Fomos pecado que nasceu e morreu em nós.
És uma peça de puzzle com forma quandrada que encaixa perfeitamente na minha forma arredondada.
Seremos recordação de quem se encontrou e uniu numa só voz.
Visto-me de preto e preparo-me para o luto.
O que te digo por vezes já é mais que um insulto...
Já te disse tantas vezes que o futuro não dará certo.
Já te contei algumas vezes que foste, que és
A figura que faz este desenho parecer menos incompleto.
Mas pelo meio da tua personalidade vejo manchas...
Nem todas as almas gémeas vivem felizes.
E nem todas têm de conviver juntas.
Escorro a lágrima que vai esgotar o copo.
Porque não é apenas uma gota que enche um copo...
...mas há sempre a gota que o faz transbordar.
Esta lágrima é pesada.
Traz nela toda a história e ela sabe porque foi vertida.
Ela sabe que veio porque a história acabou. Agora mesmo.
Não mais será possível uma lágrima voltar atrás.
É como a seta.
Por vezes pergunto-me como me conheces tão bem...
Outras vezes pergunto-me:
Será que conheces o que há de realmente importante em mim?
O teu abraço é mais que amor figurado...
Mas tu gostas que o ar que respiro saia quase sempre da tua boca.
E não podes querer controlar tudo...
E sim, eu sou tudo, sou imensa...
Foi um erro. Eu não sou controlável. Eu sou eu. E tu és tu.
Se tivesse que descrever-te, serias só sensações...
Tacto: sensação delicada e aveludada... que passa e faz-me dar gargalhadas e transpirar.
Paladar: sensação doce e salgada, tão bem doseada...
E só te uso a ti para me saciar. Não chega?
Agora já só sinto sabor a sal, no canto da minha boca quente.
É o sabor da tristeza. Salgada.
Não poderias se calhar ter apenas esse lado que é tão bonito?
Tu não podes querer-me só para ti num grito possessivo que me desbota e apaga do mundo!...
Só para teres a certeza que mais ninguém me olha.
Incompleto de amor próprio e segurança irás dizer:
"Bem sabia que já não gostavas de mim como antes".
De nada me serve provar aquilo que sinto.
Se bem que era mais fácil ser verdade essa frase que utilizas ás vezes.
Deixar a mão de quem amamos porque tocar-lhe doi mais que largá-la...
É fodido.
É MESMO FODIDO um dia imaginar, pensar acontecer e neste preciso momento
concluir que afinal não... Os nossos netos jamais nascerão.
Que não estarás cá amanhã porque não quero estar aqui quando voltares.
Vês? O dinheiro não compra estas coisas... Mas é ele que move montanhas.
Por isso vamos prosseguir com o que nos uniu...
Já que ultrapassámos um dia aquilo que nos desfez... E voltámos a ser nós.
E agora encontraremos o outro nosso lado que usamos tanto e todos os dias
E continuaremos a ser aqueles que conhecemos.
O mundo é mais do que eu e tu.
O mundo é enorme.
E eu sei que apenas eu pareço ter pernas para o percorrer.
É principalmente isso que nos diferencia.
Isso e o medo terrível de perderes quem queres ter.
Antes era eu... aprendi a amar-me primeiro.
Penso que tens agora a chance de encontrar-te. Andas perdido.
Não tentes encontrar-te em mim.
Tu és tu. Eu sou eu. Toma isto como lição.
Eu achei que eras bom demais ser verdade.
Mas a vida até que me preparou bem...
Mas dói sempre.
Principalmente quando se ama tanto esta pessoa.
Mas gosto mais de mim.
Escolho-me.
Eu jurei-me que nunca mais seria eu depois de alguém.
Para isso há os filhos. E tu não és meu filho.
Prometo-me cumprir o meu amor próprio.
Amo-me.
Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente. Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação. A mudança é a única certeza da vida. A morte física é inevitável. Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
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Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarEste foi o primeiro que li teu, e é soberbo de emoção, amor (próprio): sabedoria.... e dor.
ResponderEliminarComeçou aqui a minha paixão pela tua escrita, e o que nela contém de mais valioso: o teu coração. :)