Ninguém é o que faz, apenas, nem ninguém é o que tem - totalmente.
Não se conhece um ser, nem que anos de convivência passem; o ser humano está em constante aprendizagem e mutação.
A mudança é a única certeza da vida.
A morte física é inevitável.
Apesar das várias assinaturas, todos os textos são meus.
Toda esta terra me lembra
A tua presença e imagem.
Todos os sons, todos os cheiros,
E cada paisagem...
Até a muralha texturada
Em que toco, mais
Este mar e areia em que me demoro,
Todos eles... alimentam a minha
Expectativa de encontrar-te.
Todos os meus sentidos desejam
Inadvertidamente, buscar-te.
Não és Deus nem omnipresente,
Mas eu sinto-te por toda a parte.
Já não sei quem és
Nem o que gostas...
E como um fantasma apaixonado,
Eu continuo a esperar-te.
De ti, só
quero a tua forma
E um pouco do teu jeito.
Não te quero
meu amigo, amado,
Companheiro
nem querido,
E jamais te
quererei namorado.
Só quero a
tua resistência e resiliência,
Quero muita física e alguma química.
E após tudo
o que fizermos,
Que vai ser
delicioso e esgotante,
Que fique
claro, podemos ser inércia
E seguir cada um sem o outro adiante,
Até à
próxima.
Quero oferecer-te danças privadas,
Intensas de gargalhadas,
Encontros secretos em madrugadas,
Dar-te massagens molhadas,
O meu corpo e as tuas costas suadas.
Eu, de ti, somente desejo fogo de corpos,
Momentos longos de intensidade
Cheios de suspiros e gemidos
E curtos de romance e história.
De ti, quero muita profundidade
E toda a superficialidade que formos capazes.
Toda a originalidade que conseguirmos
Colocar nos nossos “a sós” fugazes…
De ti, quero tão-somente, por fim…
Disponibilidade sexual para mim.
Ela avisa-me que o tempo escorre-me pelos dedos..., Que vai visitar-me todas as noites E confrontar-me com os meus medos. Ganho mais força e ela também... Damos a mão, Sincronizamos a pele, os ossos E o nosso sangue em circulação... Ela vem e pega-me pela mão, Leva-me pelos caminhos da inspiração E dá-me letras e sons que não conheço... Ela só existe em mim. Ela só existe por mim.
Fomos pecado que nasceu e morreu em nós.
És uma peça de puzzle com forma quandrada que encaixa perfeitamente na minha forma arredondada.
Seremos recordação de quem se encontrou e uniu numa só voz.
Visto-me de preto e preparo-me para o luto.
O que te digo por vezes já é mais que um insulto...
Já te disse tantas vezes que o futuro não dará certo.
Já te contei algumas vezes que foste, que és
A figura que faz este desenho parecer menos incompleto.
Mas pelo meio da tua personalidade vejo manchas...
Nem todas as almas gémeas vivem felizes.
E nem todas têm de conviver juntas.
Escorro a lágrima que vai esgotar o copo.
Porque não é apenas uma gota que enche um copo...
...mas há sempre a gota que o faz transbordar.
Esta lágrima é pesada.
Traz nela toda a história e ela sabe porque foi vertida.
Ela sabe que veio porque a história acabou. Agora mesmo.
Não mais será possível uma lágrima voltar atrás.
É como a seta.
Por vezes pergunto-me como me conheces tão bem...
Outras vezes pergunto-me:
Será que conheces o que há de realmente importante em mim?
O teu abraço é mais que amor figurado...
Mas tu gostas que o ar que respiro saia quase sempre da tua boca.
E não podes querer controlar tudo...
E sim, eu sou tudo, sou imensa...
Foi um erro. Eu não sou controlável. Eu sou eu. E tu és tu.
Se tivesse que descrever-te, serias só sensações...
Tacto: sensação delicada e aveludada... que passa e faz-me dar gargalhadas e transpirar.
Paladar: sensação doce e salgada, tão bem doseada...
E só te uso a ti para me saciar. Não chega?
Agora já só sinto sabor a sal, no canto da minha boca quente.
É o sabor da tristeza. Salgada.
Não poderias se calhar ter apenas esse lado que é tão bonito?
Tu não podes querer-me só para ti num grito possessivo que me desbota e apaga do mundo!...
Só para teres a certeza que mais ninguém me olha.
Incompleto de amor próprio e segurança irás dizer:
"Bem sabia que já não gostavas de mim como antes".
De nada me serve provar aquilo que sinto.
Se bem que era mais fácil ser verdade essa frase que utilizas ás vezes.
Deixar a mão de quem amamos porque tocar-lhe doi mais que largá-la...
É fodido.
É MESMO FODIDO um dia imaginar, pensar acontecer e neste preciso momento
concluir que afinal não... Os nossos netos jamais nascerão.
Que não estarás cá amanhã porque não quero estar aqui quando voltares.
Vês? O dinheiro não compra estas coisas... Mas é ele que move montanhas.
Por isso vamos prosseguir com o que nos uniu...
Já que ultrapassámos um dia aquilo que nos desfez... E voltámos a ser nós.
E agora encontraremos o outro nosso lado que usamos tanto e todos os dias
E continuaremos a ser aqueles que conhecemos.
O mundo é mais do que eu e tu.
O mundo é enorme.
E eu sei que apenas eu pareço ter pernas para o percorrer.
É principalmente isso que nos diferencia.
Isso e o medo terrível de perderes quem queres ter.
Antes era eu... aprendi a amar-me primeiro.
Penso que tens agora a chance de encontrar-te. Andas perdido.
Não tentes encontrar-te em mim.
Tu és tu. Eu sou eu. Toma isto como lição.
Eu achei que eras bom demais ser verdade.
Mas a vida até que me preparou bem...
Mas dói sempre.
Principalmente quando se ama tanto esta pessoa.
Mas gosto mais de mim.
Escolho-me.
Eu jurei-me que nunca mais seria eu depois de alguém.
Para isso há os filhos. E tu não és meu filho.
Prometo-me cumprir o meu amor próprio.
É nua que me olho.
Só me vejo quando estou nua.
Quando me dispo do que penso
E visto o que sinto.
Porque é apenas nua que me sinto.
Não é sentir-me nua:
É sentir-me, apenas
Quando estou nua.
Nua de mundo, nua de outros,
Nua de exterior e
Toda eu sou eu,
Interior infinito e desconhecido.
Vestida de mim e das minhas
Entranhas mais lindas
Num Narcisismo orgásmico
Que me leva a planos transcendentes.
(Nem todos os que me lêm entendem
O que escrevo...
Nem ao vivo.
Porque...
-"Tu és tão tu".)
Sou.
E posso ser mais.
Porque posso encher-me tanto de mim
Até me transbordar...
Transbordar-me de Eu,
Do melhor que posso ser de mim.
Não caber em mim de ser tanto eu
E tão enorme.
Sabes como é isso?
Poucos sabem.
Eu gostava de saber.
Não guardo rancor.
É uma aptidão que nunca consegui adquirir.
Mas faço luto; por sinal, mais silencioso que o que eu sabia.
Em vez de rancor ou dor, eu tenho a especial estranheza de alimentar sonhos...
Sonhos que me mostram que se mostrará o que não seria esperado. Mas isso não é minha culpa. É culpa de quem joga os dados depois de dar o número como adquirido.
O que se perde, por isso, é invisível. Pois não é previsível.
O que se ganha em jogar com o que se tem, é sempre o mais plausível...
Ouvidos que não ouvem, coração que não sente... E perde-se algo sem se saber o que poderia ser ganho neste jogo de emoções e música...
A bailarina roda em torno do seu eixo na sua caixinha de música... Sabemos que ela nunca sairá de lá a bailar para fora do seu eixo...
Porque achamos que não é capaz... é feita de massa inanimada. Não é capaz.
Nós só aceitamos o que vemos e o que acreditamos ser possível.
O que não se vê também existe e é possível. Nem todos são capazes de fazer acontecer.
E o mais fácil é ficar com o razoável...
Que é agradável... Mas não é fascinante.
Isso, em vez da indefinida estranheza, mascarada de roupagem frágil e desgrenhada...
Estas histórias de caixinhas só me darão a motivação que estava em falta.
As coisas não podem continuar a ser definidas pela insegurança.
De qualquer forma... Embora me identifique com a música que ela toca... Eu não me identifico com a figura que baila nem com a caixa...
Por milhões ou outra classe de unidade duplicadamente maior de galáxias... Obviamente não somos únicos. Ou melhor..., únicos seremos, sempre. Cada (grupo de) Ser vivo, uma individualidade. Mas não seremos os únicos a existir. Não seremos os únicos a achar-nos fantásticos e unicamente inteligentes... Também não nos poderemos esquecer que a vida começou numa bactéria e pessoalmente, não me acho superior, a não ser intelectualmente, às bactérias... Porque, tudo o que somos, já foram bactérias. A Terra já foi só bactérias e nós ansiamos saber se Marte já foi bactérias e se há bactérias num planeta "perto"... Porque bactérias é vida. Aquelas que nos enojam. São na verdade o começo. Obviamente não estamos sós... Se há galáxias semelhantes e iguais à nossa. Que têm Sol como nós. Um sistema. Mas estamos muito longe da próxima galáxia. Nós nunca nos tocaremos. Só sonharemos uns com os outros sem sabermos como somos... separados por quadrilhões anos luz (ou outro número igualmente assustador) porque eu não acredito que o Universo seja apenas os 78 bilhões de anos-luz que nós conseguimos desvendar... só porque nós só alcançamos isso na nossa "visão" do que é observável. Isto a que chamámos Planeta, que damos por nome "Terra", esta massa nasce (como todas as outras massas orgânicas) com um prazo de validade. E esse prazo de validade não permitirá nunca que um Ser pensante (no nosso caso, nós Terráqueos) consiga desenvolver tecnologia para atravessar galáxias... Podemos ainda em 3.013 andar já a passear pela nossa galáxia... (não toda!), e não achem isso menos entusiasmante...!, mas conhecer outra galáxia, nunca iremos ter tempo. A Terra não nos dará esse tempo. E dizem que sem Sol não há vida, e dizem que na nossa galáxia só nós temos o Sol "apontado" a nós... Dizem que os outros estão demasiado longe para conseguir a luz celestial do nosso Sol (dentro desta galáxia). Também dizem que sem água não há vida... e que nos outros planetas não há água... como tal, depreende-se que queiram dizer que não haja vida... (Todos os Seres necessitarão de água?) Ou ela (Terra), ou nós ou todos juntos nos extinguiremos antes de criar tecnologia tal que nos transporte galáxia fora... Nós fomos e somos bons a construir e evoluir. Mas a construção traz destruição. Que antítese...! Nós destruímos a nossa camada protectora para evoluir, destruímos árvores e oxigénio para construir, destruímos a terra para nos construirmos e evoluirmos... Será que não destruiremos primeiro a nossa casa antes de conseguirmos construir uma tecnologia de deslocação para achar outra casa? Claro que sim. Vamos todos morrer, sem tocar no nosso semelhante externo ao nosso sistema. Não teremos tempo de construir a melhor máquina...
Não estamos sós. Mas nunca nos tocaremos. Nunca saberemos como eles são. Acredito que pensemos uns nos outros sem sabermos com certeza que o fazemos. No universo cheio de galáxias, há mais de nós e há mais vida que nós sem ser necessariamente igual a nós... Mas nunca ouviremos, tocaremos, veremos a sua massa orgânica. Simplesmente, outros antes de nós já tentaram... ou acreditam que somos os primeiros? O Universo tem espaço e tempo para muitas histórias... Mas o Humano é uma raça gira..., que se acha pioneira! Somos tanto e tão pouco, como grãos de massa no Universo. Iguais aos planetas que sabemos existir.
Tudo o que é sincero é legítimo.
Tudo o que nasce do verdadeiro desejo de querer, Não deve ser condenável, Mas pode ser ignorado pelo autor. Pode ser esquecido...
Deve ser olhado de fora, com racionalidade.
A tua expressão denota timidez
Que provém do teu coração
E não da tua personalidade.
E isso quer dizer algo...
Algo que os teus olhos não conseguem
(E Será que querem...?) Esconder.
Por detrás de quem és
E do que és para mim,
Revelas na tua expressão firme,
Uma brecha de mistério...
Que revela algo...
Algo mais que aquilo que desejas
Ser para mim.
É qualquer coisa que queres segurar,
Mas que a química não segura,
Porque o sentir não sabe mentir.
E quando a sós passas por mim,
Mais perto passas da ideia que negas para ti.
Mateus Marques
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Despertas o que de mais
jovem há em mim.
Toda eu sou flores quando
me falas
E receio de ser demasiado
velha para ti.
(Eu perco todas as
firmezas que me fazem a alma.
Quando te encontro... Sou
feita de cetim.)
Enrosco-me em pensamentos
de mãos dadas
E conversas que nunca
existiram.
Pergunto-me o que me
falta para eu conseguir ser
O ser que poderias
amar...
Pergunto-me onde falhei.
O que poderia ter feito
Ou deixado de fazer.
Pergunto-me onde errei.
Eu não queria errar...
Todos erramos, todos
sonhamos.
Já todos falhámos.
E eu pergunto-me o que
poderia ter feito
Para que me amasses.
O que teria conseguido se tivesse seduzido
A tua alma, isto se ao
menos,
Eu tivesse alguma vez
conseguido
Ser capaz de tentar.
Também me pergunto se
serias capaz
De ser seduzido, se te
seduzisse.
Se é de sedução que a tua
emoção se faz.
Se é por uma mulher que o
teu coração se desfaz...
De ti já só tenho a tua sombra. E foi assim só com isso que quis ficar, Por mim, pode o Sol também levá-la, Porque se algum dia te quiser procurar Não te verei em parte alguma Dos meus registos actuais. A lembrança é coisa curta E os teus traços, chegam-me Distorcidos... irreais.
Um poeta é um eterno apaixonado pelas extremas emoções.
Mesmo que não seja oportuno vivê-las num momento,
Escreve-as como se inventasse uma história com personagens que
Finge que inventa...
Mas são sempre, um pouco e um todo, dele mesmo.
Sonha acordado.
Sente.
Emociona-se.
Sente a necessidade de escrever.
Às vezes é mais forte que sentir vontade de comer.
São horas a escrever sem sentir sono, fome ou falta de qualquer outra coisa.
As palavras são-lhe uma injecção de heroína, adrenalina, paixão constante...
Às vezes semelhante à excitação sexual no seu ponto mais elevado de batimentos cardíacos...
Mas é mais que isso... é mais que carnal.
Ouve as frases que escreve e por vezes, a música é imaginada a acompanhar...
Para os poetas, escrever alimenta as horas de ausência de verdadeira aventura.
É como se o pensamento fosse a verdadeira vida e torna-se do tamanho do Universo...
E afinal a vida real já não vive mais naquele momento... a não ser para impulsionar o sangue
Nas veias que salientes enviam células vitais ao cérebro que está numa actividade "fervilhosa"!
Se pintassem o pensamento seria o melhor movimento artístico jamais visto...
Quando escrevemos, vemos coisas que os não poetas são serão nunca capaz de saber que existem.
Um poema nunca fará justiça ao que está dentro de uma mente.
Um livro nunca terá toda a intensidade que o escritor sentiu...
Um filme nunca será suficientemente figurativo do que verdadeiramente se vê naqueles minutos e horas e dias de exaustão de hormónio no teu corpo...
E se te interrompem este momento, há uma frustração tal, que então passa tudo a ser tão carnal...!
Como um orgasmo que estava a começar e pára subitamente.
A raiva não te deixa continuar... a quebra não te deixa de novo excitar...
É frustrante querer escrever e não acontecer. Não sai, não bruta, não escorre...
Sentes-te hemofílico e esvais-te em impotência de dom...
Ninguém saberá sinceramente do que falo, se não for poeta.
Deslizei. Quis morder sem comer. Escorreguei. Quis saborear sem apreciar. Caí. Quis querer sem ter. Sofri. Quis ter e não perder. Enganei. Quis manter sem afastar. Errei. Quis dois pássaros na mão, Mas os dois que tive no coração, Saíram a voar…! Sem que eu lhes pudesse dizer Que houve uma altura Em que os dois consegui amar.
Saber chorar pode ser algo que se desaprende. Com a dor. A dor também nos seca.
Mais triste que não chorar, é querer e não poder verter aquilo que alivia o pesar.
E não basta recomendar beber muita água... porque o mal não está no que entra, mas no que não sai... Muito menos o mal está em algo tão material... como água... O mal de não chorar está em algo mais profundo. Libertar essa expressão liberta a tensão, talvez seja por isso que existe "chorar". Não sei... Mas...
Há pessoas que não sabem chorar. Nem por isso são más pessoas. Só são ainda mais tristes do que se chorassem.
«Saudade»...,
Segundo a tua ausência,
Significa beber todos os dias
A dor de não te ver nem ouvir
Nem te ter, para me alimentar.
Significa,
Segundo o meu desejo de te possuir,
Enlouquecer todas as horas
Por não ter os teus lábios nos meus
Nem os meus olhos nos teus.
Diana Estêvão
«Saudade», a mais bela palavra Portuguesa
Traduz-me «saudade».
Eu poderia dizer I miss you, mas seria apenas sinto a tua falta... ou "te echo de menos"; "mi manchi", vermisse dich, tu me manques, あなたがいなくて寂しい (...) mas seriam expressões, com mais de uma palavra...!
Queremos uma só que tudo diga, uma palavra envolva esta imensidão de sentimento!
Se em ocasião te olho e te consigo ver,
Então reparo-te... como quem se delicia.
Estes suspiros são da tua autoria,
És o culpado dos meus sorrisos e desta alegria.
Tanto quanto és autor da ânsia e euforia...
E tanto quanto, infelizmente..., para mim,
És o tão capaz de me magoar,
Pelo que já experienciámos, sabemos que sim.
Porque eu deixei-me te amar.
A sós somos mais nós, sem ter que explicar.
Mas quando apareces assim...
Sem eu te poder pegar...
Desejo descer o pano com que faço
As nossas quatro paredes de amasso
E olhar-te nos olhos sem perguntar se posso,
Beijar-te meu amor... como no nosso regaço!
A sós és bem mais tu, mesmo que me digas que:
Não é bem assim...
Porque essa tua capa é demasiado crua...!,
Não me digas que é de mim!...,
Porque eu sou para ti mais nua do que
A tua verdade já alguma vez me foi...
Não me mintas... rapaz...
Porque me ensinaste mais que todos
Que amar com esta verdade...
Dá-nos a melhor felicidade e a mestra desgraça...
Mas..., desde que este tão doce alento
(Que me plantaste há muito tempo)
Seja mais abundante que estas lágrimas e noites
Que me tiras sem pedir permissão...
Então eu aceito continuar a amar-te.
Tudo porque eu te dei o meu chão.
Para não dizer o de sempre...
Porque esse que se diz que se dá...
Afinal fica sempre cá...
As silhueta acolhe-nos na sua sombra própria.
Normalmente tem uma beleza muito sua...
Não mostra cor ou padrão...
Não mostra sorriso ou perdão.
Só mostra os limites e
A linha que divide fundo e figura negra.
Consegue ser sensual e assustador.
Consegue seduzir sem mostrar o conteúdo,
Consegue ser bela sem mostrar o seu interior.
A silhueta tem como objectivo esconder-nos
Afirmando-nos.
Gosto de silhuetas, porque nos delineiam.
Desenham a forma do nosso corpo
E sublinha-nos a tangente com o fundo que nos tem.
Sinto-me bem silhueta porque mostro-me
sem me mostrar.
E ninguém vê o meu rosto, pele ou cor...
Ninguém me toma pela textura...
A mancha que passamos a ser
Uma vez silhuetas,
Dá-nos o poder de actuar sem expressão descoberta.
Somos alma em forma de forma
Que pode ser projectada como sombra
Ou usada como sombra própria...
A silhueta consegue esconder a lágrima,
Mas transborda expressão corporal.
Mancha a pele, mas afirma a volumetria...
Talvez nos exponha mais, afinal,
Que o nosso corpo em fotografia.
Foste em tempos, tenros,
A alma mais absoluta
Que eu julgava existir para mim…
Eras, do nascer ao pôr do Sol,
O rosto que eu vivia,
No horizonte jovem dos meus olhos.
Não acreditaste na certeza que senti
Quando senti o que senti
Ao sentir-te no meu olhar…
Ao tocar-te pura, trémula e original.
Escrevi-te como se fosses
O último homem na terra…
E como se eu, fosse a única poeta
Que melhor declamava o meu amar…
Mas tu!..., eras na altura,
De facto, o único rapaz
Daquele meu terreno lunar…
E fizeste-me sentir a melhor e única
Poeta… daquele terreno à beira-mar…
Todas as horas foram lutas,
Travadas para te conquistar.
À espera que existisse um fim,
Um final feliz, em que,
Por destreza minha te fizesse,
Finalmente!,… Amar-me.
Várias flores nasceram aos meus pés…
Belas e apaixonadas, sem eu as plantar…
Seguiram-me num desenho fiel…
Mas que nunca me conseguiu apaixonar…
Porque a flor que sempre tentei cultivar,
Nunca a consegui ver nascer nem desabrochar.
Por isso nunca me fez feliz um jardim repleto,
Se a única flor que plantei não nasceu…
Deixando o meu jardim incompleto…
E incompleto o desejo de amar…
…
Insisti em nós, incansavelmente,
Acreditando que poderias vir
A sentir-me como te sentia a ti.
Perdi a noção das cartas e palavras…
Perdi o meu tempo em troca de
Não correspondência.
Chagas no peito, horas amargas…
Quando desisti de te conquistar…
Não te ganhei nenhum sentimento mau,
Perdoei-te por não ser correspondida…
Ficou só o meu desgosto por ti, rapaz…
Nunca tive coragem para jogar contigo...
Nunca consegui usar os meus trunfos
De mulher jovem…
Pequei por não ter sido mais habilidosa…
Mas sou mais envergonhada do que me julgaste.
Mais tímida que…
A desavergonhada que em mim desenhaste…
Se fosse hoje, talvez mais que na altura,
Eu mais hoje tentasse…
Mas não deveremos falar assim do passado…
Só sabe quem já sentiu…
O que é amar e não ser correspondido…
Amar-te e querer-te…
E tu de coração já preenchido…
Acho que nunca mais nos iremos cruzar…
Não daquela forma.
Mas por mais que eu te tenha esquecido…
Ao passar por ti e na tua presença…
Ainda tremo…
O teu rosto ainda me toca com o olhar…
A tua presença ainda me preenche…
A tua existência junto de mim
Ainda me faz suspirar…
Ainda despertas a minha adrenalina…
Eu gostava de ter-te num momento a sós…
Porque hoje somos homem e mulher…
Já não somos menino e menina.
Gostava de conversar…
Olhar…, rir…, observar… sorrir…
Tocar-te na mão, com delicadeza…
Fazer-te um carinho no rosto,
Com leveza… Tudo muito calmo…
Porque parece que ao imaginar…
Volto a ser a mesma menina.
E o medo apodera-se…
Parece que volto a ter a mesma
Ingenuidade genuína…
Vou esperar por esse momento…
Espero não ter medo.
O meu pecado é ter medo.
O medo não deixa o Ser-humano viver…
Não o deixa sentir…
Leva-me a sentir.
Leva-me a querer.
E viram algo que vos levasse a reparar? Reparam em algo que vos fizesse voltar? Voltaram a ler algo que quisessem seguir? Seguiram algo que desejaram continuar a acompanhar?
Obrigado por lerem a minha página. Vou esforçar-me para dar mais de mim.
"Se podes olha, vê. Se podes ver, repara." J. Saramago
O Stop motion é como a vida... E ainda mais como os momentos que temos nela. Juntam-se fotos após fotos, frames sucessivos de sentimentos e matéria que, ao fim de uns milhões de imagens nos permitem ver um filme fluído. E assimilamos muito melhor as coisas que aconteceram quando fazemos o stop motion desses momentos ou mesmo o stop motion da "nossa" vida. Porque na verdade, cada foto, individualmente - por vezes - não nos diz nada. Porque numa foto não vemos a anterior nem a seguinte só vemos aquela. E aquela poderá não dizer tudo.
Engraçado como o stop motion pode ser como os momentos da nossa vida... Que só os interpretamos melhor/bem quando os vemos em sucessão... Aí percebemos muita coisa que não havíamos entendido ou não quisemos dar atenção quando era só uma vez, quando era só um momento... um frame.
A quantidade faz a ideia, a quantidade faz o sentido... e a sucessão faz o raciocínio correcto.
Mas há também a manipulação do real - que é interessante como também se adequa à nossa forma de vida. Neste vídeo tal como na nossa vida, há manipulação de imagens reais, de momentos... E nós manipulamos o real, para que nos pareça à medida das nossas expectativas.
Porque o stop motion não bastou para compreender e agradar, quiseram manipular o existente, adequando às expectativas, desejos e objectivos... e metas. O stop motion faz-nos compreender se não estivermos satisfeitos com o que compreendemos e depreendemos..., faremos então uma manipulação do que temos... para por vezes, nem convivermos com o real que descobrimos...
É assim na nossa vida. Tal como no stop motion.
Criamos histórias.
O Sol nascia E os raios da lembrança Iluminavam aquele sentimento... Via-te no horizonte que os meus olhos criavam. Lembrei a tua presença daquela manhã fazia d'outrora... Lembrei a nossa dor. A minha, de gostar de ti... A tua, de não sentires nada por mim.
Passados anos dessa breve adolescência Lembro com carinho e nostalgia a minha luta Pela tua conquista. A vida não me quis oferecer sequer a tua paixão. Segui, mas ainda penso muito em ti. (Não da mesma forma.) Lembro-me sempre da teoria de alguém Que um dia disse Que "A esperança é a ultima a morrer" E da minha que diz que: Ela só morre com quem amamos. E por isso às vezes ainda penso que... «Bem... Ainda cá estamos...!»
Não sei que me fizeste..., que Quando te vejo ainda acelero o coração. Devo sentir vergonha?
Vejo cada vez mais longe qualquer Possibilidade tosca de alguma vez, Sequer, Provar os teus lábios. Sinto que já não sinto por ti; Mas sinto que ainda me minto, Se disser que nada me dizes.
Naquela muralha de pedra clara Lembro-me de observar-te a voar de bicicleta Depois da tua doce sinceridade De me negares... Quando, Curiosamente, Todos me queriam E eu escolhia-te exactamente a ti que nem um desejo sentias...
O sol pôs-se... Viste? Deliramos. Afinal, não somos assim tão diferentes. Nem eu tenho tantos defeitos como em tempos desenhaste. E não pretendo jamais que Tenhas pena de mim. No entanto também não te admito Dúvidas sobre a seriedade do que senti. Especulações sobre um possível amor de verão Que esses, como citaste "(...)Enterram-se na areia da praia" Nem tão pouco suporto um afastamento Por desconfiança de nova fraqueza minha.
Algures li que "não se ama o mesmo homem duas vezes". Por isso só há duas hipóteses... Ou nunca cheguei a amar-te, Porque nunca me deste o prazer de o chegar a sentir... Ou nunca deixei de te amar O que na verdade me parece improvável. (Digamos que algo em ti mexe comigo.) Ou então esta teoria é mentira E podemos amar quantas vezes quisermos a mesma pessoa. Ou então "o amor tem razões que a própria razão desconhece".
Olhei em frente. Para um lado. Para o outro... Saí da entrada daquele prédio, belo... Daquele sítio alto... que outrora, de perto, já viu o mar. E sem rumo, mas com vontade... Andei pelas ruas do Rossio...
Todos os dias me engano, todos os dias me traio Por não usar o que me deram e que nem todos têm, Por não me deixar apaixonar pelo que amo em segredo E que sei que todos querem. E assim, vivo cada dia... Enganada.
Enquanto desço a rua Começo a cantar, porque o que amamos Não podemos negar. As pessoas fintam-se, olham-se... Re-olham-se, tresolham-se... E voltam a olhar. Eu olho... sinto, Deixo-me apaixonar... Porque se posso olhar, vejo. E se posso ver, reparo. Como me ensinaram num livro.
Caminho; pé na diagonal do outro... Postura firme, costas direitas... Penso na próxima rua... E sinto receio. Abrando. Acobardo, como sempre.
Ouço as vozes trocadas e musicas da rua... Fecho os olhos. Continuo de olhos fechados a caminhar... E descendo a Garrett, recomeço a cantar.
A calçada é inconstante e torna a minha voz Não tão boa, mas eu canto... para mim. A vontade cresce e o peito do lado esquerdo Sente um quente... E num salto, começo a correr! Corro pela Do Carmo abaixo...! Já lá não está o carro verde que de dia nos dá fado. Enquanto corro, penso de novo no que quero... E tenho medo de fazê-lo... Chego ao grande largo... Atravesso-o num passo apressado...! Quase que choro de emoção, pela musica que tenho no coração. E que todos os dias sinto que traio por não a sentir... Mas hoje vou senti-la e abraça-la..., aquela que amordaço Entre as cordas vocais.
Corro! Chego à De S. José... E lá está ele. Canta com vontade, não se trai. Abraça a sua paixão. Todas as noite canta, acompanhado pela sua guitarra. Deixei-o terminar. Dirigi-me a ele... com medo. Frente a frente, disse boa noite. Perguntei se aceitava que cantasse com ele. Fez-se rogado... Disse-lhe que nada pretendia em troca a não ser o seu sim. E que se ele recebesse dinheiro enquanto eu ali estivesse, Ficaria contente por ajudá-lo assim... Aproximei a minha voz do seu ouvido e cantei. Para que visse que era capaz. Perguntei-lhe se me deixava cantar Amália... Ele escutou... E os meus olhos devem ter feito algo, que ele viu, mas que eu não vi... Porque ele disse que sim e deixou-me agarrar no seu microfone. Falei-lhe de uma música que falava de Lisboa... E começou a tocar na sua companheira... (...) Era tarde para amordaçar de novo a voz. A cobardia lutava com a vontade. E trémulas as minhas mãos, não pequenas, seguraram firmemente no que projectaria a minha voz por aquela rua longa... E cantei...
«Se uma gaivota viesse trazer-me o céu de Lisboa no desenho que fizesse, nesse céu onde o olhar é uma asa que não voa, esmorece e cai no mar.»
E nesta primeira estrofe, As gentes de cá e de lá, Ouviram o que o meu coração tinha a dizer E que a minha razão quis esconder...
«Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia perfeito o meu coração.»
Emocionada sorrio a cantar Com esta música tão triste. Porque o fado tem um encanto Que os que o amam sentem... E uma felicidade que é escondida Na sua tristeza tão bela.
A emoção da sua tristeza, Transbordou pelos meus olhos E os meus olhos fechados brilharam.
«Se um português marinheiro, dos sete mares andarilho, fosse quem sabe o primeiro a contar-me o que inventasse, se um olhar de novo brilho no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração no meu peito bateria, meu amor na tua mão, nessa mão onde cabia perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida as aves todas do céu, me dessem na despedida o teu olhar derradeiro, esse olhar que era só teu, amor que foste o primeiro.»
As gentes de cá e de lá Reuniram-se à nossa volta E as minhas cordas vocais vibraram, A minha voz voou pela calçada portuguesa, Como uma ave selvagem que é solta da gaiola. As pessoas escutaram, cantaram... Sentiram. E a rua tornou-se pequena e quente. E terminamos assim:
«Que perfeito coração morreria no meu peito, meu amor na tua mão, nessa mão onde perfeito bateu o meu coração.»
E calei a voz. A guitarra continuou... O meu coração, sem espaço para bater, ouviu as palmas... E sem esconder, Sorri com lágrimas. Batemos palmas... As mãos suadas e frias Devolveram o microfone do Senhor. Beijei o artista. Agradeci. Segui calada, Com a minha voz de novo cerrada.
Ontem deixaste a tua marca nos meus lençóis,
E a tua presença ainda actua
Se eu fechar os olhos...
O teu cheiro é a marca que não quero perder,
A imagem gravada do teu olhar
Vai ser a chave que me vai prender.
Às vezes a lágrima sai...
Por ser eu tão feliz às escondidas.
Às vezes a verdade vai...
Por escondermos as nossas vidas...
Às vezes o pano cai.
A nossa mentira
É feita de palavras sentidas.
Se a nossa forma séria de sentir
Faz de mim uma mulher mais mentirosa,
De que vale adorar-te e oprimir?
Se és só sonho cor-de-rosa,
De que me vale amar-te se lhe vou mentir?
Quero fazer-te feliz e sentir que me sorris...
Não quero que te escondas
Cada vez que me sentires...
Não quero que sofras
Cada vez que te pedir para fingires!
Não quero perder-te,
Se um dia fugires.
Gostava de tornar-te realidade
No meu mundo verdadeiro
Gostava de sonhar-te acordada
Sem segredo nem medo...
Amar-te e ser amada.
Sem nenhum ou qualquer receio.
Dar-te a mão sem vergonha.
Abraçar-te e ser abraçada...
Sem ter de procurar um meio;
Deixar transparecer o meu desejo
E não amarrá-lo, como se fosse feio.
Gostava que o meu coração
Batesse por ti a toda a hora
E não apenas quando lhe dou ordem...
Meu coração de corda.
Ela é salgada, Já não lhe sabia o sabor... Não por não as verter... Mas por nenhuma roçar a minha boca. É um sabor único, Naquela temperatura tão própria. É morna e salgada Quando se entorna. Cuidadosamente temperada, A lágrima contém nela Uma rica mistura de sentires... Ela cai quando nos rimos, Quando sentimos tristeza, Angústia, revolta, raiva... Quando sentimos emoção, Comoção... Ela cai e rola... Deixando um pouco de si Por onde passa... Deixa de existir quando Já deu tudo o que tinha Da sua matéria, quando Seca, por onde se espalha. É tão rica em sentimentos que Deixa alguns pelo caminho ao Largar os olhos molhados e carregados. E é dos fenómenos mais lindos e Com finalidade desconhecida; Ninguém consegue explicar Porque é necessário na nossa vida... Mas ocorre em todos os seres humanos... A lágrima, é portadora de vida.