que o faz transbordar.

Esta lágrima é pesada.
Traz nela toda a história e ela sabe porque foi vertida.
Ela sabe que veio porque a história acabou. Agora mesmo.
Não mais será possível uma lágrima voltar atrás.
É como a seta.


Por vezes pergunto-me como me conheces tão bem...
Outras vezes pergunto-me:
Será que conheces o que há de realmente importante em mim?

O teu abraço é mais que amor figurado...
Mas tu gostas que o ar que respiro saia quase sempre da tua boca.
E não podes querer controlar tudo...
E sim, eu sou tudo, sou imensa...
Foi um erro. Eu não sou controlável. Eu sou eu. E tu és tu.

Se tivesse que descrever-te, serias só sensações...
Tacto: sensação delicada e aveludada... que passa e faz-me dar gargalhadas e transpirar.
Paladar: sensação doce e salgada, tão bem doseada...
E só te uso a ti para me saciar. Não chega?

Agora já só sinto sabor a sal, no canto da minha boca quente.
É o sabor da tristeza. Salgada.

Não poderias se calhar ter apenas esse lado que é tão bonito?
Tu não podes querer-me só para ti num grito possessivo que me desbota e apaga do mundo!...
Só para teres a certeza que mais ninguém me olha.

Incompleto de amor próprio e segurança irás dizer:
"Bem sabia que já não gostavas de mim como antes".
De nada me serve provar aquilo que sinto.
Se bem que era mais fácil ser verdade essa frase que utilizas ás vezes.
Deixar a mão de quem amamos porque tocar-lhe doi mais que largá-la...
É fodido.
É MESMO FODIDO um dia imaginar, pensar acontecer e neste preciso momento
concluir que afinal não... Os nossos netos jamais nascerão.
Que não estarás cá amanhã porque não quero estar aqui quando voltares.


Vês? O dinheiro não compra estas coisas... Mas é ele que move montanhas.
Por isso vamos prosseguir com o que nos uniu...
Já que ultrapassámos um dia aquilo que nos desfez... E voltámos a ser nós.
E agora encontraremos o outro nosso lado que usamos tanto e todos os dias
E continuaremos a ser aqueles que conhecemos.


O mundo é mais do que eu e tu.
O mundo é enorme.
E eu sei que apenas eu pareço ter pernas para o percorrer.
É principalmente isso que nos diferencia.
Isso e o medo terrível de perderes quem queres ter.

Antes era eu... aprendi a amar-me primeiro.
Penso que tens agora a chance de encontrar-te. Andas perdido.
Não tentes encontrar-te em mim.
Tu és tu. Eu sou eu. Toma isto como lição.

Eu achei que eras bom demais ser verdade.
Mas a vida até que me preparou bem...
Mas dói sempre.
Principalmente quando se ama tanto esta pessoa.
Mas gosto mais de mim.
Escolho-me.
Eu jurei-me que nunca mais seria eu depois de alguém.
Para isso há os filhos. E tu não és meu filho.
Prometo-me cumprir o meu amor próprio.

Amo-me.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Nuamente

É nua que me olho.
Só me vejo quando estou nua.
Quando me dispo do que penso
E visto o que sinto.
Porque é apenas nua que me sinto.
Não é sentir-me nua:
É sentir-me, apenas
Quando estou nua.

Nua de mundo, nua de outros,
Nua de exterior e
Toda eu sou eu,
Interior infinito e desconhecido.
Vestida de mim e das minhas
Entranhas mais lindas
Num Narcisismo orgásmico
Que me leva a planos transcendentes.

(Nem todos os que me lêm entendem
O que escrevo...
Nem ao vivo.
Porque...
-"Tu és tão tu".)

Sou.
E posso ser mais.
Porque posso encher-me tanto de mim
Até me transbordar...
Transbordar-me de Eu,
Do melhor que posso ser de mim.
Não caber em mim de ser tanto eu
E tão enorme.
Sabes como é isso?
Poucos sabem.
Eu gostava de saber.

domingo, 7 de setembro de 2014

Doo-te

É nestas alturas que não estou a ser eu.
Estou a ser o pior de mim que não sou eu.
Por ter de ser o que não sou nem consigo ser.
As minhas crenças e valores colidem em
Contra-natura com o que é imposto
Por mim própria e pelo outro.
Vagueio sem ser eu, não sendo senão algo
Que parece oco.
Em que o vazio dói, apático.
Eu sou vazio.
Eu doo.
Tu dóis.

Doo-te.
Doo-nos...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014


Post by Crazybiders.


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terça-feira, 8 de abril de 2014

Alguém me olha?



Corro, grito, sufoco,
Caio.
Levanto-me sem ter forças
Pra me levantar...
Tropeço e Engasgo-me de tanto falhar.
Às vezes paro e reflicto
O que ando a ignorar...
Às vezes paro e admito
Que tenho que respirar.
Sufoco mais um pouco porque
O dia-a-dia são os 100 metros,
Tropeço mais um pouco
Porque sou verde e um Ser não concreto;

Penso para mim:
Não cais, não cais!
Não vais cair.
Corre mais um pouco
A meta está a surgir.
É tempo agora de crescer
O que está pra florir
Amadurecer o fruto que nasceu a sorrir...

Acorda, revela, entusiasma!
A vida são três tempos e o tempo não acaba!
Verte suor, lágrimas, o que tu quiseres!
Aguenta, porque já nasceste
E não te deram a escolher,
Chora, grita, corre - ATINA!

Eu sei que custa, mas é assim a tua sina.

Sina, sina, sina... O que falo eu?
Não acredito em sinas
Nem em deuses ou mesmo um deus...

Às vezes pergunto apenas se somos sozinhos,
Às vezes sofro e olho o meu reflexo
Tão divino. Tão perfeita é a carne e
O seu espírito... Tão complexos que somos,
Tão complexo e tão complicado,
Que às vezes me pergunto se:
Lá pra cima onde olho,
Alguém por mim tem olhado...?


 Sofia Abreu
_2014_

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013


Foi difícil fechar a página do ecrã.

A inspiração surgiu enquanto falávamos.


O passado deixa marcas e as marcas trazem sensações.


Quis fechar a porta para falar mais à vontade.
Levantei-me e percebi que a porta já estava fechada.
Percebi que me apanhei a sentir essa necessidade...
Nada tinha a esconder no que escrevi.
Só no que pensei.
Mas o que pensei já se encontra num local à porta fechada.

Lembrei-me da nossa convivencia.
Assolaram-me visoes passadas...
...as tuas cartas, as nossas mensagens,
O sótão da nossa colega,
A nossa inocência,
A relação que nunca tivemos.
Talvez por vergonha minha.


Volto a olhar para a porta,
Como se alguém pudesse através dela
Ver-me contar esta história perdida no tempo...
E imaginar mais, do que aquilo que eu estou a sentir.

Escrevo porque gosto de sonhar acordada.
Porque sou a eterna apaixonada pelo sentir.
Escrevo porque não gosto de perder a oportunidade
De brotar palavras inusitadas - minhas.
Porque preciso viver aqui dentro
Na minha imaginação...
É como se uma falta de ar me sufocasse.
Quando não respiro deste ar.


Sofia Abreu

Eu

A minha foto
Planeta Terra, Portugal
Desfrutem-se...

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